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PARAÍSO CHARMOSO

Encravada no cenário cativante de Monte Verde, em Minas Gerais, a pousada Provence Cottage & Bistro é refúgio perfeito para quem busca momentos de calma e de boa mesa

Por: Prazeres Da Mesa | 28.nov.2016

Por Ricardo Castilho
Fotos RJ Castilho

Bochecha suína, tamarindo e batata-roxa

Bochecha suína, tamarindo e batata-roxa

Imagine uma culinária delicada, cheia de sabor e sutilezas. Com café da manhã no melhor estilo de fazenda, pão de queijo leve e quentinho, geleias especiais e ovos. Café da tarde reconfortante, com chocolate quente e uma fatia de bolo que lembra o da vovó. O jantar ainda pode reservar criações como cogumelos assados e lambari da horta, ravióli de banana-da-terra com queijo da Serra da Canastra ou strudel de bacalhau e consomê de maçã. Todas essas delícias que confortam a alma e aguçam o paladar são o cartão de visita da Provence Cottage & Bistro, uma pousada encantadora na mineira Monte Verde, onde o charme se espalha por cada canto, com simplicidade única e atendimento que faz todo mundo se sentir especial.

Por trás de todos esses detalhes está a dupla Ari Kespers e Whitman Colerato, que há 12 anos escolheu a cidade como refúgio. A pousada acaba de completar seis anos. Antes da mudança, os dois comandavam o restaurante Sal da Terra, de comida brasileira, na cidade de Jundiaí, no interior de São Paulo, uma operação bem maior, com desgaste proporcional. Na Provence, a dupla cuida de todos os detalhes, do atendimento aos mimos que oferece aos hóspedes. Apesar de Colerato se aventurar um pouco entre panelas – o pão de queijo e as geleias são fantásticos –, é Kespers quem comanda a cozinha. E ela é cheia de sabor, com uso preciso de bons produtos, vindos de pequenos produtores da região e preparados com muito prazer, que é o que forma a principal diferença. “Felizmente, faço com bastante carinho, com produtos selecionados e sem pressão, tudo no ritmo de antigamente”, diz Kespers.

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Guinada na crise

Até entrar na cozinha, Ari Kespers trabalhava como desenhista em Americana, cidade do interior de São Paulo, e, em meio a uma crise no início do governo Fernando Collor (1990-1992), precisou se reinventar. Primeiro, montou um café e deu o pontapé inicial na gastronomia. Em pouco tempo descobriu que esse seria seu caminho. “Nunca fiz cursos, fora um de panificação no Senac”, afirma. “Mas sempre li muito, estudei sozinho e fui desenvolvendo minha técnica e gostando cada vez mais de culinária. Minha mãe é minha maior referência e a avó do Whitman é a dele. Minha casa sempre teve aroma de pernil assado, de comida que é comida.” Depois do pequeno café, montou um restaurante grande em Jundiaí, com cerca de 300 lugares e muitos funcionários. “O Sal da Terra era um sucesso, mas depois de alguns anos vi que aquilo não era a vida sonhada. Foi quando decidimos vir para Monte Verde montar um negócio menor e autoral.”

O restaurante da Provence nunca abre para almoço e, para o jantar, apenas às sextas-feiras e sábados mediante reserva. Não há cardápio fixo e o menu degustação é criado de acordo com o que os fornecedores entregam. A equipe é pequena e tanto Ari, além de cozinhar, quanto Whitman, anotam os pedidos de bebidas, servem e retiram os pratos. Portanto, não espere um serviço estrelado, com garçons trocando taças e ao lado da mesa todo o tempo. Essa não é a proposta e não faz falta nenhuma. Pelo contrário, esse, digamos, ritmo mais lento entre um e outro prato faz com que a conversa flua mais, os pratos sejam degustados com calma e, assim, o comensal consiga perceber com mais sensibilidade o aroma e o sabor que saem de uma cozinha delicada. “Quero diversão também”, diz Kespers. “Não quero ser escravo, preciso ser feliz com aquilo que faço, conversar com as pessoas, ver as reações.”

Para o menu, o chef utiliza muita banana e alguns pratos, como o ravióli, que nunca saem do cardápio. “Fiz uma cozinha adaptada aos produtos que temos na região”, afirma. “Receitas com carne suína sempre estão presentes, já os de peixe não tenho nunca. Estou longe do mar, não adianta fazer uma cozinha sem constância, com produtos de difícil aquisição.” Ao desenhar esse seu dia a dia, além da referência materna, inspirou-se muito em uma das damas da culinária brasileira, a carioca Roberta Sudbrack. “Admiro muito a Roberta, vi-a apenas uma vez, mas sou fã, ela faz um trabalho muito inspirador, com ingredientes do dia, do mercado. Sempre quis que minha cozinha tivesse a cara da de casa. De memória, de aconchego. Tudo o que a gente cria precisa conter lembranças, um sentimento bacana. Fazemos um trabalho para fidelizar os clientes. A coisa precisa ser mais simpática. Enfim, para cozinhar a gente precisa estar feliz”, afirma ele, com um sorriso que lhe dá a certeza de que os objetivos estão sendo atingidos e de que a felicidade pode ser bem simples de ser alcançada, basta enxergar os detalhes.

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Chalés que abraçam 

São seis diferentes chalés, todos decorados com muito bom gosto, com peças de antiquários e roupas de cama que acolhem. O maior deles é o Cassis, com 130 metros quadrados e que fica no alto da pousada, com vista privilegiada para as montanhas. Equipada com hidromassagem redonda próxima à janela, sala de estar com grande lareira e duas varandas que ajudam a esquecer a vida. Depois vem a Cote D’Azur, com 98 metros quadrados. As demais, Arles, Marseille, St. Remy e Avignon, contam 45 metros quadrados, mas com o mesmo charme na decoração. Os valores das diárias variam de R$ 530 a R$ 890 (2ª/5ª) e de R$ 890 a R$ 1160 (6ª/dom), Incluídos café, chá da tarde, espumante e chocolate de boas-vindas. O menu-degustação sai por R$ 210, cinco etapas.

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