Prazeres da mesa

Reportagem, Vinhos

BRANCO ESPECIAL

Ao provar diferentes safras do Pizzato Legno Chardonnay, constatamos tratar-se realmente de um dos grandes vinhos brasileiros

Por: Prazeres Da Mesa | 16.feb.2017

 Por Marcel Miwa

Fotos Divulgação 

Pizzato 2015A Vinícola Pizzato se tornou conhecida por acertar em seus vinhos logo no lançamento. Assim aconteceu com o Merlot em 1999, quando decidiram deixar de ser fornecedores da Cooperativa Aurora e criar marca própria. O sucesso da cepa nas mãos dos Pizzato permitiu a subida de um degrau em 2005, quando lançaram o DNA 99, um 100% Merlot reconhecidamente entre os melhores tintos brasileiros. Nessa mesma safra, considerada uma das grandes da década, foi lançado também o primeiro Pizzato Chardonnay, que de cara também agradou bastante. Vale lembrar que a vinícola foi uma das primeiras no Brasil a adotar o sistema de espaldeira na condução da Chardonnay (no qual se formam fileiras e se permite melhor maturação dos cachos de uvas). Outro ponto favorável é que possuíam videiras que chegavam a 20 anos de idade, mas cujas uvas, até então, destinavam-se exclusivamente aos espumantes.

Com a boa condição climática de 2005, a Chardonnay chegou a 13,5% de álcool potencial e a ideia era desde logo fermentar o mosto em barricas de carvalho. No entanto, o investimento em barricas novas não era apropriado naquele momento e tampouco se poderia utilizar uma barrica usada na qual um tinto tivera estagiado. Seguindo a sina do Merlot, o Pizzato Chardonnay, sem madeira, foi muito bem recebido e elogiado. O plano para subir um degrau com a Chardonnay foi adiado até 2011, quando com estrutura adequada e com maior conhecimento da casta foi lançado o Pizzato Legno Chardonnay. Como protocolo-geral, os rendimentos foram baixados para 1,7 quilo de fruta por planta (versus 2 kg por planta do Chardonnay sem madeira), a fermentação se iniciava em tanques de aço inox e logo seguia para barricas de carvalho com tosta leve para terminar a fermentação alcoólica, fazer a malolática e estagiar o mínimo de oito meses com as borras finas.

Na companhia dos irmãos Jane e Flavio Pizzato, respectivamente responsável comercial e enólogo da vinícola, fomos conhecer a biografia completa do Chardonnay Legno.

"Antes cooperados da Aurora, os Pizzato decidiram apostar na qualidade e engarrafar os próprios vinhos em 1999

“Antes cooperados da Aurora, os Pizzato decidiram apostar na qualidade e engarrafar os próprios vinhos em 1999

Safra 2011

Avaliação: 89

Nessa primeira safra, as barricas eram novas e a decisão foi deixar o Chardonnay apenas oito meses em contato com a madeira. Logo que foi lançado no mercado as notas lácticas e abaunilhadas apareciam acima da fruta. Após esses anos em garrafa, o conjunto ganhou integração que impressiona. Casca de limão-siciliano, pera madura, sândalo e baunilha são os aromas dominantes e, na boca, recebem a companhia de ótima acidez e textura amanteigada. Final levemente defumado e com aroma de avelã. Íntegro e com capacidade de evoluir por mais alguns anos.

 Safra 2012

Avaliação: 88

Igual ao ano anterior, a Chardonnay estagiou por oito meses nas barricas, parte novas e parte com um ano de uso. A maior diferença está no perfil da fruta, mais madura e tropical.

Os cítricos estão em menor intensidade, com abacaxi e maçã caramelizada em primeiro plano. No final, o álcool se faz notar, com aromas de mel e amêndoa. Há frescor suficiente para não deixá-lo cansativo.

Safra 2013

Avaliação: 91

Um upgrade do estilo da safra 2011, com cítricos e fruta fresca (pera e nectarina) e madeira mais discreta (leve sândalo, marzipã e pão tostado), resultado de uma mudança no trabalho com as barricas. O período de estágio foi elevado para 11 meses, mas com maior participação de barricas usadas (1o, 2o e 3o uso). Textura elegantemente untuosa, álcool que mal se nota e bom frescor oferecem ótimo equilíbrio na boca. Deve ganhar maior integração dos aromas no decorrer dos próximos anos.

"A Chardonnay destinada ao Legno nasce de uma parcela do Vale dos Vinhedos, com solo pedregoso e inclinação e insolação mais intensas"

“A Chardonnay destinada ao Legno nasce de uma parcela do Vale dos Vinhedos, com solo pedregoso e inclinação e insolação mais intensas”

Safra 2014

Avaliação: 90

Em 2014, a Chardonnay se coloca na companhia da outra safra par, 2012, com fruta madura e tropical. Assim como na comparação entre 2011 e 2013, há um aprimoramento nessa safra mais recente. O aroma do carvalho em menor intensidade cede espaço para a fruta se mostrar com maior precisão: aromas de abacaxi, manga, massa amanteigada com amêndoa e baunilha dominam o nariz, com textura menos amanteigada, bom frescor e final levemente quente. Ótimo hoje e certamente ficará melhor com mais um ano em garrafa.

Safra 2015

Avaliação: 91

Provado em primeira mão, é a subida de mais um degrau em relação ao estilo do vinho. No nariz, ainda que jovem, está o cítrico que vem marcando os anos ímpares, com iogurte, maçã e abacaxi. Na boca, a textura mostra boa fluidez, sem excesso de untuosidade, mas com estrutura que mantém a intensidade do vinho até o final. A mudança mais perceptível está na acidez, que foi elevada e deixou o conjunto vibrante, limpo e com ótimo drinkability. Um futuro promissor para essa e as próximas safras.

vinhos Pizzato

Avaliações:

Excecional: de 94 a 100 pontos

Ótimo: de 88 a 93 pontos

Muito bom: de 83 a 87 pontos

Bom: de 78 a 82 pontos

Aceitável: de 71 a 77 pontos

Não recomendável: abaixo de 70 pontos

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