Prazeres da mesa

Reportagem

Ciclo inesgotável

Preocupada com o consumo sustentável, a Nespresso criou um sistema de reciclagem de cápsulas de café

Por: Prazeres Da Mesa | 3.apr.2018

Por Stephanie Vapsys

Fotos Ricardo D’Angelo

Franscisco Campiche, gerente Técnico e de Qualidade da Nespresso América Latina, criou um máquinario inédito de separação de materiais para o centro de reciclagem  no Brasil

Franscisco Campiche, gerente Técnico e de Qualidade da Nespresso América Latina, criou um máquinario inédito de separação de materiais para o centro de reciclagem no Brasil

Praticidade, agilidade e diversidade de sabores são algumas das qualidades que fizeram do café em cápsula um sucesso mundial. Quando a pioneira, Nespresso, desembarcou no Brasil há 11 anos, não imaginava que em pouco tempo sua máquina se tornaria peça obrigatória nos lares, escritórios e restaurantes. Porém, com o mercado em expansão, um problema começou a ser colocado em pauta: a questão da sustentabilidade. O que fazer com as cápsulas usadas?

Nos últimos anos, estudos e pesquisas tacharam as cápsulas de café de grandes vilãs ambientais. O assunto ganhou tal proporção que a cidade de Hamburgo, na Alemanha, criou uma lei no início de 2016 proibindo o uso de máquinas de café em cápsula nos prédios públicos por causar consumo desnecessário de recursos.

O que quase ninguém sabe é que, muito antes de o assunto virar tema de discussão, a Nespresso já previa o problema e, desde 1991, cinco anos depois de sua criação na Suíça, conta com um sistema de reciclagem de cápsulas. O grande diferencial da marca é o uso do alumínio como principal matéria-prima. “O alumínio, além de proteger os aromas e o sabor do café, é reciclável. Assim, podemos dar um destino tanto para ele quanto para o pó”, diz Claudia Leite, gerente de Coffee Affairs, da Nespresso.

Hoje, a empresa recicla 56% de sua capacidade global, mas a meta é chegar a 100%. Em 2014, a Nespresso lançou a campanha The Positive Cup, que propõe três compromissos para 2020: adquirir 100% de café sustentável, diminuir e neutralizar a emissão de carbono em 100% e retornar 100% do alumínio gasto.

 Reciclagem no Brasil 

Para conseguir cumprir as metas, um centro de reciclagem não deveria ser exclusividade da Europa. No Brasil, ele foi criado há seis anos, no Centro de Distribuição da Nespresso, em Barueri, na Grande São Paulo. “Tentamos criar logo quando viemos para cá, em 2006, mas não foi possível. Diferentemente de alguns países que recebem até incentivo do governo, aqui falta conscientização. Apenas 3% de todo o lixo produzido no Brasil é reciclado”, afirma Francisco Campiche, gerente técnico e de qualidade da Nespresso América Latina e idealizador do sistema inédito de separação de materiais do centro de reciclagem da Nespresso no Brasil.

Como sempre fez parte dos planos ter um centro de reciclagem no Brasil, as cápsulas são recolhidas pela empresa desde 2006 e ficaram guardadas em depósito até 2011, quando o projeto finalmente saiu do papel. Hoje, a Nespresso conta com três ações de recolhimento de cápsulas. Os pontos de coleta espalhados pelas lojas e butiques é o meio mais conhecido e usado pelos consumidores – são 32 distribuídos pelo Brasil. Em regiões de São Paulo e no Rio de Janeiro, a coleta também pode ser feita sem sair de casa. Ciclistas vão até o consumidor buscar as cápsulas usadas. Além disso, há também carros elétricos que fazem a coleta em empresas. “Existe uma preocupação para não cairmos em contradição. Não faria sentido buscar as cápsulas para reciclagem se gastássemos mais poluentes com o transporte”, diz Campiche.

Atualmente, todas as cápsulas que retornam são 100% reaproveitadas, e a Nespresso Brasil recicla cerca de 9% da linha doméstica e 10% da linha profissional. “Parece pouco comparado aos números de outros países, mas não se levarmos em conta o índice de reciclagem nacional”, afirma o gerente.

Todos os dias chegam bombonas com cápsulas ao centro de reciclagem. “Medimos quanto vem de cada ponto de coleta, assim podemos incentivar os lugares em que ela está fraca”, diz Campiche. Após a medição, as cápsulas vão para a máquina, na qual são retiradas as impurezas, ou seja, tudo o que não for café ou alumínio. O próximo passo é moer as cápsulas e depois separar o alumínio do café. O pó de café vai para a empresa Visafértil e vira adubo orgânico, e os restos de metal são enviados à empresa Suzaquim, onde são transformados novamente em alumínio. “É um ciclo que sempre se renova. O adubo pode ser usado para plantar café e o alumínio para fazer novas cápsulas”, diz Claudia Leite.

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*Matéria publicada na edição 168 de Prazeres da Mesa

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