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Cientista do hambúrguer

George Motz, um dos maiores especialistas da área, vive em busca da receita perfeita e aterrissou no Brasil para uma programação apetitosa

Por: Prazeres Da Mesa | 2.jan.2017

Por Beatriz Albertoni
Fotos divulgação

George Motz

Pão, carne e queijo. Um bom hambúrguer não precisa de ingredientes mirabolantes para fazer sucesso. É dessa filosofia que vive o americano George Motz, especialista no assunto há mais de 15 anos. Produtor do documentário Hamburger America, que conta a história de oito hamburguerias pelos Estados Unidos, George se tornou um expert por acidente. “Sou originalmente cineasta e realizei o filme por diversão. Estava procurando um tema para um documentário quando percebi que ninguém havia feito algo sobre hambúrgueres“, conta.

O sucesso da obra lançada em 2005 abriu espaço para que o americano publicasse um guia com 150 lugares para saborear um bom hambúrguer longe da rota dos fast foods. Com a imprensa sedenta por esses novos produtos e buscando por Motz como fonte para pautas sobre o quitute, ele acabou se tornando um dos maiores especialistas da área.

“Hoje o meu trabalho consiste em preservar o autêntico hambúrguer americano e os restaurantes tradicionais. E, com os livros e o documentário, fazer com que as pessoas conheçam e apreciem a comida”, afirma. Para ele, os pontos com mais de 100 anos de estrada são uma importante parte da história do país. “Eu sou a pessoa que dedicou seu tempo para estudar esses lugares com o objetivo de que as pessoas entendam a importância de defender esse nosso patrimônio.”

Mais do que símbolo, o hambúrguer americano é uma herança. Na década de 1920, quando tudo começou, o hambúrguer era feito para pessoas que não tinham condições de bancar uma boa refeição. Para baratear o custo, o hambúrguer era feito com sobras de diferentes carnes. “Até que alguém pensou que poderia fazer o mesmo, mas com ingredientes melhores e que qualquer um tivesse vontade de comer”, conta George. Para o expert, a empresa White Castel foi quem apertou o gatilho para a corrida do hambúrguer e adequou a iguaria nos moldes que conhecemos hoje. “Eu os considero os criadores do hambúrguer americano original. E eles ainda estão na ativa.”

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A fórmula para um bom hambúrguer, segundo Motz, não é nada de secreta. “Apenas ingredientes frescos e de qualidade. Sempre digo para as pessoas usarem um único tipo de carne. Se quiser fazer um blend, sem problemas, mas prefira o simples”, afirma. A simplicidade também é importante na composição e escolha dos insumos. “Não faz sentido aquele monte de recheio que a pessoa nem vai conseguir morder o lanche. Um bom hambúrguer às vezes nem precisa de queijo, apenas cebola e picles. E é melhor ter sete hambúrgueres pequenos do que um enorme.”

Por sua evidente experiência, o americano diariamente é questionado sobre qual o melhor hambúrguer dos Estados Unidos. “Há uns anos, dois rapazes brasileiros me mandaram um e-mail perguntando qual seria o melhor lugar para comer hambúrguer. Na época eu pensei: ‘OK, mais uma mensagem boba’ e respondi: ‘Oklahoma.’. Após um tempo recebi outro e-mail deles dizendo que amaram o lugar. Eles realmente me escutaram e foram até lá. Depois disso mantivemos contato por três anos”, conta.

A dupla brasileira apaixonada por burgers é Fabio e Marcos Fernandes, irmãos e sócios da hamburgueria The Burger Map, de Santo André. O convite para George visitar o Brasil foi concretizado em novembro de 2016, com uma programação especial em São Paulo. Além das aulas sobre hambúrguer, das palestras e da promoção do novo livro do especialista, a estada no país incluiu “dormir, beber, comer e tirar selfies”, como diz George, em tom de brincadeira.

“Sei que os brasileiros amam carne. E é um ótimo lugar para começar”, diz. A resposta foi positiva após provar o primeiro hambúrguer em terras tupiniquins. “É excelente. Eu amei essa maionese caseira de vocês, poderia comer de colher.”

Em uma das aulas, George ensinou a preparar um hambúrguer onde a cebola é colocada na chapa junto com a carne. “Normalmente as pessoas cozinham os dois ingredientes separados. Essa receita é ótima porque a cebola solta um líquido que deixa o hambúrguer ainda mais suculento”, afirma.

Já na palestra, o americano discutiu sobre a ciência por trás da razão de amarmos o hambúrguer. “Existem elementos em nosso cérebro que são ativados quando comemos o quitute e que fazem com que tenhamos vontade de comer ainda mais. Mas é tudo ciência. A verdade é que eu acho que amamos o hambúrguer porque não precisamos de muita coisa para ter um resultado incrível.”

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