Prazeres da mesa

A caminho da bonança

Por: Prazeres Da Mesa | 2.oct.2015

Como os setores que produzem, importam e vendem vinho deram um grande passo na conquista do jovem consumidor brasileiro

Passada a tempestade, vem a bonança! O velho e sábio ditado foi agora finalmente adotado por várias entidades de classe,  que, ao se unir, juntaram forças para conquistar o consumidor de vinhos no Brasil e fazer crescer o consumo interno. Há quatro anos falava-se que o país deveria adotar a “política de salvaguarda” para a bebida produzida por aqui. Após uma corrida louca, chegou-se a um denominador comum que tal atitude não interessaria a ninguém. Afinal, todos os envolvidos disputam o mesmo cliente que há décadas consome pifiamente 1,9 litro ao ano. Assim descobriu-se a roda: o negócio é incentivar o consumo, fazer crescer o bolo e, consequentemente, o tamanho das fatias.

O Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin), que representa nessa história os produtores pátrios, aliou-se à Associação Brasileira de Bebidas (Abrabe), à Associação Brasileira dos Exportadores e Importadores de Alimentos e Bebidas (Abba) e à Associação Brasileira de Supermercados (Abras) para, em conjunto, traçar um ousado plano de atingir o mais breve possível o nível de 2,5 litros de vinho ao ano de consumo per capita. É um grande desafio – afinal, serão mais 100 milhões de litros que o mercado deverá consumir, considerando-se os produzidos no Brasil e 
os importados.

O ponto fundamental para o sucesso desse projeto é o apoio incondicional dos supermercados, pois só eles são responsáveis por 70% de toda a venda. Assim, para motivar os mais de 80.000 estabelecimentos do ramo, pelos quais diariamente passam 40 milhões de pessoas, foi criada uma cartilha chamada Conhecendo os Vinhos do Brasil, para que sirva de instrumento no treinamento de funcionários. Além de descrever em detalhes cada região produtora, o material informa sobre a legislação, a história e dá conselhos úteis, que vão desde a seleção de produtos até a arrumação
das prateleiras.

Usando como exemplo o líder de vendas no país, o Grupo Pão de Açúcar, que desde 2000 investe forte nessa área, um ciclo de palestras por todo o Brasil teve início no começo de maio, em Porto Alegre, onde apresentei a tal receita de sucesso que queremos que a maioria copie. Também os supermercadistas são incentivados a criar parcerias com os produtores brasileiros, do menor ao maior, dando-lhes a oportunidade de expor seus produtos e
fornecer degustações.

Doravante, até o fim do ano, outras dez capitais do Brasil receberão essa iniciativa. Sabemos que, quanto mais consumidores tivermos, mais vinhos serão vendidos, assim temos de estar preparados para atender às constantes exigências desse mercado embrionário. Dificilmente chegaremos aos índices dos destilados – hoje, 10 litros per capita ao ano – ou de cerveja – 70 litros ao ano. Mas o vinho é a mais sociável das bebidas, além de ser um alimento, que só faz bem à saúde!

O profissional treinado, que atende em supermercado, vende com segurança, o cliente passa a confiar nas indicações e volta com mais frequência. Ser um bom vendedor de vinhos é mais importante que ser o líder de vendas de sabão em pó. O vinho agrega valor não só financeiro, mas qualifica o trabalho e, consequentemente, as vendas.

Carlos Cabral

*Estuda vinhos há 43 anos. É consultor e um apaixonado pelo tema

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