Prazeres da mesa

A maior feira da Itália

A Vinitaly mostra mais uma vez que é a maior vitrine para os vinhos italianos

Por: Prazeres Da Mesa | 8.jun.2009

(*) POR JORGE CARRARA

Mesmo sabendo do tamanho da Vinitaly, a maior feira de vinhos da Itália, fiquei surpreso ao receber o catálogo de expositores: um enorme tijolo de papel com mais de 4 centímetros de altura e cerca de 1,8 quilo. Mas o volume faz sentido. Afinal, mais de 4.000 produtores se reuniram nos 90.000 metros quadrados da Veronafiere, na cidade de Verona. Bons goles italianos não faltaram, tanto de conhecidos (que têm o importador indicado) como de outros produtores (apenas alguns entre os muitos destaques) que espero aportem por aqui – ou que possam ser conferidos por você em sua próxima expedição à Itália.

Lombardia
Menção aqui para os Franciacorta, especialidade borbulhante do lugar com exemplares como o Brut da Ferrari (rico no nariz e na boca, persistente, 90/100, Decanter), o Cuvée da Bellavista (brioche, fruta, bolhas finas, 90/100, Expand) ou o Ca’del Bosco Cuvée Prestige (frutado e intenso, 90/100, Mistral).

La Valle (www.vinilavalle.it)
Pequena cantina com goles de bom corpo – capazes de acompanhar uma refeição –, marcados por fruta limpa, como o Brut Regium (100% Chardonnay), unindo pinceladas minerais e de torrefação num paladar com boa textura (89/100) ou o Brut Rosé 2003 (35% Pinot Noir, 65% Chardonnay, 40 meses em contato com as leveduras), com perfume e sabor atraente de brioche e geleias (90/100).

Colline della Stella (www.collinedellastella.it)
A jovem empresa do igualmente jovem enólogo Andrea Arici começou a elaborar espumantes em 2002. Entre os provados, agradou o AndreArici Dosaggio Zero Rosé (100% Pinot Noir), que mescla tons cítricos e de frutas vermelhas, cremoso e persistente (90/100). Bom também o AndreArici Dosaggio Zero 2004, um Chardonnay, complexo, com toques cítricos e de pão fresco, longo e vivaz (91/100).
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Malacari (malacari@tin.it)
Elabora exclusivamente tintos de uvas Montepulciano, com boa estrutura e concentração como o Villa Malacari 2006, denso, unindo couro e groselhas num paladar com boa textura (89/100), ou o Grigiano 2006, com sabor marcado por framboesa, frutas confitadas e leve alcaçuz e embrulhado em taninos finos (90/100).

Sardenha
Antonella Ledà d’Ittiri (www.ledadittiri.it)
Minúscula vinícola com 7 hectares de vinhas. A própria Antonella cuida das vinhas e a filha, Annamaria, da cantina. Dela surgem tintos peculiares, sem passagem por madeira como o Ginjol 2007, um Merlot com 5% de Cabernet Franc, frutado, de bom corpo e taninos firmes (90/100) ou o Margalló, outro 2007, corte de Merlot, Sangiovese e Cabernet Franc, marcado por cassis e as mesmas ervas aromáticas – que, segundo Annamaria, são fruto da vegetação do lugar (90/100).

Masone Mannu (www.masonemannu.com)
Aqui as barricas têm seu lugar, ajudando a dar forma a rubros como o Entu 2007 um Cannonau-Carignan denso em boca, mas redondo com taninos finos e boa combinação de fruta (ameixa) e madeira (90/100) ou o Mannu 2006, corte de Cannonau, Carignan e Bovale Sarda, de sabor marcado por fruta e chocolate amargo, viscoso e aveludado em boca (92/100).

Toscana
Goles presentes no Brasil continuam brilhando, como a Felsina com um belo Fontalloro 2005, saboroso, com fruta e baunilha dominando o paladar (90/100) ou Fontodi com seu Flaccianello 2006, frutado, com toques de couro e tabaco (91/100, na Expand).

Castel Ruggero (www.castelruggero.it)
Impressiona bem desde os exemplares básicos (como o Chianti Classico 2006, um Sangiovese com 20% de Merlot, com frutas vermelhas marcando o sabor e taninos macios, 89/100) ao topo de linha, o Castel Ruggero 2006, um Merlot-Cabernet Sauvignon, frutado, intenso, agradável e com bom corpo (90/100).

Castello della Paneretta (www.paneretta.it)
Os seus vinhos encantam por ser elegantes em boca, sem a extração exagerada e a brutal dose de taninos cada vez mais frequente nos vinhos do planeta. Entre eles há Chianti Clássicos como o Riserva 2005, um Sangiovese-Canaiolo complexo, com especiaria, fruta e baunilha num paladar sedoso (90/100) ou o Torre a Destra 2004 (100% Sangiovese) com sabor delicioso que mistura leve torrefação com cacau e geleias (91/100).

Piemonte
Além dos monstros sagrados do lugar, como Aldo Conterno (da Cellar), com tremendos Barolo, a exemplo do Colonnello 2006, complexo, redondo e encorpado (92/100), vale mencionar um par de casas.

Revello (www.revellofratelli.com)
Com uma extensão de vinhas similar, a casa elabora também belos rubros como o Barbera Ciabot du Re 2006, sedutor na fruta, macio no paladar, persistente no final (90/100), ou o Barolo Rocche dell’Annunziata 2005, encorpado e um pouco tânico, mas potente, mesclando toques leves de fruta e toques de alcatrão (91/100).

Sottimano (www.sottimano.it)
Vinícola com 14 hectares de vinhas que produz cerca de 60.000 garrafas por ano. Um de seus destaques é o Pairolero 2007, um Barbera com 15 meses de barrica, frutado com pinceladas de cedro e baunilha, redondo e longo em boca (90/100). Outro, o Barbaresco Riserva 2004, estruturado, mas sem arestas, com deliciosos componentes minerais e de compotas no sabor, que perduram por bom tempo no paladar (92/100).

(*) Jorge Carrara é colunista de vinhos do jornal Folha de S. Paulo e do site Basilico

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*Escreve também para o site Basilico

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