Prazeres da mesa

Alimento infinito

Por: Prazeres Da Mesa | 15.mar.2017

Micróbio também é tecnologia e uma fonte infinita de nutrientes. Esta é a constatação de Elliot Roth, CEO da Spira, startup que produz spirulina, fungo que virou febre nos anos 1970 por suas propriedades medicinais. Endossada por outro panelista, o cientista Prateek Carg, CEO da startup Peer to Peer Probiotics, que pretende redesenhar a participação dos micróbios em alimentos fermentados e nossa percepção sobre eles.

Segundo a dupla, durante toda a vida o homem precisa comer o equivalente a oito elefantes. Será? Isso causa uma catástrofe em todo o mundo, porque não há alimento suficiente para tanta gente. Prateek Carg, defende que somos constituídos de 10% de células humanas, sendo que todas as outras basicamente são compostas de microrganismos que nos coabitam. Ou seja, somos mais micróbio do que gente!

Carg defende que a biologia sintética poderia ajudar muito no desenvolvimento de sistemas em que os micróbios pudessem ser adequadamente processados pelo nosso organismo. Nosso DNA sintetiza tudo o que comemos entre 20 e 30 componentes e os micróbios ainda teriam de ser “categorizados”dentro desta escala.

Vendido por 150 dólares pela startup Spira, este kit permite fabricação caseira de spirulina

Vendido por 150 dólares pela startup Spira, este kit permite fabricação caseira de spirulina

Outro grande desafio em tornar realidade a alimentação suplementar à base de micróbios são as legislações, muito diferente em cada país. Mas se você está torcendo o nariz, saiba que em termos de fermentados sua alimentação já inclui diversos bichinhos: tabasco, iogurte, molho de soja, chucrute, pão, creme de leite fresco, sour cream, molho de peixe, kefir, lassi, missô, tempeh (pão à base de sementes de soja branca), kombucha, kimchi, molho inglês…só para citar alguns deles. Elioth Rott afirmou que só as fibras não oferecem nutrientes suficientes. É preciso fazer a complementação e isso é totalmente possível com os micróbios, tendo em vista que a prática exige um espaço mínimo e somente a energia do sol.

Além disso tem um custo final bastante acessível, o que seria uma solução para a fome em muitos países e para se reduzir o desperdício mundial de alimentos, em torno de 40% de tudo o que se come. Melhor que a questão se resolva antes que tenhamos de comer qualquer coisa que venha pela frente, como no filme A Fantástica Fábrica de Chocolate, conforme exemplificaram os palestrantes.

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Marisa Furtado traz dicas, novidades e tendências de feiras e eventos que envolvam a gastronomia pelo mundo

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