Prazeres da mesa

Arca cheia de Novidades

Por: Prazeres Da Mesa | 26.jan.2017

*Por Flávia G. Pinho

Festival da Arca do Gosto 2016 ganha novo formato e amplia o repertório de ingredientes

O Festival Arca do Gosto cresceu, apareceu e está repleto de novidades. Programado para acontecer entre os dias 20 de outubro e 6 de novembro, em São Paulo, a edição 2016 terá a participação de 20 restaurantes e chefs que fazem parte da Aliança dos Cozinheiros, seis a mais do que no ano passado – entre eles, estão as chefs Heloísa Bacellar, do Lá da Venda; Bel Coelho, do Clandestino; Mara Salles, do Tordesilhas; Ana Soares, do Mesa III; Fabio Vieira, do Micaela; e Marcelo Corrêa Bastos, do Jiquitaia. A programação, bem mais ampla, agora vai além dos menus temáticos. Desta vez, os eventos também podem acontecer fora dos restaurantes e terão formatos variados – os profissionais foram desafiados a oferecer experiências completas, incluindo aulas, debates, expedições, tours, piqueniques e saraus.

O festival continua tendo como objetivo jogar luz sobre os ingredientes brasileiros da Arca do Gosto, catálogo mundial que salvaguarda mais de 3.500 alimentos ameaçados de extinção. Só no Brasil, são quase 100. Mas a Região Sudeste é a bola da vez – ingredientes de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo, muitos deles recém-incorporados à Arca, são o ponto de partida dos menus temáticos e das experiências. O objetivo é estabelecer vínculos fortes e duradouros entre os cozinheiros e os produtores mais próximos, para que se forme uma verdadeira rede de proteção em torno dos produtos ameaçados.

Segundo o italiano Carlo Petrini, presidente do Slow Food, produtores e cozinheiros constituem uma arma poderosa – desde que articulados. “Os produtos da Arca do Gosto representam a base da soberania alimentar do Brasil. Unidos, temos condições de ajudar a sustentar o trabalho dos agricultores e pescadores e fazer com que os jovens tenham orgulho desse patrimônio alimentar.”

Entre as novidades da região que entraram na Arca, há produtos bem famosos, como o queijo artesanal mineiro da Serra da Canastra e as ostras originárias de Cananeia, no Litoral Sul de São Paulo. A maioria, no entanto, causa surpresa até mesmo entre os profissionais de cozinha. Você pode conhecer alguns deles a seguir, mas não perca a chance de prová-los durante o festival – cada experiência custa 100 reais por pessoa e as vendas estão sendo realizadas on-line, no site foodpass.com.br.

Tesouros do Sudeste

Jaracatiá

Fruta típica da Mata Atlântica, ficou famosa em São Pedro, interior de São Paulo, na forma de doce em calda ou cristalizado. Com a expansão urbana e a morte das antigas doceiras, a tradição corre o risco de sumir.

Parmesão da Mantiqueira

Fabricado no Alto da Serra da Mantiqueira, conforme a receita do parmesão italiano, à base de leite cru, passa pela salmoura e adquire sabor salgado e picante. Pena que, pelo desinteresse das novas gerações, o número de queijeiros venha caindo.

Jatobá

Os frutos, que crescem dentro de grandes vagens de casca espessa, têm polpa adocicada que dá origem a uma saborosa farinha – o produto é usado no preparo de bolos, pães, biscoitos e mingaus. Corre o risco de desaparecer em razão da exploração predatória pela indústria da madeira e do carvão vegetal.

Dashicô

O produto, fabricado originalmente pela colônia japonesa que se instalou na Ilha Grande, litoral de Angra dos Reis, Rio de Janeiro, consiste em sardinhas cozidas, secas ao sol e defumadas, que os colonos esfarelavam para usá-las como tempero. Até 1990, a ilha chegou a ter 25 pequenas fábricas de beneficiamento de sardinha, mas hoje poucos descendentes mantêm a tradição.

 

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O movimento Slow Food faz manifestos pelo resgate de ingredientes e de processos de produção

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