Prazeres da mesa

Casamento perfeito

Além de moldar sozinha vinhos prazerosos, a Malbec também faz excelentes combinações com outras uvas

Por: Prazeres Da Mesa | 2.sep.2008

(*) POR JORGE CARRARA

É quase impossível pensar em grandes vinhos argentinos sem associá-los à uva Malbec. Não se pode negar que a cepa francesa tem-se adaptado à perfeição aos terrenos do nosso vizinho, sendo a fonte de alguns dos melhores goles rubros do Cone Sul. Mas no portfólio platino têm surgido ultimamente vinhos de corte – nos quais a Malbec às vezes domina, claro, ou é apenas um simples coadjuvante, ou mesmo nem aparece – que, sem dúvida, já formam parte do time de ponta do país, como os listados a seguir.

Huarpe Selección de Bodega 2004
Jovem adega fundada pelos irmãos Maximiliano e José Hernández Toso, membros da família que foi proprietária de Pascual Toso, uma das mais tradicionais adegas de Mendoza. José – que foi enólogo da Luigi Bosca – assina os vinhos da casa. O Selección de Bodega, atual topo de linha da vinícola, é um corte de Malbec (80%) e Cabernet Sauvignon, amadurecido durante 12 meses em barricas de carvalho francês. A madeira aparece logo no aroma (baunilha, coco), cedendo passagem à fruta que marca também o paladar, com taninos firmes – mas nada ásperos – que dão a esse vinho atraente bom corpo e estrutura (89/100, R$ 75, Expand).

Nieto Senetiner Occasionale 2003
Novo rótulo da Nieto Senetiner, outra tradicional adega de Mendoza, o Occasionale é elaborado (ocasionalmente) em colheitas de alta qualidade com variedades selecionadas pelo enólogo Roberto González, responsável pelos goles da empresa. Em sua primeira edição, a de 2003, ele nasceu de um assemblage um tanto raro: 34% de uvas Ancellotta, 33% de Syrah e outro tanto de Bonarda. Mas a fórmula (ajudada, muito provavelmente, por dois anos de estágio em carvalho francês) funcionou, dando um vinho denso, encorpado, prazeroso, com boa textura e conteúdo de fruta, mostrando leves pinceladas de chocolate no final longo (90/100, R$ 92, Casa Flora).

Mendel Unus 2004
Outra nova adega, que tem como um dos proprietários o enólogo Roberto de la Mota, renomado profissional argentino, ex-diretor das Bodegas Terrazas, do grupo Chandon. A casa elabora apenas dois vinhos um (belo) Malbec e o Unus, seu porta-bandeira, um corte de Malbec (70%) e de Cabernet Sauvignon. Na versão 2004, ele mostra aroma e sabor complexo e atraente (frutas vermelhas, violetas, cedro), paladar redondo, aveludado e elegante, que lembra um (bom) Bordeaux (91/100, R$ 160, Grand Cru).

Vistalba Corte A e Vistalba Corte B
Ambos da safra de 2004, de Carlos Pulenta. Inaugurada poucos anos atrás, a vinícola de Carlos Pulenta produz belos varietais e também uma pequena coleção de vinhos de corte. Nessa ala, um dos destaques é o Corte B, seu segundo vinho, uma combinação de uvas Malbec (57%), Cabernet Sauvignon (30%) e Merlot, com passagem por carvalho francês, marcado por frutas maduras, toques de especiaria, redondo em boca, com taninos finos, e frutas vermelhas dominando seu final (89/100, R$ 75). Melhor ainda é o topo de gama da adega, o Corte A, em que reaparecem a Malbec (40%) e a Cabernet Sauvignon (40%) junto à Bonarda, para dar forma a um vinho amplo, com um frutado floral sedutor dominando a cena, ao lado de pinceladas de chocolate e café que adicionam dimensão ao sabor (91/100, R$ 160, ambos na Grand Cru).

Expand, 11-3847-4747
Casa Flora, 11-3327-5199
Grand Cru, 11-3062-6388

(*) Jorge Carrara é colunista de vinhos do jornal Folha de S. Paulo e do site Basilico

jorge carrara_site

*Escreve também para o site Basilico

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