Prazeres da mesa

Champanhe sempre

A bebida das finas borbulhas é bem-vinda em qualquer tempo. Saboreie as últimas novidades do mercado.

Por: Prazeres Da Mesa | 11.mar.2009

(*) POR JORGE CARRARA

O elenco de borbulhas francesas presente no Brasil recebeu um novo aporte: os champanhes da Paul Bara e Pierre Gimonnet & Fils. As maisons têm pontos em comum e outros que, de certa forma, as colocam em cantos opostos. Mas isso não é nada que preocupe, muito pelo contrário. São precisamente essas diferenças que, felizmente, acabam dando forma aos variados estilos e à inigualável paleta de aromas e sabores que se encontram nos goles da região. No departamento das coincidências, ambas pertencem a antigas famílias de viticultores do lugar. As duas também fazem parte do Club Trésors de Champagne, uma entidade criada em 1971, que agrupa cerca de 25 dessas pequenas adegas. Em anos excepcionais, elas produzem um cuvée prestige com seus melhores vinhos: o “Special Club”, um champanhe que deve ter sido aprovado pelos membros do “Club”, tanto seu vinho-base como os goles finais, que têm de aguardar, como mínimo, três anos nas caves antes do dégorgement, etapas indispensáveis para sua chegada às prateleiras.

Na ala das divergências, a Paul Bara tem base em Bouzy, um dos destaques do Vallée de la Marne, importante área em que dominam as uvas tintas. Por isso, em seus vinhos (todos elaborados com uvas de vinhedos Grand Cru, a elite do lugar) predomina a estrutura da Pinot Noir. São vinhos como o Brut Réserve, base do portfólio da casa, um corte de Pinot Noir (80%) e de Chardonnay, que mescla maçãs e tons defumados, num paladar denso e vivaz (89/100, R$ 185).

Um degrau acima está o Millésime 2000, com uma dose maior de Pinot Noir (90%) escoltada também por Chardonnay. Este é um vinho mais encorpado, que combina componentes talvez exóticos para um Pinot (geleia de manga, maçã em calda), com outros clássicos (pão fresco), num paladar persistente (91/100, R$ 225). No topo está o Special Club 2002, outro exemplar com base de Pinot Noir, mas com maior presença da Chardonnay (34%), rico no nariz e em boca, com bom corpo e paladar cremoso que une brioche e frutas brancas e cítricas (grapefruit) num final longo (92/100, R$ 320). Já a Gimonnet, tem berço em Cuis, mais ao sul, na Côte des Blancs, reduto da Chardonnay, outra rainha daquelas bandas. Razão pela qual seus goles, todos Blanc de Blancs, puro Chardonnay, tendem mais para a elegância e a delicadeza, sem abrir mão, porém, da intensidade. Um bom exemplo disso é seu Brut 1er Cru, de corpo médio e aroma atraente e delicado, que reúne peras maduras e toques florais, num paladar com bom frescor (89/100, R$ 166).

O top da casa é também o Special Club, neste caso, um Chardonnay 1er Cru, da safra 1999, de bom corpo, marcado por mel, avelãs e pinceladas de torrefação, que, junto a leve fruta madura, dão forma a um paladar equilibrado e agradável, bem realçado pela acidez (91/100, R$ 240). Mas o destaque dessa primeira leva da Gimonnet é um membro da ala intermediária da casa, o Fleuron 2002, outro belo 1er Cru, mas da colheita 2002 (que, como o anterior, conta com vinhos de dois Grand Cru, Cramant e Chouilly). Ele se mostra sedutor tanto no aroma como no sabor, que une pão fresco, frutas brancas e suaves toques florais, que perduram durante longo tempo em boca (93/100, R$ 210, todos na Premium).

(*) Jorge Carrara é colunista de vinhos do jornal Folha de S. Paulo e do site Basilico

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*Escreve também para o site Basilico

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