Prazeres da mesa

Descubra a Rioja Alavesa

Pouco conhecidos no Brasil, os bons vinhos dessa região espanhola, que faz parte do País Basco, estão desembarcando por aqui

Por: Prazeres Da Mesa | 16.dec.2009

(*) POR JORGE CARRARA

A Rioja é uma das mais tradicionais e importantes regiões de vinhos finos da Espanha. Seus terrenos ocupam uma faixa encravada no centro-norte do país e estão subdivididos em três áreas. A Rioja Baja, com clima mais cálido, ocupa o extremo leste. A Rioja Alta, envolta num ambiente mais frio, o canto oposto. A Alavesa, com temperaturas intermediárias, fica ao norte delas, espremida entre ambas.

Das três, a Rioja Alavesa é a única que não faz parte da Comunidade Independente de La Rioja. Ela ocupa terras da Província de Alava – daí o nome – e por isso pertence ao País Basco. É também a menor (talvez por isso os seus vinhos sejam raros por aqui, abrigando apenas 20%, cerca de 13.000 hectares) dos vinhedos da região.

Nascem bons brancos por lá, mas os goles tintos, como no resto da Rioja, dominam a cena, sendo produzidos sob a mesma legislação. Há tintos jovens, ou do ano, sem madeira, frutados, para beber logo, e também Crianza, Reserva e Gran Reserva, de guarda, cujo envelhecimento antes da venda chega a até dois anos em barrica e três em garrafa.

O repertório de cepas é também similar. A Tempranillo, grande estrela ibérica, domina o panorama (cerca de 85% das vinhas) ao lado da Graciano, Mazuelo e Garnacha, tempero clássico nos cortes da região. Uma nova importadora dedicada aos goles hispânicos, a CultVinho, trouxe tintos de várias adegas alavesas, de safras consideradas excelentes (como a 2004) ou muito boas (de 2006 a 2008), que merecem ser conferidos, como os listados a seguir.

Casado Morales – Agradou no primeiro desembarque dessa vinícola familiar o Nobleza Dimidium 2007. Ele é um Tempranillo (com 10% de Graciano e seis meses em barrica) de corpo médio, macio, mesclando frutas vermelhas com tons de cedro e baunilha (88/100, R$ 64). Bom também o Crianza 2006, corte idêntico ao anterior (mas com 14 meses de carvalho), com boa presença de fruta que aparece unida a pinceladas de torrefação (89/100, R$ 78).

Luis Alegre – A casa tem cerca de 50 hectares de vinhas velhas, que dão origem a seus vinhos de ponta. Menção aqui para o Crianza 2006 (85% Tempranillo, 15% Graciano, Garnacha e Mazuelo), redondo, com fruta que lembra morango, tons de especiaria e chocolate (89/100, R$ 58, 500 ml). Melhor ainda o Selección Especial Reserva, outro Tempranillo (95%) e Graciano, com 14 meses de barrica, com sabor intenso e amplo (cerejas, leve tostado, tabaco), embrulhado numa textura fina (91/100, R$ 198).

Ostatu – Outra vinícola familiar, com 33 hectares de vinhas e uma linha consistente. Uma boa pedida é o Jovem 2008, um Tempranillo com frutas vermelhas mescladas a toques minerais, boa acidez e uma densidade em boca difícil de encontrar num vinho desse tipo (87/100, R$ 54). Um degrau acima está o Crianza 2006, com bom corpo e estrutura, paladar untuoso e frutado, complementado com toques de cacau (89/100, R$ 94). Mas o melhor entre os provados dessa adega foi o Reserva 2004, como o anterior, um Tempranillo (claro) com 10% de Graciano, amadurecido por 14 meses em carvalho francês, potente no aroma, viscoso no paladar, em que aparece fruta junto à baunilha e à especiaria da madeira, conjunto que domina um final longo (91/100, R$ 138).




(*) Jorge Carrara
é colunista de vinhos do jornal
Folha de S. Paulo e do site Basilico.

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*Escreve também para o site Basilico

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