Prazeres da mesa

Desembarques do  Novo Mundo

Por: Prazeres Da Mesa | 16.sep.2014

Chegam vinhos dos Estados Unidos e Nova Zelândia, países vinícolas com pouca presença no Brasil

Por Jorge Carrara

Em prateleiras bem sortidas como as nossas, dois players importantes, os Estados Unidos, quarto produtor mundial de vinho, dono de rubros do primeiro time, e a Nova Zelândia, berço de belos Sauvignon e Pinot Noir, ocupam mínimo espaço. As garrafas americanas não chegaram a 0,7% das importadas em 2013. As da Nova Zelândia, a apenas 0,11% do total. Bom ver quando esses dois minúsculos times ganham integrantes, como recentemente, em um par de desembarques. Nelas há boas opções e outras, não necessariamente pelos vinhos, nem tanto.

Coppola
Um deles trouxe os vinhos da Francis Ford Coppola Winery, do conhecido diretor de cinema, por trás de clássicos como Apocalypse Now ou a saga The Godfather. Na realidade, eles não são novos no país. Retornam com outra importadora depois de seu antigo representante fechar as portas. A Coppola tem sua base em Geyserville, em Sonoma, na Califórnia, nos terrenos da Château Souverain, adega que Coppola comprou em 2006. Quem modela seus vinhos é Corey Beck, que trabalhou no Château Montelena e, depois, na Inglenook, em Napa, lendária vinícola pioneira em goles finos na região (e também de Cop-pola desde 1975).

A casa volta ao Brasil com 12 exemplares de três linhas, vinhos limpos e corretos (todos foram provados), mas com performance modesta para os valores que se pedem por eles. Na entrada estão os Rosso & Bianco, um Chardonnay e um Shiraz, vendidos ao público na Coppola por 12 dólares ou cerca de 30 reais (os membros do clube da adega têm ainda um desconto adicional de quase 25% nos preços). O Shiraz, frutado, redondo e agradável (86/100), é o melhor, mas a 108 reais fica pouco (ou nada) atraente por aqui, ante similares sul-americanos (ou europeus) tão bons quanto e bem mais baratos.

O problema reaparece nos Diamond Collection (rótulo intermediário, seis tintos). O vinho de mais alto desempenho, o Red Blend 2010 (por volta de R$ 46, na vinícola), um Zinfandel-Syrah-Petit Verdot-Cabernet-Merlot (frutas vemelhas, pinceladas de madeira, 88/100), custa a bagatela de 178 reais.

Idem com os goles no topo, os Director’s Cut (quatro tintos). O Cinema 2010, destaque da ala, um Zinfandel-Cabernet que une frutas maduras, incenso e especiaria (89/100, R$ 93 lá), custa aqui 289 reais. Bem, para marcar o fim, cabe agora o tradicional Corta! (e muito aliás, os preços dos vinhos, para tentar devolver ao roteiro etílico do cineasta o apelo e atrativo original). Todos à venda na Ravin.

Brancott
A novidade da Nova Zelândia é a Brancott Estate, firma de Marlborough, no norte da Ilha Sul. A casa nasceu na década de 1970 formando parte da Montana Wines, companhia que chegou a ser uma das maiores exportadoras do arquipélago do Pacífico e acabou comprada primeiro pela Allied Domecq e, em 2005, pela Pernod Ricard, atual proprietária da Brancott.

No elenco de estreia há uma linha de entrada, a Brancott Estate, e outra num andar superior, a Letter Series. Em ambas merecem menção, claro, os Sauvignon Blanc e os Pinot Noir, nítidas especialidades daquelas bandas.

No canto dos Estate, o Sauvignon Blanc 2013 é intenso (maracujá, aspargos, limão-siciliano), com boa acidez e final levemente adocicado. O Pinot Noir, safra 2012 (quatro meses de estágio em inox e madeira), com certa cara de Borgonha, mostra aroma frutado típico com toques de cereja e leve couro que marcam o final (os dois 88/100, R$ 57,50).

Entre os Letter Series, está o “T”, um Pinot Noir 2012 amadurecido por dez meses em barricas francesas. Longo e com boa acidez, tem sabor dominado por frutas vermelhas bem temperadas por pitadas de cedro e especiaria (90/100, R$ 96,02). O “B”, outro 2012, é um Sauvignon Blanc fermentado em parte (7%) em cubas de carvalho que impressiona pela potência no nariz e na boca (frutas tropicais, tons verdes, cítricos e minerais) e o paladar vibrante e persistente (91/100, R$ 96,02). Casa Flora.

jorge carrara_site

*Escreve também para o site Basilico

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