Prazeres da mesa

Dez vencedores, e mais

Com regras ainda mais acuradas, o Top Ten da Expovinis revela os novos rótulos campeões – e outros que também merecem atenção

Por: | 17.dec.2012

Por Jorge Carrara*

A Expovinis continua marcando presença como uma das mais importantes feiras de vinho da América Latina. A edição 2012, a 16a do evento, contou também com o tradicional concurso Top Ten, que elege em dez categorias os melhores vinhos entre os que são apresentados pelos importadores e os produtores que participam da exposição.

Neste ano, a competição manteve alguns de seus protocolos e mudou outros visando a resultados ainda mais acurados. A avaliação das amostras, a cargo de um time de 12 jurados nacionais e estrangeiros, continua sendo às cegas (sabendo o tipo, mas não o vinho que está sendo degustado), com as notas registradas em tablets ligados em rede, o que permite apurar o resultado na hora.

Mas, desta vez, o jurado não provou todos os vinhos escolhendo o ganhador numa única rodada. Foi usado, salvo para um par de pequenos painéis, um esquema de filtro duplo. Os avaliadores, divididos em dois times, degustaram metade das amostras. Cada um dos grupos escolheu de duas a três delas para um tira-teima final no qual, aí, sim, todos os integrantes experimentaram os rótulos classificados, escolhendo o vencedor de cada categoria.

Houve também mudanças na ala de goles brancos, antes dividida  em Chardonnay, Sauvignon Blanc e outras cepas, e agora reagrupada em brancos nacionais, do Velho e do Novo Mundo, sem levar em conta as variedades. Dez vinhos, claro, levaram a taça para casa. Vitória merecida para esses, apresentados a seguir com outros que fizeram bonito e merecem menção.

ESPUMANTES NACIONAIS
As provas consagraram uma nova empresa gaúcha, com base em Caxias do Sul: a Quinta Don Bonifácio, com seu Habitat Brut, um Pinot Noir-Chardonnay rico, mesclando pão fresco com fruta, fino e elegante. Páreo duro para muitas borbulhas importadas, que se encontram por aí. quintadonbonifacio.com.br
Agradou também o Dom Cândido, outro Brut elaborado com uvas Chardonnay, um espumante de bom corpo, marcado por fruta e suaves tons tostados. domcandido.com.br

ESPUMANTES IMPORTADOS
O troféu foi para a Região da Champagne, berço no norte da França de divinos espumantes, como o Lanson Brut Rosé. O vinho, uma mescla de Pinot Noir, Chardonnay e Pinot Meunier, se mostrou amplo em boca (groselhas, tons cítricos e de brioche), vivaz, com boa acidez e persistência. Importado pela Barrinhas.
Mesmo com o sucesso gaulês, houve outro rosado Brut que chamou atenção: o Le Marchesine, oriundo de outro canto de renome no mundo das borbulhas, Franciacorta, na Lombardia, norte da Itália. Fruta e tons minerais se mesclam no aroma desse espumante de bom corpo, cremoso, com final agradável. Sicilianess.

BRANCOS NACIONAIS
Uma adega de Santa Catarina ficou na frente das do Rio Grande do Sul. O premiado foi o Maestrale Integrus 2008, da Sanjo, um Chardonnay fermentado e com estágio de 18 meses em barricas francesas novas, que mescla maçãs em calda com firmes pinceladas de madeira, num paladar com boa acidez. sanjo.com.br
Brilhou também um branco de perfil totalmente oposto ao do Maestrale, o Don Guerino Moscato Giallo 2012, da Casa Motter, uma pequena adega gaúcha de Alto Feliz, ao sul de Bento Gonçalves. Perfumado (rosas, leve lavanda, pera madura) e com boa acidez, agradou pelo frescor e pela limpeza na fruta que marca os brancos do enólogo da casa, Bruno Motter. donguerino.com.br

BRANCOS DO NOVO MUNDO
Painel minimalista que, por isso, tal como os espumantes importados, foi degustado à moda antiga, pelo júri completo e numa tacada só. Os Sauvignon Blanc roubaram claramente a cena. Ficou na ponta um representante do Chile, o Undurraga TH Lo Abarca 2011, do Vale de San António, ao oeste de Santiago, celeiro de belos vinhos da variedade. Intenso nos tons cítricos e de aspargos, persistente, outro dos ticos exemplares da serie Terroir Hunter,  talhada pelo enólogo Rafael Urrejola. Abflug.

Espaço também para outro 2011, mas sul-africano, o Spice Route, concentrado na fruta (maracujá, grapefruit) e nos toques de mel, de final longo. Ravin.

BRANCOS DO VELHO MUNDO
Os louros ficaram mais uma vez com a França, representada aqui pela Alsácia com o Trimbach Cuvée Frederic Émile, um Riesling 2004 complexo, rico nos tons minerais, muito característico e persistente. Zahil.

Parágrafo à parte para outro finalista, do Alentejo, canto do sul de Portugal com brancos em alta: o Terras d’Alter Anta-Alta 2010, um Viognier de bom corpo e acidez, combinando fruta com suaves toques tostados, saboroso e com belo final. Grenache.

ROSADOS
Um veterano líder da categoria ganhou novamente neste ano, o Château de Pourcieux, da Provence, sul da França. Ele mereceu. O corte de uvas Grenache, Syrah e Cinsault mostrou mais uma vez em sua versão 2011 o perfil alegre, intenso nas frutas e vivaz que o levou ao triunfo em anos anteriores. Divinum.

TINTOS NACIONAIS
A história dos brancos nacionais se repetiu na ala rubra. O galardão não foi para o Rio Grande do Sul, tradicional polo produtor, mas para uma das áreas emergentes na viticultura do país, o Vale do Rio São Francisco, com o Testardi Syrah 2010, lançamento da Fazenda Ouro Verde, empreendimento da Miolo, na Bahia. Um tinto elaborado por vinificação integral (fermentação e amadurecimento em barricas), expressivo na fruta, com paladar atraente, sedoso e persistente. Miolo.

Outro destaque foi o Leopoldo Cabernet Sauvignon-Merlot 2007, da Santo Emilio, de Santa Catarina (casa com bons espumantes). Tinto gostoso, marcado por frutas e tons de torrefação, muito equilibrado. Santo Emilio.

TINTOS DO NOVO MUNDO
Em meio a um bom número de concorrentes do Cone Sul, quem recebeu a bandeirada foi um competidor da África do sul, o Bellingham The Bernard Series Small Barrel S.M.V. (Syrah, Mourvèdre, Viognier) 2010. Denso, com boa textura, intenso nas frutas vermelhas e nas pinceladas de cedro, baunilha e especiaria.
Atrás dele… outro Bellingham, o The Bernard Series Bush Vine Pinotage 2010, bem estruturado, com boa textura e fruta concentrada bem temperada por madeira. Ambos da Expand.

TINTOS DO VELHO MUNDO
Os goles lusos dominaram a final. Venceu o Alentejo, com o Casa de Santa Vitoria, um Touriga Nacional 2008 dominado pela fruta incomparável dessa fantástica cepa portuguesa, de paladar untuoso e final longo. Vila de Arouca.

Muito bom também o Syrah 2008 da Cooperativa de Pegões, um tinto de Terras do Sado, a leste de Lisboa, de paladar amplo, muito frutado e atraente, modelado pelo renomado enólogo Jaime Quendera. cooppegoes.pt

DOCES E FORTIFICADOS
Dentro de um maravilhoso caleidoscópio de sabores, um vinho da Madeira fez jus ao troféu, o Henriques & Henriques Medium Rich Single Harvest 1998, um vinho multidimensional (frutas amarelas e secas, geleias, especiarias), hedônico e sedutor. Zahil.

Outro Madeira, Justino’s Verdelho 10 Years Old (Porto a Porto), mais encorpado, dominado por frutas secas, cobertas por um verniz de abricó e caramelo, cruzou a linha de chegada em segundo lugar, encerrando com chave de ouro os dois deliciosos dias da maratona etílica Top Ten 2012.

* Jorge Carrara escreve também para o site Basilico.

jorge carrara_site

*Escreve também para o site Basilico

Colunas recentes

Colunas