Prazeres da mesa

Elegância no Dão

A região portuguesa está cada vez mais marcada pela produção de vinhos complexos e finos

Por: Prazeres Da Mesa | 16.jun.2010

Salve o Dão. Os vinhos da região do centro-norte de Portugal chamam cada vez mais atenção. Seu solo de granito e xisto – coberto de belas florestas – tem sido o berço de um número crescente de vinhos elegantes e sedutores, até com certa cara de Borgonha, alguns entre os melhores da terrinha. Os exemplares daquelas bandas já ocuparam espaço nesta coluna (como os da Quinta da Pellada, de Álvaro de Castro, que continuam ótimos). Voltam agora, após minha última visita, com os goles de duas casas de ponta da região: a Quinta dos Carvalhais e a Quinta dos Roques (os vinhos disponíveis no Brasil têm o preço indicado).

A Quinta dos Carvalhais pertence desde 1988 à Sogrape, um dos maiores produtores lusos. A propriedade tem hoje 50 hectares de vinhas e abriga a vinícola, construída em 1990. O experiente Manuel Vieira, um dos grandes nomes da enologia lusa, comanda o time que assina os vinhos (importados pela Zahil), como os comentados a seguir.

Encruzado 2008 – A grande cepa branca da região, a Encruzado, aparece junto à Verdelho (15%) nesse vinho fermentado em barricas de carvalho francês, de paladar untuoso e vivaz, com notas cítricas bem integradas com madeira, que perduram num final longo (90/100).

Único 2005 – No ícone da casa predomina outra estrela do Dão (e do país), a Touriga Nacional. O Único parece ser a exceção que confirma a regra. Nada de Borgonha aqui. Ele é puro Novo Mundo. Rico, potente e denso, mostra ameixas pretas maduras e especiaria dominando um paladar estruturado, com estilo arrasa-quarteirão – e preço idem (92/100, R$ 525).

Rosé Reserva Brut 2005 – O espumante (categoria na qual os portugueses estão criando vinhos de tirar o chapéu) foi uma das surpresas da viagem. Corte de Touriga Nacional (65%) e Encruzado, combina fruta, pão fresco e toques de brioche, num paladar com boa acidez, amplo, cremoso e persistente (91/100).

Já a Quinta dos Roques (Decanter) é uma propriedade familiar. As uvas usadas nos vinhos (cerca de 150.000 litros por ano) vêm de duas propriedades: a Quinta dos Roques (40 hectares de vinhas) e a Quinta dos Maias (com 25). Um dos pontos importantes do portfólio da casa – sob a responsabilidade do enólogo Rui Reguinga – é manter qualidade consistente, desde a linha básica (os Quinta do Correio que também vale a pena conferir) até os topos de gama. Abaixo, os destaques provados.

Encruzado 2008 – Outro branco que pede um bacalhau. Equilibrado mostra pinceladas bem dosadas de madeira sobre um núcleo frutado, com toques cítricos e de pera, dentro de um paladar longo, sustentado por boa acidez (90/100, R$ 94,85).

Reserva 2006 – Couro e baunilha, temperam um sabor dominado por frutas vermelhas e rodeado de taninos finos, que conferem bela textura a esse rubro complexo e intenso. Elaborado com uvas Touriga Nacional (50%), Alfrocheiro, Jaen, Tinta Cão e Roriz, passou 12 meses em barricas de carvalho francês (92/100).

Touriga Nacional 2007 – Com passagem mais prolongada por barricas francesas (15 meses), não perde do anterior em intensidade. Ameixas pretas maduras combinadas com toques florais, que lembram violetas, marcam seu paladar untuoso e sedoso, com taninos doces (92/100, R$ 149,20).

jorge carrara_site

*Escreve também para o site Basilico

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