Prazeres da mesa

Feito para o Brasil

Por: Prazeres Da Mesa | 3.mar.2016

Chegou o vinho do Porto Ceremony, elaborado pelo jovem enólogo Pedro Sá com exclusividade para o mercado brasileiro

O jovem enólogo português Pedro Sá, natural de Riba de Ave, Conselho de Vila Nova de Famalicão, no caminho entre a Cidade do Porto e o Douro vinícola, assina uma nova marca que nasce na Quinta da Vista Alegre. Esta quinta localiza-se entre o Rio Pinhão e Covas do Douro, tem uma área de cinco hectares cultivados com vinhas antigas, onde se encontram parcelas com 80 anos de cultivo e sua classificação qualitativa A – portanto, tem o que há de melhor para elaborar vinhos, seja do Porto, seja maduro.

A marca Ceremony foi criada exclusivamente para o mercado brasileiro (importado pela Adega Alentejana). Pedro Sá, que já havia trabalhado em outras casas de vinho do Porto, e mais recentemente era o enólogo chefe da Sogevinus, que congrega as marcas Cálem, Burmester, Barros e Kopke, jogou toda a sua experiência nesse projeto e, com muito entusiasmo, faz brilhar os olhos quando se refere a estes novos vinhos.

É extremamente compreensível essa euforia. Trata-se de um trabalho que todo enólogo deseja na vida. Fazer um vinho de raiz, impor-lhe sua personalidade e correr o mundo mostrando sua obra-mestra. Com a experiência de anos acumulada, Pedro soube manter a qualidade de séculos das antigas marcas com que trabalhara, afinal, teve a honra de colocar no mercado diversos vinhos novos, além de cuidar com a responsabilidade que merece da marca mais antiga de vinho do Porto, a Kopke, que data de 1638.

Com o Porto Ceremony, ele inicia uma inédita fase de sua vida e apresenta ao mercado uma coleção de vinhos como Porto branco, aqui em duas categorias, um Extra Dry com zero de açúcar e o outro White com até 20 graus de açúcar. Esses rótulos jovens e frescos são ideais para a elaboração do já famoso Porto de verão, quando uma boa dose dessa bebida recebe muito gelo e adição de tônica e suco de fruta. Hoje, o Porto de verão é a grande opção para quem gosta de abrir e encerrar uma refeição só tomando vinhos.

Na categoria dos tintos, destacam-se um Vintage 2008 e um LBV, ambos ricos em aromas a frutas maduras e uma cor tinta carregada, quase negra, graças à presença da Sousão, a mais conhecida uva tintureira de Portugal. Como se trata de vinhos de guarda, ambos não são filtrados, necessitam ser decantados na hora do serviço. Completa esta linha um Porto Ruby jovem com idade média de quatro anos.

Na categoria Tawny, além do vinho corrente com mais de cinco anos de barrica, destacam-se os Portos 10 e 20 anos. Aqui Pedro Sá esbanja sabedoria. Sabe-se bem que é na hora de preparar o blend desses vinhos que o enólogo revela parte de seus segredos. Estes Tawnys têm aromas a frutos secos, um pouco de baunilha e uma doçura que não enjoa. As cores de ambos são inebriantes aos olhos, pois há um brilho intenso.

Antes de compor esta obra, Pedro Sá recebeu em 2009, com apenas 32 anos, o título de Enólogo do Ano da Revista de Vinhos, a mais prestigiada publicação sobre o tema de Portugal. O tempo é o grande professor do vinho do Porto, então podemos esperar mais agradáveis novidades que serão da lavra deste competente profissional, que costuma afirmar com muita segurança: “cada vinho é uma história!”. Ele tem razão.

Carlos Cabral

*Estuda vinhos há 43 anos. É consultor e um apaixonado pelo tema

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