Prazeres da mesa

Garimpando bons goles

Por: Prazeres Da Mesa | 16.mar.2016

Mesmo com a alta de preços, ainda é possível encontrar bons vinhos que não façam doer muito o bolso

Como era de se imaginar, a forte tempestade que se abate sobre a economia (e a política) do país, continua afetando o mundo do vinho. Com o dólar orbitando em torno dos 4 reais (e o euro igualmente nas alturas), boa parte das importadoras reajustaram seus preços no decorrer do ano. Mesmo nesse clima nada favorável para o bolso dos mortais, ainda podem ser encontrados bons vinhos que não ultrapassem em muito os 40 dólares, por volta de 160 reais na atualidade (ou apenas, saudades, o equivalente a 100 reais um ano atrás).

Entre os de hoje, há até um grupo de rubros espanhóis que custam perto (ou até muito menos) da metade, goles não apenas de áreas emergentes como La Mancha e Jumilla, mas também de regiões com tradição na arena dos vinhos finos, como Toro ou Rioja.

Portugal

Quinta do Ameal (Minho)

Pedro Araújo, proprietário e winemaker (com consultoria do craque luso Anselmo Mendes) apresentou recentemente em São Paulo 0s brancos da casa, que foram relançados por seu novo importador. A Quinta, no Vale do Rio Lima, 80 quilômetros ao norte da cidade do Porto, no extremo noroeste da terrinha, possui cerca de 12 hectares de vinhas, onde predomina a uva Loureiro, destaque do lugar.

Quinta do Ameal Loureiro Clássico 2014 – Elaborado sem contato com madeira. Intenso no aroma, mescla tons frutado-florais com pinceladas minerais que lhe dão complexidade. O conjunto aparece também em boca moldando um paladar complexo, longo e vivaz (avaliação 90 pontos em 100, R$ 117). À venda, em caixas com 6 unidades, na Qualimpor.

Itália

Rivetto (Piemonte)

Adega secular (nasceu em 1902). Tem no comando Enrico Rivetto, quarta geração da família fundadora, responsável também pela modelagem dos vinhos. O enólogo tem no portfólio bons (e caros) Nebbiolo, grande diva daquele canto do norte italiano, mas manda ver bem também com a Barbera, outra estrela piemontesa.

Nemes Barbera d´Alba 2012 – Barbera 100 %, vinificado em tanques de inox com estágio em barris de carvalho de 3.00 litros. Frutas vermelhas, toques de tabaco e especiaria aparecem no aroma e também no paladar. Um tinto redondo, encorpado, com boa acidez (típica da variedade) e persistência (91/100, R$ 152,80). Cantu.

Espanha

Bodegas Alceño (Jumilla)

A casa, cujas origens se remontam ao século XIX, levanta a bandeira de ser a primeira vinícola comercial desta região do Sudeste espanhol. Entre os provados, sobressaiu um tinto.

Romeo Monastrell 2014 – Um varietal de uvas Monastrell (a Mourvèdre do sul da França), sem tempero de madeira. A fruta (framboesa, groselha) domina o paladar deste rubro de corpo médio, taninos finos, saboroso, boa pedida para frios e queijos leves (87/100, R$ 40).

Bodegas Liberalia (Toro)

A empresa do centro-oeste da Espanha é relativamente nova. Estreou na safra 2000. Tem como patrimônio, porém, vinhas velhas, algumas com 100 anos de idade.

Enebral 2010 – Puro Tempranillo (ou Tinta de Toro, como a cepa é chamada na região). Amadureceu por cerca de um ano em barricas de carvalho. Mostra boa estrutura que sustenta um paladar equilibrado, amplo (cerejas, baunilha, leve tostado) e com bom final (90/100, R$ 80). Ambos na Cantu.

Pinuaga (La Mancha)

Encravada na província de Toledo, ao Sul de Madrid, no coração da Península Ibérica e numa das mais extensas áreas de vinha da Espanha (e do planeta), a vinícola foi fundada nos anos 1960 por Valentin Pinuaga Salazar. Seus descendentes continuam pilotando a adega, que prima pelos tintos.

Finca Salazar 2014 – Outro Tempranillo jovem, sem passagem por madeira. Como o anterior, pura fruta (framboesa, groselhas). Redondo e equilibrado, ele é um tinto gostoso e persistente que se bebe fácil. (88/100, R$ 38).

Heredad de Baroja (Rioja)

Baroja é relativamente nova para esta terra de grandes ícones espanhóis: tem cerca de 40 anos de vida. Tem também bons rubros a base, claro, de Tempranillo, carro-chefe da área e de grande parte das províncias vinícolas do país.

Crianza 2010 – Passou 12 meses em barricas de carvalho americano. Rico em boca, mescla frutas vermelhas com pinceladas de baunilha e especiaria. Macio, mostra boa densidade em boca e final frutado longo (90/100, R$ 74,90). Os dois últimos a venda no Empório Santa Maria.

Chile

Ventolera (Leyda)

Vicente Izquierdo Menéndez foi um dos pioneiros (no fim dos anos 90) no plantio de parreiras em Leyda, área costeira ao oeste de Santiago  especial para cepas brancas e tintas que gostam de climas frios do estilo da Sauvignon Blanc e a Pinot Noir. Como tantos outros viticultores no Chile (e no resto do mundo), Izquierdo começou vendendo suas uvas para terceiros, até que decidiu lançar os próprios vinhos. A primeira safra foi 2005. Os goles da Ventolera são assinados por Stefano Gandolini, enólogo chileno que já trabalhou na Santa Rita, no Chile, e na Doña Paula, na Argentina.

Litoral Sauvignon Blanc 2013 – Combina componentes minerais com pinceladas verdes (suaves aspargos, leve arruda) de frutas cítricas e de mel. Mostra boa acidez, equilíbrio e sabor que perdura por bom tempo em boca (90/100, R$ 74).

Litoral Pinot Noir 2012 – O aroma exibe boas características da variedade. A tipicidade se mantém no paladar rico que une cerejas, geleias, suave canela e tons oriundos da madeira (cerca de oito meses em carvalho francês) que marcam um final longo (90/100, R$95). Importados pela Wine & Co., à venda na Dom Castilho.

jorge carrara_site

*Escreve também para o site Basilico

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