Prazeres da mesa

Goleadas nacionais

Por: Prazeres Da Mesa | 3.aug.2016

Degustação com 27 amostras afirma o bom momento da produção de vinhos brancos no Brasil

A Confraria dos Sommeliers (que desde 1999 reúne profissionais de São Paulo para degustar, às cegas, amostras de vinhos selecionados de acordo com o previamente definido) esteve mais uma vez reunida no Gioia Caffè (Rua Frei Caneca, 1071, na capital paulista), para provar brancos brasileiros. O momento é muito bom devido à alta do câmbio e o branco parece voltar às taças. Não custa lembrar que o Brasil já consumiu 80% de vinho branco, há alguma décadas atrás.

É um desafio para o vinho nacional estar nas cartas dos restaurantes, sendo que, em minha opinião, deveriam ter uma página dedicada só a eles. Há tanta coisa boa a oferecer! Depois, há o desafio de superar o preconceito. Brasileiro acha que o que é de fora é melhor, não só o consumidor, o produtor também, pois muitos procuram fazer um vinho com sotaque internacional. Entretanto, com o tempo isso passa, e vinhos com personalidade e respeito ao sotaque próprio cada vez são em maior número. Sem falar nos consumidores, que deixam de ser tontos e começam a respeitar com sinceridade bons vinhos brasileiros. O câmbio vai acelerar muito isso!

Mas falando da prova, foi interessante degustar 27 amostras de brancos e não encontrar nenhum desagradável, fraco ou ruim. Até havia um ou outro mais simples, com pouca acidez, etc., mas ruim não tinha nenhum -inclusive um de uva Lorena foi bem pontuado. Havia mesmo ótimos vinhos e os preferidos dos profissionais, pela ordem, foram: Villa Francioni Sauvignon Blanc 2014; Aurora Reserva Chardonnay 2014; Chardonnay Lounge D’Alture 2013; Viapiana Green 2014; e Giaretta Chardonnay 2014.

Entre as 27 amostras incluí, por minha conta, uma vertical de oito garrafas do Chardonnay Reserva Venturini, único vinho brasileiro a estar presente com oito safras consecutivas: 2007/8/9/10/11/12/13 e 2014, finalista na Avaliação Nacional de Vinhos. Feito raro. Foi um espetáculo à parte ver a admiração dos sommeliers com a qualidade do elegante Chardonnay e o espanto ao saber que custa para o consumidor final 49 reais. A safra preferida foi a de 2008 que, se computada a classificação geral, teria ficado em segundo lugar.

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*É fundador da Confraria dos Sommeliers

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