Prazeres da mesa

Invista na apresentação do menu

Por: Prazeres Da Mesa | 9.dec.2016

O restaurante não tem vendido os melhores pratos? Talvez alguém não esteja cumprindo direito seu papel: o cardápio

Um dos meus primeiros trabalhos como designer foi renovar o cardápio de um extinto restaurante de comida asiática em Moema. Lembro-me de ter ficado impressionado com o visual rebuscado da carta, onde mal conseguia me situar, fato agravado pelos nomes esquisitos e pouco comuns naquela época. Minha primeira preocupação foi a de “limpar” tudo aquilo – e assim o fiz. O dono não gostou, o projeto rodou, o restaurante fechou, mas sobrevivi para contar que sigo tentando desvendar os preceitos do cardápio eficiente – e bolei até uma cartilha. Vem comigo.

Regras de ouro na elaboração de um cardápio.

• Ninguém gosta de cardápios gigantescos, exceto da carta de vinhos. Portanto, limite o número de pratos por categoria. Quanto maior o número de itens, maior a dúvida para escolher o prato, o que muitas vezes faz com que o cliente peça um prato já conhecido. É a indecisão que gera a ansiedade e que leva ao estresse!

• Para restaurantes mais informais, imagens bem-tratadas e “limpas” estimulam o cliente na hora da decisão. Menus em tablets oferecem imagens brilhantes e apetitosas, e em alguns casos possibilitam até o envio do pedido. A novidade fica também por conta das imagens em movimento, recurso já utilizado nos painéis das cadeias de fast-food. É a fast hipnose!

• Os preços: se não temos como baixá-los, melhor reduzi-los – ainda que apenas no tamanho das letras. Tirar o símbolo do real (R$) deixa o visual mais leve, o que pode ser melhorado eliminando-se os decimais. A menos que você ainda use aquela manjada tática dos 99 centavos.

• Incluir um prato caro logo no começo do menu é outro recurso (arriscado) que faz os valores seguintes parecer menores; mas pode também levar o cliente a desistir, se for um valor abusivo.

• Já que falamos em fontes, aproveite para utilizar um tipo mais fino (light) nos preços; deixe os negritos para os marcadores de categoria ou para algum aviso importante e vantajoso para o cliente, como novidades e menus promocionais. Aumente o tamanho das letras. Um cardápio fofo com fontes rebuscadas e diminutas pode ser o obstáculo entre o prato ideal e a escolha do cliente.

• Reserve o canto superior direito do cardápio para os itens que deseja destacar. É onde sempre olhamos primeiro, seja em uma revista, seja no jornal ou até na tela do computador. Quem diz é o “eye tracking”, ferramenta de medida que explica até por que um anúncio nessa posição no jornal é mais caro. É nosso olho!

• Cores também são importantes, claro. Elas devem respeitar o projeto do restaurante, o logotipo e seu estilo. Você não precisa usar vermelho, cor conhecida por estimular o apetite, no cardápio todo. Mas tons quentes, como a combinação de cinza com vermelho ou laranja, e alto contraste, como o preto e o branco, podem dar bom resultado, além de facilitar a leitura.

• Detalhar pratos nos títulos pode ser interessante, pois estimula o apetite do cliente. Mas cuidado para não exagerar e transformar a lista de pratos em uma sequência interminável de ingredientes. Melhor criar uma linha fina com a descrição na linha logo abaixo do nome do prato.

• Valorizar receitas de família utilizando nomes como “pudim da vovó” pode estimular vínculos emocionais entre o cliente e o produto. Mas cuidado para não exagerar e encher o menu com clichês do tipo “da nossa horta”, “direto da fazenda” ou “do pequeno produtor”. Está na moda, mas não deve forçar.

• Cardápios bilíngues são importantes, caso seu restaurante receba muitos turistas. E o cardápio em braile é lei, em vigor desde 2013.

• Lembre-se de que o cardápio é feito para fisgar o consumidor, e não para polir o seu ego. 

Em tempo: incluir a @ do restaurante no rodapé ajuda na divulgação. Afinal, quem não gosta de postar fotos de pratos bonitos?  E você ainda ganha pontos se disponibilizar a senha do wi-fi. Uma gentileza muito bem-vinda em tempos de “digital influencers”.

Marcelo Katsukijpg

*É blogueiro (comesebebes.com.br) e passa metade do dia pensando em comida. Na outra metade, ele sonha

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