Prazeres da mesa

ITÁLIA, DE NORTE A SUL

Por: Prazeres Da Mesa | 7.jul.2014

Espumantes e tintos robustos de qualidade mostram a diversidade do país

Por Jorge Carrara*

Vêneto e Puglia. Norte e sul. Distantes e distintas. De um lado a ondulada beleza da região de Conegliano-Valdobbiadene, terra dos Prosecco Superiore, espumantes leves e frutados. Do outro, as cálidas planícies (com o horizonte lá longe sempre à vista) que formam o salto do País da Bota com seus tintos robustos. Essa deliciosa diversidade de goles e paisagens marcou o início e o final do meu último giro pela Itália.

Vêneto – Masottina
Criada em 2009, a região demarcada de Conegliano-Valdobbiadene, a 50 quilômetros ao norte de Veneza, no Vêneto, e berço de alguns dos melhores Prosecco, conhecidos espumantes italianos. São cerca de 6.000 hectares de vinhas plantadas num lindíssimo emaranhado verde de vales e colinas, entre as cidades de Conegliano, no leste, e Valdobbiadene, no oeste. A produção está regida pelas regras da denominação de origem controlada e garantida (DOCG), as mais rigorosas do país. No topo da hierarquia militam os vinhos oriundos de Cartizze, o Grand Cru do lugar, 107 hectares de vinhedos vizinhos a Valdobbiadene. A seguir, os Rive, goles de vinhas exclusivamente de encosta, com uvas colhidas manualmente e indicação de safra. Na base da pirâmide, os DOCG genéricos, fruto do resto das parreiras do lugar. A cepa obrigatória é a Glera (ex-Prosecco) num mínimo de 85%. Os vinhos ganham as borbulhas por uma segunda fermentação em tanques, sistema similar ao Charmat, mas que lá, é chamado de método Martinotti (por Federico Martinotti, técnico da Estação de Enologia de Asti, no Piemonte, que o teria inventado em 1895). A Masottina, com base em Conegliano, pertence à família del Bianco. Adriano del Bianco, um dos três irmãos no comando, é também o enólogo responsável pelos vinhos da casa, 80% deles espumantes (por volta de 800.000 garrafas por ano), que surgem de 70 hectares de vinhas próprias e outras 60 arrendadas. Dois brilharam no copo.

Conegliano Valdobbiadenne Prosecco Superiore Brut – 100% Glera
Vinho de aroma intenso frutado, em que aparecem frutas como a maçã verde, suave pera e toques florais. Vivaz, tem corpo médio e bolhas finas que lhe conferem boa textura. (89/100, R$ 99). Le Rive di Ogliano Conegliano Valdobbiadene Prosecco Superiore Extra Dry 2012 – Um “Rive” oriundo da comuna de Conegliano. Frutas e flores brancas dominam um paladar rico, com mais açúcar que o anterior (16 g/l), mas equilibrado por uma boa acidez. Tem paladar longo e cremoso (90/100, R$ 109). (Empório Santa Maria)

Puglia – Tenute Rubino
Terra fértil e clima (muito) ensolarado fazem da Puglia uma das maiores produtoras de grãos, azeite de oliva e vinho da Itália. Em matéria de vinhos, aliás, com quase 110.000 hectares de vinhas, só perde para a Sicília (140.000 hectares), a campeã etílica do país. A Rubino está no sul da Puglia, em Brindisi, uma simpática cidade com um porto idem, e um calçadão daqueles para ficar horas sentado olhando para o Adriático. A empresa, também familiar, criada na década de 1980 por Tommaso Rubino e dirigida hoje pelo filho Luigi, conta com 200 hectares de vinhas ao redor de Brindisi. Da vinícola surge cerca de 1 milhão de garrafas de vinho por ano talhadas pelo enólogo Luca Petrelli, presente na prova dos exemplares da casa, na qual houve vários destaques.

Vermentino 2012
Surpreendente branco, vibrante, saboroso e persistente mesclando tons cítricos, florais e minerais. Pena que não integre a leva de vinhos que desembarcou no Brasil (90/100).

Primitivo 2011
Aromas que lembram carne aparecem junto a geleias, toques tostados e de couro. Tinto de boa estrutura, taninos redondos e final agradável com certo toque adocicado (88/100, R$ 69).

Marmorelle 2010
Elaborado com uvas Negroamaro (outra estrela rubra da região). Como os anteriores, não teve contato com madeira. Frutas negras, geleias, pinceladas defumadas, terrosas e de especiaria marcam um paladar macio e equilibrado (90/100, R$ 88). (Zahil)

*Jorge Carrara viajou à Itália a convite dos produtores e da companhia de comunicação italiana Gran Via.

jorge carrara_site

*Escreve também para o site Basilico

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