Prazeres da mesa

L´chayim, Na zdorov, Kampai, Santé, Prosit... Tim-Tim!

Por: Prazeres Da Mesa | 9.jun.2017

Muitas histórias explicam a origem do brinde. Quase todas resgatam os tempos medievais, quando batiam-se copos para selar acordos. Entre tantas expressões usadas nessa hora, uma das que eu acho mais sonoras e simpáticas é a chinesa chin-chin que quer dizer felicidade. Não sei se aportuguesamos essa ou se o nosso tim-tim veio de outro lugar; seja como for, é isso que dizemos pra induzir muitas ideias: amor, felicidade, que a gente possa estar junto, que você tenha saúde e tantos outros bons agouros e predições.

Meus primeiros drinques eu tomei aos 15, 16 anos. Um cuba libre, como era moda naqueles tempos. Não gostava propriamente, mas bebia porque todo mundo bebia e assim convém que façam os adolescentes. Eu não era diferente, mas como não apreciava o amargor do rum… deixei cedo a cuba libre.

Um pouco adiante, lá pelos 18 ou 19 anos, as batidas de frutas eram o must daqueles anos 1980. E lá íamos nós, encharcar a boca com o coquetel esbranquiçado que levava água de coco, pinga e leite condensado. Ressaca inevitável até mesmo nos nossos corpos jovens e muito bem-dispostos.

Um pouco mais tarde, bebericava Campari com soda, porque meu pai gostava e eu queria acompanhar. Também o malfadado uísque com guaraná, cantado por Elis Regina e bebido à fartura pela geração X… um horror.

Fui deixando os drinques aos poucos. Talvez na mesma medida em que passei a apreciar os vinhos que bebi e bebo sempre em que estou em família, entre amigos e com o meu amor.

 

 

Semana passada fui ver a comadre Esther – assim dizem os mais antigos sobre quem não é parente mas foi eleito para fazer parte da família quando amadrinha (ou apadrinha) a nós ou a um filho. Minha comadre andava guardada na memória e no coração, mas dela só sabia pelas fotografias que posta nas redes sociais. É o tipo “mulher esforçada”, com muitos anos de trabalho no jornalismo de celebridades e que um dia descobriu a gastronomia. Foi estudar, cozinhar, criou um site (vamosfalardecomida.com.br) para contar histórias de gente famosa e suas predileções gastronômicas.

Me contou que a Greta Garbo gostava de cozinhar para os seus (e suas) amantes, que o Frank Sinatra aprendeu a fazer berinjela parmegiana com a mãe e que o Freud já era chegado em comida orgânica. Claro que entre uma história e outra passeamos pelo nosso passado comum e contamos – uma à outra – sobre os planos para o futuro, que são muitos. Falamos dos desamores, dos antigos e novos amores… e foi nessa noite mágica que a gente se divertiu embaladas por um cosmopolitan, um mojito, um alexander (acho que esse foi pra lembrar a batida de coco), um daiquiri, um sex on the beach… e mais uns que não me lembro – sei apenas que saímos do bar às gargalhadas.

Continuo fã dos vinhos. É neles que mora a minha curiosidade e o meu maior prazer etílico. Mas dou o braço a torcer: de vez em quando, um bom drinque até que faz bem à alma e ao coração.

INES Castro_pb

É jornalista, colunista da Rádio BandNews FM e autora dos livros Etiqueta da Beleza, A Moda no Trabalho e O Guia das Curiosas, pela Pandabooks. Em 30 anos de carreira, escreveu para as revistas Claudia, ELLE, Playboy, VIP e Marie Claire.

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