Prazeres da mesa

Novos rótulos

Por: Prazeres Da Mesa | 11.jan.2016

Mesmo com a alta das moedas estrangeiras e um inverno mais quente que o normal, as importações não pararam e bons vinhos acabam de desembarcar no Brasil

Apesar da queda na importação de vinhos, novidades não faltaram por aqui (ainda bem!). Aliás, em alguns casos boas notícias em dose dupla: o desembarque de novos produtores trazidos por novas importadoras. Em torno dessas estreias orbita a coluna de hoje. Entre elas, todas do Velho Mundo, há um grupo de espumantes, boa pedida para regar os últimos dias deste quase inverno, ou para comemorar a chegada da primavera.

Espanha

Villa Conchi (Catalunha)

Por trás das Bodegas Villa Conchi está, na realidade, uma cooperativa de Tarragona: a Vila-Rodona (400 associados, mais de 1.600 hectares de vinhas). Ela é a autora desses espumantes bem talhados.

Bella Conchi Brut Rosé – De uvas Trepat. Une toques minerais e de suave tostado com firmes pinceladas de frutas vermelhas. Prazeroso, tem bom corpo, persistência e vivacidade (avaliação: 88 pontos em 100, R$ 81,80).

Bella Conchi Extra Brut Imperial – Mescla cepas autóctones (Xarel-Lo, Macabeo e Parellada) com Chardonnay. Amadureceu por 20 meses com as borras. Combina uma forte dose de mineralidade com frutas brancas e tons de mostarda. Seco e vigoroso, pode escoltar tanto pratos do mar como da terra. (91/100, R$ 122). Decanter.

Itália

As novidades correm por conta da Intermezzo, empresa de comércio de carnes que adicionou uma ala etílica a seu portfólio, focada nos tintos do País da Bota. Eles integram também a carta do igualmente paulistano Varanda, do mesmo proprietário, restaurante com alguns dos melhores grelhados do Cone Sul. A seguir dois destaques da primeira importação.

Casaloste (Toscana)

A fattoria está no coração da região do Chianti Classico. Mas o dono, o agrônomo e enólogo Giovanni Batista d’Orsi, é napolitano. A combinação do terroir do centro com o talento do sul deu certo: no copo aparecem goles típicos e atraentes.

Chianti Classico 2011 – Um Sangiovese (90%) e Merlot. Amadureceu dez meses em barris e barricas. Frutas vermelhas bem condimentadas por tabaco, baunilha e leve canela marcam um sabor que perdura por bom tempo em boca (90/100, R$ 116).

Barale (Piemonte)

Outra casa familiar. Sergio Barale e as filhas Gloria e Eleonora comandam a vinícola e os 20 hectares de parreiras. No catálogo há bons Barolo, mas também um Barbera que merece menção.

Barbera d‘Alba Castlé 2013 – Oriundo de vinhas de mais de 20 anos de idade. Estagiou por 12 meses em carvalho. Leves tons balsâmicos dão verniz a um núcleo de fruta que preenche um paladar untuoso, longo e redondo com a acidez clássica da variedade (90/100, R$ 103).

França

Arlaud (Bourgogne)

O domaine de Morey-St-Denis cultiva seus vinhedos (15 hectares) de forma orgânica. Cyprien Arlaud, filho do atual proprietário, Hervé Arlaud, é o responsável pela modelagem dos goles da casa.

Bourgogne Roncevie 2012 – Grãos de Pinot Noir provenientes de parcelas plantadas na década de 1960 deram vida a esse rubro elegante e frutado, temperado por suaves pinceladas tostadas e de especiaria, sedoso em boca e com final longo (90/100, R$ 130).

Arlaux (Champagne)

A pequena maison familiar tem base em Vrigny, na Montagne de Reims, norte da Champagne. Nove hectares de vinhas (algumas com 80 anos) nutrem champanhes amplos e cremosos.

Grande Cuvée Brut Premier Cru – Combina Pinot Meunier (60%), Pinot Noir (30%) e Chardonnay. Passou quatro anos em contato com as leveduras. Pão fresco e frutas brancas (como a maçã) dominam um paladar rico, fresco, nervoso e persistente (avaliação: 92 pontos em 100, R$ 200).

Spéciale Réserve Brut Premier Cru – Corte de Chardonnay (60%) e Pinot Meunier.  Repousou dez anos antes do arrolhado final. Brioche, maçãs assadas, avelãs, especiaria doce e suave toque de mel marcam um sabor complexo embrulhado por bolhas finas e realçado por boa acidez (94/100, R$ 290). Pelo custo e performance, ambos grandes pedidas entre as borbulhas gaulesas disponíveis no mercado. Os três à venda na Cellar.

jorge carrara_site

*Escreve também para o site Basilico

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