Prazeres da mesa

O berço da syrah

É no Rhône, na França, que essa uva brilha com mais intensidade resultando em vinhos cheios de sabor

Por: Prazeres Da Mesa | 14.oct.2010

O hotel A Região do Rhône, no sudeste da França, não requer longas apresentações. Basta dizer que, além de abrigar alguns dos grandes vinhos franceses, é um dos cantos do planeta em que melhor se exprime a uva Syrah, que naquelas bandas molda tintos deliciosos, cheios de vigor. A cepa reina absoluta no norte da província, dando forma aos belos rubros de Hermitage, Côte-Rôtie, Crozes-Hermitage, Cornas e Saint-Joseph. Participa também nos goles do sul, onde aparece contracenando com outras variedades, como a Grenache, que tem também no Rhône um de seus melhores berços. Há por aqui bons produtores do lugar com diferentes propostas, para diversos bolsos, que vale a pena conferir.

Delas Frères
A Delas foi uma das primeiras casas da região a marcar presença no Brasil. Ausente por algum tempo, volta agora com importadora nova. A casa, como seu nome indica, tem origem familiar, mas foi comprada em 1997 pela Deutz, prestigiosa maison da Champagne. Hoje pertence a outro grupo famoso entre as borbulhas gaulesas: a Roederer. Menção entre os exemplares do último desembarque para dois vinhos 2007. Um é o Côtes-du-Rhône Saint-Esprit, um Syrah-Grenache equilibrado, com bom corpo, redondo, marcado por frutas vermelhas e toque de baunilha e caramelo (88/100, R$ 55). O outro, o Vacqueyras Domaine des Genêts, no qual a dupla Grenache-Syrah ganha a companhia de uma pitada de Mourvèdre. Denso em boca, untuoso, com certa pinta de Novo Mundo, tem sabor rico (ameixas pretas maduras, chocolate, tabaco) e sedutor (90/100, R$ 98, ambos na Grand Cru).

Domaine Georges Vernay
Pequena vinícola familiar com 16 hectares de vinhas. Boa parte delas é dedicada à uva branca Viognier, outra estrela da região, por trás dos frutados Condrieu. Outras estão plantadas com Syrah. Elas dão origem a tintos como o Saint-Joseph 2007 (apenas 7.000 garrafas nascidas de uma vinha de 1,5 hectare), pura fruta, um vinho exuberante, de perfil jovem, mesclando framboesas, cerejas e tons florais, como os de violeta, que tomam conta de seu paladar, de textura sedosa (91/100, R$ 160, Grand Cru).

Les Vins de Vienne
Vinícola jovem, nascida em 1996, que opera no norte. Foi criada por três vinhateiros da região: Yves Cuilleron, Pierre Gaillard e François Villard, proprietários dos domaines que levam seus nomes. Pierre Jean Villa, enólogo com experiência na Borgonha – trabalhou para Mommessin e Clos de Tart –, assina os tintos que aportaram no Brasil; um conjunto de exemplares intensos e saborosos. Entre eles está o Saint-Joseph L’Arzelle 2006, um tinto saboroso, com tons defumados, que lembram um pouco o bacon, temperando as frutas vermelhas que dominam um paladar equilibrado, macio e persistente (90/100, R$ 95). Melhor ainda, o Sotanum 2006, um Vin de Pays des Collines Rhodaniennes; outro Syrah, oriundo de terrenos vizinhos a Côte-Rôtie, mas fora das denominações clássicas da região. Exuberante e com boa acidez, ele exibe, no aroma e no sabor, uma bela complexidade que mostra extremos, frutas (groselha, ameixa) com flores, couro, baunilha, tabaco e especiaria, elementos que perduram (deliciosamente) por muito tempo na boca (93/100, R$ 200, os dois na Cellar).

*Jorge Carrara é colunista de vinhos do jornal Folha de S.Paulo e do site Basilico.

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*Escreve também para o site Basilico

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