Prazeres da mesa

O PORTO E SUAS VARIAÇÕES

Por: Prazeres Da Mesa | 16.mar.2017

Uma agradável degustação em busca de sabores e aromas nos diversos estilos de Vinho do Porto

Nesta edição do Mesa Ao Vivo, de Prazeres da Mesa,  apresentei uma degustação de vinhos do Porto e seus diversos estilos. No início, pude discorrer sobre como o homem pode interferir na vida de um vinho do Porto, dando a esse néctar do Douro a oportunidade de se desenvolver em vários estilos, sem perder a qualidade, e ao mesmo tempo, proporcionar ao consumidor uma gama de larga escolha.

Na oportunidade, apresentei os vinhos do Porto nas categorias comuns e especiais, uma coleção de vinhos Tawny’s, Ruby’s e White.

Inicialmente, o primeiro vinho degustado foi o Comenda White, uma marca exclusiva do grupo Pão de Açúcar, lançada no mercado em 1999. O vinho estava bem gelado, fato que agradou a todos, pois a noite era quente. Elaborado só com uvas brancas, ele tem uma acidez agradável e um grau de doçura tolerável, nada enjoativo. Foi passada a receita do já famoso aperitivo Porto de Verão que consiste em uma dose de Porto White, uma rodela de limão, três cubos de gelo e tônica para completar o “long drink”.

Logo em seguida degustamos os Vinhos do Porto Tawny e Ruby da marca Club des Sommeliers, outra exclusividade do Pão de Açúcar. Estes vinhos Comenda e Club des Sommeliers são elaborados pela Casa Manoel D. Poças JR., de Vila Nova de Gaia. A Casa Poças como é conhecida vem se modernizando e, no momento, se prepara para celebrar seu primeiro centenário no ano de 2018.

Os vinhos Tawny e Ruby estavam perfeitos, leves e agradáveis. O primeiro é um blend de vinhos com 8 anos de idade e o segundo um Ruby intenso com 4 anos. Os contrastes de frutas vermelhas maduras do Ruby e de frutas secas do Tawny foram a grande descoberta dos degustadores.

Em seguida, passamos para os Portos chamados de Categorias Especiais. Inicialmente degustamos o Porto Ceremony 10 anos, uma exclusividade da Importadora Adega Alentejana. Vinho elaborado por Pedro Sá, um dos mais prestigiados enólogos do setor do vinho do Porto, apresentava sua cor já brilhante com laivos esverdeados nas bordas da taça, com aromas sutis, delicados a frutos secos.

Em seguida, foi a vez do Porto Graham’s LBV 2009. Importado pela Mistral. Um grande vinho, com uma cor retinta, fechada e uma explosão de frutas como framboesas, ameixas, mirtilo e amoras. Com álcool muito bem casado, este vinho gordo enche a boca, tem um retrogosto longo e persistente,  para os presentes foi servido um queijo gorgonzola bem maturado – um casamento perfeito!

Por ultimo, o gran finale foi com o Vinho do Porto Vintage Quinta do Vale Meão 2012. Este vinho é elaborado no Alto Douro, quase fronteira com a Espanha, e tem nesta propriedade muita história. Foi no Vale Meão que nasceu o mais importante vinho tinto português em 1952, o Barca Velha. Hoje, esta Quinta é uma propriedade que pertence aos herdeiros de Dona Antónia Adelaide Ferreira, cujo patriarca atual da Família “Vito” Olazabal é uma das maiores personalidades deste setor vinícola.

Por ser muito jovem, este Vintage Vale do Meão tem uma cor retinta, seu aroma vinoso se confunde com o de uvas muito maduras e com compotas de frutas vermelhas bem intensas. Na boca, está um veludo, seu retrogosto é longo e agradável. Este vinho é importado no Brasil pela Mistral.

Mais uma vez tive o privilégio de alegrar uma plateia com uma coleção de vinhos tão nobres que muito tem com a nossa história. Por mais de 100 anos foi o Brasil o segundo maior consumidor de vinhos do Porto do mundo!

Carlos Cabral

*Estuda vinhos há 43 anos. É consultor e um apaixonado pelo tema

Colunas recentes

Colunas