Prazeres da mesa

O terroir de São Paulo

Por: Prazeres Da Mesa | 14.may.2018

Os novos rumos do vinho paulista, que caminha com entusiasmo

Não sei se o leitor tem essa informação, mas por estudos da Embrapa, cerca de 92% das terras do Estado de São Paulo têm aptidão climática para a produção de uvas vitis vinifera. E, mais, há um trabalho de similaridade desses climas com regiões produtoras da Europa. Outro fato que talvez você não saiba é que já há vinho bom produzido em São Paulo.Cito três deles:

• O mais famoso é o Syrah Vista do Chá da Guaspari, de Espírito Santo do Pinhal, que abocanhou um prêmio inédito para o Brasil, Medalha de Ouro da Decanter World Wine Awards. Nunca um vinho brasileiro havia conseguido isso.

• O Entre Vilas, de São Bento do Sapucaí, um dos ótimos vinhos naturais que se produzem no Brasil, feito na fazenda Frutopia. Experimente seu Cabernet Franc e depois me conte.

• A Vinícola Goes, de São Roque, conhecida pelos vinhos populares, começou a investir em castas de vitis vinifera e logo de saída conseguiu ter seu Cabernet Franc entre os 16 vinhos mais representativos da safra de 2014 na Avaliação Nacional do Vinho, promovida pela Associação Brasileira de Enologia, em Bento Gonçalves, Rio Grande do Sul, sendo avaliado às cegas por enólogos, entre mais de 200 amostras.

Agora o SPVinho, órgão que cuida da bebida no estado, e conta com a presidência de Fausto Longo, que é senador italiano eleito pelos brasileiros, conseguiu montar uma Frente Parlamentar de Apoio à Vitivinicultura do Estado de São Paulo, coordenada pelo deputado Roberto Morais e mais 24 deputados. Essa frente já organizou quatro grupos de trabalho:

1. Estrutura de Apoio Técnico e Tecnológico Agroindustrial.

2. Política Estadual de Incentivo.

3. Legislação, regulamentação e normatização.

4. Atlas Paulista da Vitivinicultura.

Agrega-se a esse trabalho o prefeito de Jundiaí,  Luiz Fernando Machado,  que lidera a Rede de Cidades Vitivinícolas Paulistas do Estado de São Paulo, com nada menos que 74 municípios ligados ao cultivo da uva e à produção do vinho. Outros entusiastas são o secretário de Agricultura do Estado de São Paulo, o deputado Arnaldo Jardim e o vice-governador, Marcio França.

Como colaborador do SPVinho, encaminhei sugestão de viabilização dos produtores artesanais. Seria apenas adaptar a Lei no 11.326, de 24 de julho de 2006, que acolhe o produtor familiar, com as seguintes alterações:

1. Não há necessidade de usar obrigatoriamente 70% de uvas próprias. Para que isso? Qual o objetivo?

2. Os vinhos devem apresentar análise química, atestando que estão aptos ao consumo humano.

3. Pode-se vender para CNPJ ou CPF. Aliás, qual a razão de não poder? A quem interessa isso? Para vender uva, o agricultor pode vender para CNPJ, mas para vender seu vinho, não?

4. A produção do vinho não precisa ser necessariamente rural. Centenas de vinícolas na Europa são dentro da cidade. A Huguel, por exemplo, fica na rua principal de Riquewhir, na Alsácia. Basta ter tratamento dos efluentes.

5. Limitar a produção em 20.000 litros.

6. Pagar 6% de imposto pelo Simples Nacional.

Agora, é trabalhar politicamente com esse grupo. São Paulo promete no vinho.

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*É fundador da Confraria dos Sommeliers

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