Prazeres da mesa

Olé, Espanha!

Uma pequena feira de vinhos espanhóis apresentou vários exemplares de qualidade e que ainda não estão no Brasil

Por: Prazeres Da Mesa | 19.aug.2010

O Instituto Espanhol de Comércio Exterior (Icex), instituição governamental dedicada a promover as exportações de seu país, organizou em São Paulo, no mês passado, uma amostra que reuniu vinícolas ibéricas, a maioria das quais ainda sem importadores no Brasil. Houve, claro, bons tintos de uva Tempranillo, uma coqueluche naquelas bandas, mas também brancos surpreendentes. Vale a pena aguardar por eles ou conferi-los em seu próximo giro pela Espanha.

BODEGAS REINA DE CASTILLA
Mais um exemplo de que uma cooperativa pode elaborar belos goles. A empresa da região de Rueda, no centro oeste do país, abriga 22 viticultores e 300 hectares de vinhedos. Agradaram três da safra de 2009. Um foi o Reina de Castilla Sauvignon Blanc, intenso nas frutas cítricas e tropicais, vivaz (89/100). Os dois restantes tiveram como base a uva Verdejo, cepa que brilha por lá. O primeiro, El Bufon, básico da casa, frutado (maracujá, limão) e saboroso (87/100); o segundo, outro Reina de Castilla, vibrante, em que reaparecem as frutas tropicais junto a tons de tangerina (89/100, www.reinadecastilla.es).

BODEGAS FÉLIX SANZ
Também serviu vinhos 2009 oriundos de Rueda: os Viña Cimbrón, ambos Verdejo. Um deles, muito expressivo na fruta (abacaxi verde, limão- siciliano), denso e fresco (88/100). O segundo mescla Verdejo fermentado em barricas de carvalho francês e americano com Viura sem madeira, moldando um sabor intenso, com coco, e leve torrefação temperando um núcleo de fruta concentrada (89/10, www.bodegasfelixsanz.es).

BODEGAS Y VIÑEDOS DON OLEGÁRIO
Minúscula, a adega de Rias Baixas, noroeste da Espanha, produz 6.000 garrafas de um único branco de uvas Albariño, modelado pelo enólogo Carlos Falcón, filho dos proprietários. As uvas vêm de um vinhedo de 5 hectares e 20 anos de idade. A versão 2009 de seu vinho, o Don Olegário, lembra um Sauvignon Blanc, marcado por maracujá, leve toque mineral e de mel, rico, amplo em boca e deliciosamente persistente (90/100, www.donolegario.com).

BODEGAS RECOLETAS
Com base em Ribera del Duero, tem tintos de uva Tinta Fino (de novo a Tempranillo). Seu rubro básico, o Valdecampaña 2005, impressiona pelos taninos finos e o paladar longo e complexo (fruta, baunilha, tabaco), realçado por uma boa acidez (89/100, www.bodegasrecoletas.com).

BODEGA CARO DORUM
Outra pequena vinícola familiar (mas de Toro, ao lado de Rueda) que estreou em 2003. Guilhermo Diez, filho dos proprietários, assina os vinhos. Destaque para o Carodorum Crianza 2006, 100% Tinta de Toro (mais uma vez a Tempranillo), um rubro denso e redondo em que aparecem cereja, cedro, baunilha e especiaria (89/100, www.jherreras@exportcyl.es).

DINASTÍA VIVANCO
A adega de Briones, Rioja Alta, já está presente no Brasil (World Wine). Rafael Vivanco, formado em enologia em Bordeaux, molda os goles da casa. Menção para o Crianza 2005, um Tempranillo amplo (framboesa, morango, ervas secas) e equilibrado (89/100, R$ 58). Bom também o Colección Vivanco 4 Varietales (Tempranillo, 70%; Graciano, 15%; Garnacha, 10%; e Mazuelo), exuberante nos tons defumados, de ameixa e café, com certa cara de Saint-Emilion (por que será?), sedoso e persistente (91/100, R$ 245, World Wine).

jorge carrara_site

*Escreve também para o site Basilico

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