Prazeres da mesa

OS CLUBES DE VINHOS

Por: Prazeres Da Mesa | 19.jul.2017

Se você não vai ao vinho o vinho vai até você!

O Enófilo apaixonado, fiel às tradições gosta de ser atendido por alguém na hora de escolher um vinho e ouvir histórias! Talvez alguma lhe sensibilize mais e ele passa a adota-la como se fosse dele,  assim vai passando adiante! Mas nem todos têm tempo ou disposição para tal e desejam degustar vinhos em um aprendizado contínuo ou só socialmente. Para as pessoas sem tempo que estão começando a admirar vinhos, surgiram os Clubes de Vinhos que se responsabilizam pela seleção e escolha de diversos rótulos fazendo com que algumas garrafas do mesmo, cheguem à porta de casa, tudo muito pratico.

Temos assistido nos três ultimos anos o surgimento de diversos Clubes de Vinhos, todos com perfis bastante idênticos, mas com muita personalidade individual, o que revela o tipo de consumidor que quer atingir e a que nicho de mercado esta direcionando seus investimentos.

No inicio da década de 1980, um pioneiro lançou-se nessa empreitada e foi até longe demais para a época. Clovis Eduardo Franco de Siqueira, com perfil de “lorde Inglês”, criou um Consórcio de vinhos utilizando a recheada lista da melhor importadora da época, a Maison du Vin, do exigente e conceituado arquiteto Miguel Juliano. O Consórcio era formado por grupos de 12 participantes e o total de garrafas que perfaziam um lote eram de 60 unidades!  No ultimo dia de cada mês, em um animado jantar com o Grupo na saudosa sanduicheria La Cave no Itaim, o Grupo se reunia para o sorteio e podia-se até dar lances para receber mais cedo os vinhos. Claro que a Receita Federal não gostou da história e tudo durou apenas 2 anos, mas o sonho não ficou esquecido, e pelo ano 2000 surgiram os Clubes de Vinhos.

Antes do surgimento dos Clubes de Vinho era elegante frequentar as Casas Especializadas, em São Paulo. Fizeram história o Depósito Normal, a Casa Prata, a Le Roy, Supermercado Paes Mendonça, Supermercado Eldorado, a Casa Cabral, a Casa do Vinho entre tantas outras. A Casa Santa Luzia, a Varanda Frutas e o Empório Frei Caneca resistem bravamente, oferecendo um grande número de rótulos. Os Supermercados também investiram muito na área desde que foram autorizados a importar.

O maior dos Clubes de Vinho é a “Wine.Com”, que tem uma cobertura Nacional e já é um “case” de sucesso entre nós. Tem sede no estado do Espírito Santo, para se favorecer da injusta politica fiscal do Brasil e vão muito bem, seus especialistas correm o mundo a caça de vinhos, para entregar sempre aos seus mais de 50 mil associados uma novidade. Hoje se destacam diversos, como o EVINO e Sonoma.

O mercado mundial esta abarrotado de vinhos, o consumo na Europa vem caindo e curiosamente o Brasil vem se revelando um grande mercado para este setor. Estamos comprando e bebendo mais vinhos, acredito que é para nos esquecermos da crise que se instalou entre nós desde 2015!!! Assim, a missão de viajar pelo mundo e pelas Regiões do Brasil a caça de vinhos diferenciados, ou de rótulos que nunca estiveram entre nós, transforma-se em uma doce aventura. Sou testemunha disso, pois em uma única viagem de 10 dias provei 420 vinhos para um Clube de Vinhos lançado pelo Grupo Pão de Açúcar. Os vinhos escolhidos quando chegam a casa do cliente, são acompanhados de todas as informações possíveis e assim dá uma enorme segurança a quem ira degusta-lo ou irá oferece-lo a uma visita. Em poucos segundos faz-se uma viagem ao mundo do vinho e as suas maravilhas.

Os Shows Room das Importadoras continuam ativos e são até lugares agradáveis para se conviver em um mundo de sonhos, degustar algumas amostras, conhecer pessoas, travar amizades para se formar Confrarias, mas devido a situação do transito das grandes cidades e da segurança individual, cada vez pior, vão cedendo aos poucos o lugar para a compra via internet ou Clube de Vinhos.

Como sempre, porque nem tudo é um mar de rosas, o maior problema deste novo setor é a logística para as entregas. Em segundo lugar é a mudança constante de humor do Governo no sentido de inventar novos impostos quando descobre que uma coisa vai bem, e o terceiro é mais filosófico sentimental, o contato do futuro enófilo com o preparado vendedor de vinhos.

Carlos Cabral

*Estuda vinhos há 43 anos. É consultor e um apaixonado pelo tema

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