Prazeres da mesa

Os destaques do TOP TEN

Por: Prazeres Da Mesa | 10.jan.2018

Os vencedores do tradicional concurso Top Ten da Expovinis e outros vinhos de destaque

Tal como em anos anteriores, a Expovinis 2017, uma das mais importantes feiras etílicas da América Latina, abrigou uma nova edição do já tradicional concurso Top Ten. O evento, destinado a premiar os melhores vinhos entre os apresentados na competição pelos expositores, seguiu o mesmo protocolo dos últimos anos. Os exemplares, classificados em dez categorias: espumantes nacionais e importados, brancos (idem), tintos (nacionais, do Novo Mundo, ibéricos, e do resto da Europa) e, encerrando, fortificados e doces, foram apresentados, durante os dois dias de provas, a um júri composto por membros da Associação Brasileira de Sommeliers, da Embrapa, de especialistas e jornalistas da área. Os vinhos foram avaliados às cegas, isto é, sabendo o tipo, mas não a marca e a região. As notas, submetidas por meio de tablets ligados em rede, foram apuradas on-line para conhecer os vencedores.

Também como em anos anteriores, os painéis mais numerosos foram separados em dois grupos para que o júri, igualmente dividido, escolhesse entre eles os melhores para ser confrontados em um tira-teima final, quando seriam degustados novamente, agora, sim, pelo conjunto dos jurados, para definir o campeão. A seguir, os dez premiados do Top Ten 2017, junto a vários outros belos vinhos que também fizeram bonito e merecem menção.

Espumantes Nacionais

Brilharam as borbulhas do Rio Grande do Sul, terra com definida vocação para esse tipo de vinho, que conquistaram o primeiro lugar com o Elegance Nature da Vinícola Peterlongo, de Garibaldi. Elaborado pelo método tradicional (com a segunda fermentação, que lhe brinda a efervescência, realizada na própria garrafa), com uvas Chardonnay (80%) e Pinot Noir, e com 24 meses de estágio com as leveduras, o Elegance se mostrou cremoso e com sabor persistente marcado por frutas brancas e tons tostado-minerais. (peterlongo.com.br)

Muito bons também dois rosados brut de empresas com base na Campanha Gaúcha, no extremo meridional do estado: o Dunamis 2015 (elaborado, porém, com uvas Merlot, Pinot Noir e Chardonnay, da Serra Gaúcha) mesclando frutas brancas e vermelhas no aroma e no paladar  (dunamis.com.br) e o Campos de Cima 2014, novidade da adega de Itaqui, na fronteira com a Argentina, de bom corpo e paladar frutado atraente embrulhado em bolhas finas. (camposdecima.com.br)

Espumantes importados

A Gramona, renomada casa de espumantes da Catalunha, no canto nordeste espanhol, ficou com os louros com o La Cuvee Gran Reserva Brut 2012, uma mescla de uvas Xarel-lo e Macabeo, com três anos de contato com as borras, um exemplar intenso, complexo e denso em boca, com bolhas abundantes e persistentes (casaflora.com.br). Marcaram presença na bateria outros dois vinhos. Um, igualmente catalão, é o Cava Bonaval, da Bodegas Lopez Morenos, uma importante casa espanhola que elabora vinhos nos quatro cantos do país. Uvas Macabeo com um pequeno tempero de Parellada dão forma a esse branco saboroso, frutado, longo e vivaz, pela boa acidez (galeriadosvinhos.com.br).

O outro, francês, o Baron Aimé, um Crémant de Bourgogne Brut, corte de uvas Pinot Noir, Chardonnay e Aligoté, impressionou pelo sabor amplo de frutas brancas e secas e leve pão fresco que preenchem um paladar atraente e com boa textura (casaflora.com.br).

Brancos Nacionais

A gaúcha Don Guerino, adega de Alto Feliz, levou a taça com um rico Sauvignon Blanc 2016 modelado pelo enólogo, e membro da família proprietária, Bruno Motter, um branco que impressiona pela intensidade de seu aroma e sabor dominado por frutas cítricas e tropicais que perdura por muito tempo em boca (donguerino.com.br). Outra empresa gaúcha, a Vinícola Helios, de Monte Belo do Sul, mas com parcerias vitícolas em diversas regiões do país, uma das surpresas do concurso, merece menção por outro Sauvignon Blanc, este elaborado com uvas de São Joaquim na Serra de Santa Catarina, o Circe 2017, potente na fruta, de paladar nervoso e final cítrico persistente (vinicolahelios.com.br).

Brancos importados

Ficou na ponta um tremendo Chardonnay da Nova Zelândia, o Clearview Reserve 2014. Fermentado em barricas de carvalho, permaneceu cerca de um ano nelas e mostrou ao mesmo tempo potência e elegância, exuberante do início ao longo final (premiumwines.com.br). Os goles lusos marcaram também expressivos pontos com um vinho do eterno Douro, o Guru 2014 (rico, bem estruturado em boca, muito persistente) da Wine & Soul do casal de enólogos Sandra Tavares e Jorge Serôdio Borges e com um branco do extremo oposto, o Alentejo, no sul da Terrinha, o Maria Teresa 2014, um intenso, frutado e atraente Verdelho, assinado por Paulo Laureano, outro craque da enologia portuguesa (os dois na Adega Alentejana, alentejana.com.br).

Rosados

Primeiro lugar para o Chiaretto 2015, da CáMaiol, uma casa familiar da região de Lugana, na Lombardia, norte da Itália. Blend de quatro variedades (Gropello, Marzemino, Sangiovese e Barbera), o Chiaretto, de corpo médio, equilibrado, agradou pelo perfil frutado e a boa persistência (galeriadosvinhos.com.br). Merece destaque nesta ala, o Château Saint-Hilaire Cuvée ONE 2016, um belo Grenache-Syrah oriundo da Provence, no sul da França, uma verdadeira explosão de frutas tropicais no nariz e na boca; prazeroso e vibrante pela excelente acidez (premiumwines.com.br).

Tintos Nacionais

Houve aqui outra agradável surpresa. Levou o galardão máximo o Syrah Speciale 2014, um delicioso rubro (frutas vermelhas, pinceladas defumadas, paladar viscoso e redondo com taninos muito finos) de uma empresa que estreia no panorama nacional: a Casa Verrone, vinícola com vinhedos no norte do estado de São Paulo, ao pé da Serra da Mantiqueira (casaverrone.com.br).

Voltou a marcar presença nessa categoria a gaúcha Helios, agora com o Corcéis 2010, um Tannat untuoso com bom conteúdo de frutas temperado com toques de couro e torrefação. Merece espaço outro exemplar gaúcho, o Documento 2011, um Merlot (com um ano de estágio em carvalho francês) da vinícola Don Cândido, do Vale dos Vinhedos, um rubro macio e frutado com bom corpo e presença em boca que vale a pena conferir (doncandido.com.br).

Tintos do Novo Mundo 

Recebeu a bandeirada em primeiro lugar o KM0 Limited Edition, um tinto chileno de Jaime Roselló Larrain, produtor membro do Movimento de Vinhateiros Independentes (Movi), associação de pequenos produtores do país andino. O vinho, que mescla uvas Carménère, Cabernet e Syrah, dos vales de Cachapoal e Colchagua, tem paladar sedutor, com taninos sedosos, marcado por geleias e cassis e temperado por pinceladas terrosas. Na Carvalho Vino (carvalhovino.com.br). Brilharam ao lado dele o argentino Tinamú 2008, um blend (Malbec-Cabernet Franc-Petit Verdot-Tannat) intenso, estruturado, concentrado na fruta (cerejas), da Viña Las Perdices, da Província de Mendoza (Bodegas de los Andes, bodegas.com.br) e outro 2008 de corte, mas chileno, o Santa Carolina VSC, um belo Cabernet-Malbec–Carménère-Petit Verdot, potente e persistente na fruta e nas especiarias, vigoroso mas macio, sem arestas (casaflora.com.br).

Tintos do Velho Mundo I 

(Portugal e Espanha)

Uma das séries mais disputadas. O Pomar do Espírito Santo Reserva 2013, da Vinícola Manz, um rubro de Lisboa, uma região portuguesa em ascensão, conquistou o topo do pódio. Elaborado com uvas Touriga Nacional, Aragonês e Castelão e envelhecido em barricas de carvalho americano e francês, agrada pelo paladar sedoso e a profundidade de sua fruta bem embrulhada em uma boa acidez. (Na Lusitanus Brands, lusitanusbrands.com.br.)

Destaque também para o espanhol Convento Oreja Reserva Memorias 2009, um Tempranillo de Ribera del Duero, denso em boca, mesclando frutas vermelhas com baunilha e frutas secas em um sabor longo e delicioso, e o Santa Vitória Grande Reserva 2017, um saboroso Touriga Nacional-Cabernet-Syrah do Alentejo, sul de Portugal, encorpado, muito frutado, aveludado e prazeroso. (Na Vila de Arouca, viladearouca.com.br.)

Tintos do Velho Mundo II 

(sem a Península Ibérica)

O premiado foi o Château Fleur Cardinale 2007, um Grand Cru Classé da Região de Saint-Emilion, em Bordeaux, sudoeste da França. O tinto, que combina uvas Merlot (75%) e Cabernet (Franc e Sauvignon) e passou 18 meses em barricas de carvalho francês, encantou pela intensidade, complexidade (frutas vermelhas, tabaco, suave chocolate, especiaria), untuosidade e harmonia (casaflora.com.br).

Um italiano e outro francês também chamaram atenção. No departamento italiano, destaque para o Il Brecciolino 2009 da Fattoria Castelvecchio, da região da Toscana. Ele mescla uvas italianas (Sangiovese) e francesas (Merlot e Petit Verdot) em um paladar com boa textura e acidez que realça um sabor marcado por geleias e cassis (bodegas.com.br).

Do lado gaulês, menção para outro Cru de Saint-Emilion, o Les Angelots de Villemaurine 2009, segundo vinho do renomado Château Villemaurine, um Merlot (95%)-Cabernet Franc equilibrado, rico na fruta, suave nos taninos, longo no sabor  (casaflora.com.br).

 

Fortificados e Doces

Os Porto ficaram na frente. O grande vencedor foi o Messias 10 anos, um belo tawny, amplo e complexo no nariz e na boca, mesclando abricó, frutas secas e tons de suave tostado e caramelo. casaflora.com.br Excelente também o Vintage 2007 da renomada Quinta do Noval, de aroma e sabor sedutor (frutas negras, suave erva-doce), equilibrado no álcool, açúcar e taninos, macio e untuoso, que, junto com o Messias, fechou com deliciosa chave de ouro os trabalhos do Top Ten 2017. alentejana.com.br

jorge carrara_site

*Escreve também para o site Basilico

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