Prazeres da mesa

Os Pinot americanos

Os Estados Unidos continuam surpreendendo com vinhos de qualidade. Em minha última viagem, constatei a grande fase dos tintos feitos com a Pinot Noir

Por: Prazeres Da Mesa | 9.feb.2009

(*) POR JORGE CARRARA

Recentemente, visitei os Estados Unidos e, assim que retornei, num encontro com pessoas relacionadas ao vinho, me perguntaram que vinhos do lugar me tinham impressionado. Não esperava a pergunta (aliás, não sei por quê. Afinal, entre apreciadores da bebida, ela é absolutamente natural). Respondi na hora.

A quarta potência vinícola do mundo abriga alguns dos grandes rubros de uvas bordalesas do planeta, tintos do calibre do Peter Michel Les Pavots ou o Fisher Lamb Vineyard. Mas tal como na última passagem por lá o que mais me impactou foi o nível geral dos Pinot Noir, cepa difícil até na Borgonha, seu reduto original, com a qual os americanos continuam atingindo excelentes níveis. Melhor ainda: há garrafas da variedade para todos os bolsos e, com relação custo–beneficio superior ao de muitos similares franceses. A seguir, alguns dos destaques degustados, para conferir, quem sabe, no próximo giro por aquelas bandas (os preços são aproximados aos de venda nas lojas americanas).

Willamette Valley Vineyards 2006, Oregon (www.wvv.com)
A adega nasceu em 1983, e seus vinhedos estão em terrenos que abrigavam pomares de ameixas. Jim Bernau, o proprietário, plantou vários clones de Pinot Noir. Alguns deles (113,114, 115, 667 e 777) aparecem na fórmula do 2006, de paladar com fruta intensa e persistente, bom corpo, taninos redondos (90/100, US$ 24).

Emeritus Sonoma Coast William Wesley 2006, Califórnia (www.emeritusvineyards.com)
Dona de 50 hectares de vinhas distribuídas entre Russian River e a região costeira de Sonoma, a casa elabora Pinot Noir com perfil de Velho Mundo, como este, de corpo médio mas alto conteúdo de fruta, mesclada com tons de couro e especiaria (90/100, US$ 33).

Belle Pente Yamhill-Carlton District 2006, Oregon (www.bellepente.com)
Outro com perfil da Borgonha. O vinho nasceu de vinhedos com pouco mais de 4 hectares de Pinot Noir, plantados em 1999 pelos donos da vinícola Jill e Brian O’Donnel. Ele esbanja fruta, temperada com suaves toques de madeira e agrada pelo equilíbrio e elegância (91/100, US$ 35).

Shea East Hill 2006, Oregon (www.sheawinecellars.com)
O terceiro exemplar de Willamette Valley, coração vitivinícola do Estado. O East Hill, que passou dez meses em barricas de carvalho francês, mostra boa complexidade (fruta, couro, carne, leve defumado) e paladar concentrado, aveludado e longo (92/100, US$ 45).

Donum Carneros 2005, Califórnia (www.thedonumestate.com)
A Donum tem cerca de 30 hectares de vinhedos consagrados à Pinot Noir. Deles saem tintos como este, potente, pleno de fruta típica da variedade, persistente, equilibrado e gostoso, com uma personalidade que evoca à de um concentrado Musigny (93/100, US$ 65).

Patz & Hall Pisoni Vineyard 2005, Califórnia (www.patzhall.com)
A firma elabora Pinot Noir com uvas de diferentes cantos do Estado. O vinhedo Pisoni está encravado em Santa Lucia Highlands, no Condado de Monterrey, ao sul de São Francisco. Ele mistura fruta intensa (cereja, groselha), com um verniz animal e de madeira junto a tênues pinceladas de tabaco e canela (93/100, US$ 80).

(*) Jorge Carrara é colunista de vinhos do jornal Folha de S. Paulo e do site Basilico

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*Escreve também para o site Basilico

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