Prazeres da mesa

Os vencedores de 2009

Os tintos continuam dando as cartas, mas o nível dos rótulos brancos também merece ser celebrado

Por: Prazeres Da Mesa | 12.feb.2010

(*) POR JORGE CARRARA

É quase inevitável, talvez até automático, fazer nos últimos dias do ano uma retrospectiva mental dos goles provados nos meses passados. Afinal, entre os vinhos que citei em 2009 em Prazeres da Mesa, quais foram meus favoritos? Começo por casa, com os do Brasil. Provei tintos, como as edições 2006 do Quinta do Seival Castas Portuguesas, da Miolo; o Quinta da Neve Pinot Noir, nítido sinal de que os rubros continuam em alta em terras gaúchas e em novos cantos, como Santa Catarina, berço da Pinot. Mas o que mais me chamou atenção foi o nível inédito de alguns brancos.

Fico aqui com dois 2008. Um, precisamente de Santa Catarina, é o Núbio, da Vinícola Sanjo, um belíssimo Sauvignon Blanc com fruta intensa, equilibrado, à altura de similares chilenos (AOC). O outro é da gaúcha Salton, o Virtude, um Chardonnay assinado pelo enólogo Lucindo Copat, amplo e rico, que nada deve a bons exemplares do Cone Sul, merecedor, sem dúvida, do título de primeiro grande branco brasileiro (Salton).

Os goles de outras bandas também ocuparam espaço nas colunas, claro. Um par de tintos merece menção aqui, especialmente pelo desempenho de seus produtores, que, seja a safra boa ou não, mantêm qualidade consistente. Militam nesse time o francês Clos Fourtet, um Cru de Saint-Emilion, em Bordeaux, destaque com seu 2002, elegante e sedutor, complexo e persistente, belo esforço num ano considerado fraco na região (Mistral).

Marca pontos também Álvaro de Castro, produtor do Dão, centro-norte de Portugal, com seu estupendo Quinta da Pellada Touriga Nacional 2004, denso e concentrado, mas com textura sedosa que envolve a fruta exuberante típica dos bons vinhos dessa maravilhosa cepa (Mistral). Falando da terrinha, a ala rubra está também cada vez melhor por lá. Mas tal como no Brasil meus olhos viraram neste ano para os brancos. A começar por um espumante, o Vértice Super Reserva Bruto 2005, supervencedor – nas minhas notas – da ala borbulhante do concurso Top Ten Expovinis, à frente de três (bons) champanhes, clara mostra do excelente nível que podem atingir as borbulhas lusas (Adega Alentejana).

Uma grata surpresa foi o progresso dos Vinhos Verdes. O último giro por aquelas lindas paisagens do noroeste português mostrou brancos limpos, carregados de fruta, em número difícil de encontrar cinco anos atrás. Agradaram especialmente os da Quinta de Gomariz, como o Loureiro 2008, perfumado e atraente (www.quintadegomariz.com, sem importador no Brasil) e os Alvarinho, da Reguengos de Melgaço, exuberantes, como o 2008, com cara de untuosa salada de frutas (World Wine).

Abri com o Brasil, encerro com um vizinho: o Kaiken Ultra Malbec 2006. Elaborado pelo braço argentino da chilena Viña Montes, ele é mais um reflexo do impulso que os investimentos chilenos têm dado à vitivinicultura platina. Foi outro que brilhou no concurso Expovinis. Custando cerca de 60 reais, chegou (deliciosamente) à frente de tintos muito mais caros – e pretensiosos (Vinci). Levanto agora (literalmente) a taça, fazendo votos para que em 2010 aumente o número de vinhos como estes, com bom desempenho e preços pé no chão. Tim-Tim!




(*) Jorge Carrara
é colunista de vinhos do jornal
Folha de S. Paulo e do site Basilico.

jorge carrara_site

*Escreve também para o site Basilico

Colunas recentes

Colunas