Prazeres da mesa

Os vinhos de Israel

Por: Prazeres Da Mesa | 5.mar.2018

Visita à Terra Santa revela grande potencial dos vinhos elaborados em Israel

Com o convite do Export Institute de Israel, tive a oportunidade de tomar contato com 15 vinícolas dos mais variados estilos, desde megaprodutores até aqueles considerados “de garagem”, que souberam explorar, em meio a tanta diversidade de solos e culturas, o maior potencial da terra para a elaboração de vinhos de excepcional qualidade, e que nada ficam a dever aos do Novo e do Velho Mundo.

Israel começa surpreendendo pelo número de vinícolas: são 250 unidades atuantes, que colocam no mercado anualmente mais de 2.000 rótulos diversos, com estilo e personalidade próprios.

O país domina há tempos as grandes técnicas de irrigação, embora o clima e o solo sejam de deserto, esse sistema transforma as regiões vinícolas em belos jardins, com vinhedos vigorosos e boa produção por hectare. Solos áridos e pobres em material orgânico parecem renascer com a irrigação constante e bem controlada.

A diversidade de estilos de vinhos é bem ampla, devido ao fato de que cada produtor tem um enólogo formado em diversas escolas pelo mundo, de Davis, na Califórnia, passando por Milão, na Itália, por Dijon, na França, e pelas escolas da Austrália. Encontrei enólogos multifacetados, que procuram introduzir nos vinhos que produzem as práticas aprendidas no exterior. Ainda não há uma Escola Superior de Enologia em Israel, creio já ser hora de se pensar nesse assunto, pois seria mais fácil para divulgar o “estilo Israel” de vinhos, uma vez que suas regiões produtoras são muito bem definidas no tocante a tipos de vinho  e às qualidades apresentadas.

Atualmente, o país é dividido nas seguintes regiões: Galileia, Shomron, Shimshom, Harey Yehuda e Hanegev. Em todas se destacam vinhos diferenciados, no tocante ao paladar e aos aromas em razão das diversas composições do solo, que vão do giz à terra rossa, passando por diversos solos vulcânicos. No conjunto, hoje, os vinhedos em Israel somam 5.500 hectares, com uma produção anual em torno de 50.000 toneladas de uvas.

No tocante às variedades cultivadas, destaque para as tintas Cabernet Sauvignon, Merlot, Syrah e Petit Sirah, Carignan; e, para as brancas, Chardonnay, Sauvignon Blanc, Emerald Riesling e Muscat. Chama atenção uma uva local, a Argaman, criada e desenvolvida no país com base no corte das cepas Carignan e Souzão, do Douro. É utilizada para cortes com Cabernet Sauvignon e Merlot, na elaboração de vinhos genéricos e geralmente adocicados, muito utilizados em cerimônias religiosas.

Na visita, degustei 149 vinhos diferentes, chamou minha atenção a excepcional qualidade dos elaborados com as uvas Shiraz e Merlot, nos tintos, e a Emerald Riesling, nos brancos. Também não posso esquecer dois grandes rótulos de colheita tardia, elaborados com a uva Gewürztraminer, um verdadeiro mel, com correta acidez e uma longa presença na boca.

Para quem deseja saber mais sobre os vinhos de Israel, recomendo a leitura de Rogov’s Guide, de Daniel Rogov (tobypres.com), espetacular compêndio de 686 páginas, com ficha individualizada de degustação de todos os vinhos produzidos naquele canto do mundo.

Carlos Cabral

*Estuda vinhos há 43 anos. É consultor e um apaixonado pelo tema

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