Prazeres da mesa

Para rechear a adega  

Por: Prazeres Da Mesa | 12.nov.2014

Em julho a importadora Vinci realizou em São Paulo uma degustação de vinhos que integram o seu catálogo. Foram selecionados para o evento rótulos que acabaram de ser incorporados ao estoque, junto a novas versões de velhos conhecidos da casa. Tanto pelos estreantes como pelas reedições, o painel  foi um belo caleidoscópio de goles de diferentes cepas, países e regiões, tal como os de hoje, destaques da prova (boa parte deles, de quebra, com preços que orbitam em torno dos 60 reais) e que merecem ser conferidos.

Espanha
Lagar de Robla Premium 2008 – Assinado pela Vinos de Arganza, empresa de Bierzo, na província de León, noroeste de Espanha. Foi elaborado com uvas Mencia (a Jaen do Dão, em Portugal) estrela rubra da região. Tinto saboroso, mescla ameixas maduras e suave framboesa com toques de cedro. Tem boa textura e persistência (89/100, R$ 64,40).
Finca Sobreño 2012 – Da região de Toro, mais ao sul, 100% Tinta de Toro (como é chamada a Tempranillo por lá) a rainha do lugar. Passou 4 meses em carvalho francês. Mostra bom corpo, taninos firmes e paladar com bom conteúdo de fruta (cerejas) que marca um final agradável (89/100, R$ 72).
Viña Real Crianza 2009 – A safra 2009 do Crianza da Viña Real, adega da Rioja, centro norte do país, tem como base a uva Tempranillo (90%) complementada por outras variedades típicas daquelas bandas: Mazuelo, Graciano e Garnacha. Coco, baunilha e frutas vermelhas tomam conta de um paladar sedoso e longo, com boa acidez (90/100, R$ 101,50).

Argentina
Kaiken Terroir Series Corte 2011 – O blend rubro da Kaiken, adega de Mendoza da chilena Viña Montes tem forte base de Malbec (80%) complementada por Bonarda (12%) e Petit Verdot. A fruta da Malbec aparece concentrada  (ameixas pretas muito maduras e tons de violeta). Equilibrado na madeira, tem paladar vivaz (90/100, R$ 58,50).

Itália
Baglio del Sole Nero d´Ávola 2011 – Do portfolio da Feudi del Pisciotto, braço vinícola na Sicília da Castellare di Castellina, adega da Toscana com ricos Chianti. Rico também é este Nero d´Ávola,  uva estrela da ilha, denso e redondo, de sabor amplo (compotas, geleias, especiaria) bem típico da cepa, que perdura por bom tempo em boca (90/100, R$ 66,70).
Casanova della Spinetta Vermentino 2012 – Uma das estreias.  A vinícola da Toscana, como o seu nome já sugere, pertence a La Spinetta, adega de ponta do Piemonte. Foi elaborado com uma das mais interessantes cepas brancas italianas, a Vermentino, sem contato com madeira. Toques minerais dão um verniz atraente a um núcleo de frutas brancas ( pera e maçã) e pinceladas florais (89/100, R$ 105).

França
Pigmentum Cahors Malbec 2012 – Da Georges Vigouroux, de Cahors, no sudoeste, importante berço gaulês da Malbec. A casa deu um salto com seus vinhos a partir de 2009, com a consultoria do enólogo norte-americano Paul Hobbs (que talha belos Malbec na argentina Viña Cobos). A fruta (framboesa, cassis) predomina no Pigmentum (amadurecido em carvalho francês e americano), um vinho com boa estrutura dada por taninos firmes (89/100, R$ 66,67).

Chile
Errazuriz Max Reserva Sauvignon Blanc 2013 – A Errazuriz tem a sua base no centro de Aconcagua, ao norte de Santiago. Mas as uvas deste branco vêm de vinhedos plantados em 2005 em Manzanar, na área costeira do vale, a 12 quilômetros do Pacifico, de clima mais frio. Hedónico e potente, ele impressiona pela complexidade (frutas cítricas e tropicais, tons de aspargos e pimentão, mel), vivacidade e persistência (91/100, R$ 99,20).

Portugal
Dão Porta dos Cavalheiros 2010 – O rubro de entrada das Caves São João, tem na sua fórmula cepas clássicas da região do Dão, no centro norte luso: Touriga Nacional, Alfrocheiro, Aragonés e Jaen.  Parte do vinho (20%) estagiou em carvalho francês. Cerejas, especiaria doce (baunilha, canela) e toques de tabaco marcam o paladar deste tinto prazeroso (89/100, R$ 54,25).

jorge carrara_site

*Escreve também para o site Basilico

Colunas recentes

Colunas