Prazeres da mesa

Riesling do Pacífico

Austrália e Nova Zelandia apresentam vinhos interessantes da cepa e, apesar de vizinhos, de características diferentes

Por: Prazeres Da Mesa | 13.apr.2011

Países de ponta na produção de goles finos, Austrália e Nova Zelândia, apesar de relativamente vizinhos, parecem brilhar em extremos opostos no mundo do vinho. A terra dos cangurus ganhou fama pelos tintos densos e estruturados; como Shiraz, para mencionar apenas alguns, o Grange da Penfolds, o (igualmente lendário) Henschke Hill of Grace, ou o Brokenwood Graveyard Vineyard, e tremendos Cabernet, do estilo do Moss Wood. O repertório das ilhas ao leste inclui também alguns bons Syrah, mas os itens que colocaram a Nova Zelândia no primeiro time vitivinícola foram seus deliciosos Sauvignon Blanc (o da Cloudy Bay foi talvez o primeiro a fazer virar os olhos do planeta para o arquipélago) e belíssimos Pinot Noir, de casas como Rippon ou Felton Road.
Mesmo à primeira vista com vocações tão distantes, os dois cantos do Pacífico se encontram no sucesso com exemplares de uma mesma cepa (que, aliás, é joia rara fora da Europa): a Riesling.
Clare Valley, em South Australia, é um dos grandes berços dos Riesling australianos e a Ilha Sul, com um clima mais frio, a principal fonte dos da Nova Zelândia (nos quais aparece frequentemente certo açúcar residual). São estes os locais de origem dos vinhos de hoje que, secos ou com perfil germânico, novos ou mais maduros, estão entre os melhores brancos da variedade do Novo Mundo (e, de quebra, vêm todos com aquela prática e segura tampa de rosca).

Nova Zelândia

Pegasus Bay 2006. Pinceladas minerais, clássicas da cepa, junto a cascas cítricas dominam o aroma e o sabor. Açúcar residual, equilibrado por boa acidez, aparece dando perfil meio seco e peso em boca a um vinho untuoso e persistente (90/100, R$ 109,50).
Fallen Angel 2008. Especialista em blends rubros, a Stonyridge, assina este branco intenso (frutas cristalizadas, ervas aromáticas), levemente off-dry, mas vivaz em boca, com final longo marcado por toques minerais (90/100, R$ 91,50).
Hunter’s 2009. A criação da adega da viticultora australiana Jane Hunter, mostra sabor intenso e amplo (tons minerais, limão-siciliano, suaves frutas tropicais) embrulhado numa bela acidez que realça o paladar persistente (91/100, R$ 100,50).
Neudorf Brightwater 2006. Dona de belos Sauvignon Blanc e Pinot Noir, a Neudorf faz bonito com este Riesling exuberante (toques defumados e de lima-limão, leve mostarda), denso em boca, com boa acidez (92/100, R$ 87,00, todos na Premium).

Austrália

Grosset Springvale 2008. O exemplar da Grosset, pequena firma de Auburn, ao norte de Adelaide, tem perfil que pende para o lado cítrico (lima, limão-siciliano) com um verniz mineral e de especiaria doce (90/100, R$ 94,36, na Vinci).
Knappstein Ackland 2009. A casa de Tim Knappstein tem belos Shiraz (outra especialidade de Clare) e ricos Riesling, como este, que mescla notas minerais, de mostarda e de lima e limão num paladar longo (90/100, R$ 109).
Leashingham Bin 7 2009. Pioneira no plantio da Riesling em Clare, a Leashingham é autora deste branco com caraterísticas minerais e suaves tons defumados, de bom corpo e acidez e final persistente em que aparecem frutas cítricas (91/100, R$ 129, ambos na Wine Society).
Kilikanoon Mort’s Block 2009. Kevin Mit-chell é o fundador (e o enólogo) da Kilikanoon. Seu pai, Mort, plantou 40 anos atrás a vinha que nutre este vinho potente, complexo (pederneira, bacon, frutas cítricas) de paladar vibrante (92/100, R$ 99,75, na Decanter).

* Jorge Carrara é colunista de vinhos do jornal Folha de S.Paulo e do site Basilico.

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*Escreve também para o site Basilico

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