Prazeres da mesa

Surpresas de celebração

Durante as comemorações de ano-novo, encontros com vinhos que merecem o brinde em 2011

Por: Prazeres Da Mesa | 15.mar.2011

Na deliciosa sequência de comemorações que habitualmente envolve os dias prévios à virada do ano, tive a sorte de encontrar no copo uma série de vinhos interessantes. Alguns são novidades, outros nem tanto, mas há goles para vários tipos de bolso que, penso, valem a pena conferir.

Na ala do novo mundo, uma das adegas que vieram à tona foi a chilena Viña Tarapacá. A casa recebeu um bom aporte em 2006, com a entrada no time de Ed Flaherty, enólogo americano que trabalhou na Cono Sur e na Errázuriz antes de chegar à Tarapacá, dando um viés mais moderno a seus vinhos.

Impressionou um branco da casa, o Gran Tarapacá Chardonnay Reserva 2009 (que no Natal escoltou a contento um bacalhau), com aroma e sabor frutado bem dosado com madeira e uma boa acidez, dando realce ao conjunto (88/100, R$ 46, Épice).

Agradou também um tinto, o Gran Reserva Carménère 2009, intenso (frutas vermelhas, eucalipto, baunilha), bem estruturado, mas com taninos finos (90/100, R$ 46, Épice).

No departamento europeu, a Les Vins de Vienne, empresa francesa do Rhône que já ocupou espaço nesta coluna com os seus Syrah, emplacou um belo branco (que acabou de desembarcar por aqui): o Viognier 2009, um Vin de Pays des Collines Rhôdaniennes, área no extremo norte da região. Denso, tem boa presença em boca e sabor longo marcado pelas frutas brancas (pêssego, pera madura), típicas da uva Viognier (89/100, R$ 60, Cellar).

Outra boa surpresa veio de Portugal, mais precisamente da Bairrada, com os vinhos da Quinta das Bágeiras. Seu proprietário, Mario Sergio Nuno Alves, pertence ao grupo tradicional dos produtores da região. Seus tintos nascem em lagares, e os vinhos da casa são amadurecidos em grandes tonéis avinhados, usados, para evitar a influência da madeira nova. O portfólio da quinta reúne uma boa coleção de tintos, brancos e espumantes, focada na fruta das castas, com alta qualidade de ponta a ponta do portfólio.  

Menção aqui para dois topos de gama. O primeiro é um espumante, o Grande Reserva 2002. Corte de uvas Bical e Maria Gomes, oriundas de vinhas de 75 anos de idade, passou mais de cinco anos com as borras antes da degola. Complexo no nariz e na boca (pão fresco, avelãs torradas, frutas cítricas, praliné), tem paladar seco e cremoso moldado por bolhas finas e abundantes (92/100, R$ 144, Premium).

O segundo é um tinto, o Garrafeira 2005, elaborado com uvas Baga (80%) e Touriga Nacional, que foram fermentadas em lagares e com os cachos inteiros, sem retirar-lhes o engaço. Potente, mescla cerejas, tabaco e especiarias num paladar amplo, longo, equilibrado e com bela textura (92/100, R$ 138, Premium).

Para encerrar, um rubro de outra casa com repertório consistente da base ao topo: a Agriverde, da região de Abruzzo, no centro-leste da Itália. Uma das novidades mais recentes da vinícola a aportar por aqui foi o Plateo 2004. Mas, safra 2004? Novidade recente? Explico. Ícone da casa, o Plateo, elaborado com uvas Montepulciano, amadurece, depois de vinificado, dois anos em tanques de inox, outro tanto em barricas de carvalho francês e idêntico período em garrafa. Chega ao copo depois desse estágio, com cor retinta, untuoso, exuberante no aroma e no sabor rico (frutas vermelhas, kirsch, fumo, especiarias doces), vibrante pela acidez e deliciosamente persistente (93/100, R$ 120, Cellar).

* Jorge Carrara é colunista de vinhos do jornal Folha de S.Paulo e do site Basilico.

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*Escreve também para o site Basilico

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