Prazeres da mesa

Top Ten

Os vencedores do já tradicional concurso da Expovinis

Por: Prazeres Da Mesa | 3.aug.2010

Como já é tradicional, a Expovinis 2010 também contou com uma nova edição do Concurso Top Ten. Dessa vez, a deliciosa maratona etílica, que ocupa normalmente o fim de semana prévio à abertura da feira, contou com 166 vinhos apresentados pelos expositores. As amostras, classificadas em dez categorias, foram avaliadas às cegas por um grupo de jurados que elegia os melhores de cada bateria. Notas e votos de cada um eram registrados numa rede de computadores, que apurava os resultados on-line. Tive outra vez a sorte de formar parte do time e comento a seguir os vencedores deste ano e os vinhos que foram meus destaques (os que estão disponíveis no Brasil têm a casa importadora indicada).

Espumantes Nacionais
A borbulhante abertura dos trabalhos do Top Ten consagrou um exemplar da gaúcha Wine Park: o Gran Legado brut champenoise, um belo corte de Pinot Noir e Chardonnay, de paladar cremoso marcado por pão fresco, fruta, leves tons tostados e minerais. Destaque também para o Stellato, um brut rosado atraente nas frutas vermelhas e brancas e nos toques de levedura, com boa textura, elaborado pela Santo Emílio, uma das vinícolas de Santa Catarina para ficar de olho.

Espumantes Importados
Painel tão minúsculo quanto fantástico. A Itália ficou em primeiro lugar com o Perlé 2002 (importado pela Decanter), da Ferrari, renomada casa do Trentino, que assina alguns dos grandes espumantes do País da Bota (e da Europa). Meu preferido foi um champanhe, o Mont d’Hor, um brut da Lemaire & Fils, uma pequena empresa de Saint Thierry, ao norte de Reims, elegante e frutado (maçãs verdes) com bolhas finas e persistentes, como seu sabor. Ele foi seguido por outro francês, mas do sul do país, de Limoux, o Bulle de Blanquette No 1 Brut 2005, combinando frutas cítricas e tons minerais num paladar com boa acidez (Winery).

Brancos Chardonnay
Brilharam aqui os exemplares nacionais e mais uma vez Santa Catarina, com seus goles nascidos em terrenos de altura, veio à tona. Um deles levou o primeiro prêmio: o Chardonnay 2008, da Villagio Grando, um vinho mesclando fruta e tons de madeira, equilibrado e vivaz, com boa acidez. Meu favorito foi outro catarinense, o Maestrale Integrus 2008, da Sanjo, uma cooperativa de São Joaquim, que mostrou aroma e sabor intenso de fruta bem casada com tons tostados dando forma a um paladar denso.

Brancos Sauvignon Blanc
Na ala dos Sauvignon Blanc, porém, foi a vez de os estrangeiros levarem as palmas. Em primeiro lugar ficou o neozelandês Yealands Estate 2009, um Sauvignon complexo (mel, frutas tropicais e cítricas, suaves toques de arruda e aspargo) intenso e persistente. A Yealands ainda não aportou por aqui, mas seus goles devem aparecer em breve por trás da marca própria de uma cadeia de supermercados.

Outro da Nova Zelândia que também fez bonito foi o Framingham 2008 (Zahil), de paladar amplo e fresco, com bom conteúdo de fruta, que brilhou junto com o Sancerre 2008, do Domaine Raimbault, um atraente branco francês rico nos toques cítricos e minerais (La Cave Jado).

Brancos – Outras castas
Em meio à miscelânea de cepas e à verdadeira festa de sabores e estilos proporcionada por elas, quem levou a taça foi outro exemplar do Pacífico Sul: o Mesh 2007, um tremendo Riesling australiano, com bela estrutura, paladar longo, dominado por tons frutados e minerais (KMM). Dois portugueses também chamaram atenção. Um deles oriundo do Minho, no norte, o Encosta do Xisto Loureiro Colheita Selecionada 2009, um Vinho Verde muito perfumado, refrescante e com certa cara de Sauvignon Blanc. O outro, de Bucelas, no sul, o Morgado de Sta. Catherina Reserva 2007, um Arinto untuoso em boca, combinando frutas em calda e torrefação num paladar ideal para escoltar bacalhau (Interfood).

Rosados
Os goles franceses foram maioria nessa bateria e um deles ficou com o primeiro prêmio: o Château de Pourcieux 2009, um corte de uvas Syrah, Grenache e Cinsault, agradável, marcado por cerejas, com paladar vibrante, pela boa acidez (Cantu). Meu favorito foi outro Côtes de Provence, esse de uvas Grenache, Cinsault e Carignan, o Domaine de Pontfract, com perfil parecido ao anterior, bem frutado e muito persistente.

Tintos Nacionais
O novo ícone da gaúcha Miolo, o Sesmarias 2008, venceu a competição. Oriundo da Fortaleza do Seival, a nova adega da vinícola na Campanha, o tinto, um corte de uvas lusas e francesas, mostrou boa complexidade (baunilha, frutas vermelhas, especiaria) e textura sedosa em boca. Marcaram pontos na minha contagem outros dois representantes gaúchos, o Cabernet Franc 2005, da Valmarino (cerejas, cedro, taninos finos) e o Cabernet Sauvignon Gran Reserva 2007, da Don Candido, macio, com fruta bem definida, sem exagero na madeira.

Tintos do Novo Mundo
A vitória foi dos chilenos, com o Gran Reserva Syrah 2005, da Vinícola Morandé. De fato, um dos bons exemplares do flight, frutado com aquele toque típico de eucalipto e resina dos tintos do país (Carvalhido). Preferi aqui, porém, um Malbec argentino, o Tomero Gran Reserva 2006, da Bodegas Vistalba, um vinho encorpado, com paladar sem arestas, marcado por ameixas pretas maduras (Domno).

Tintos do Velho Mundo
O Touriga Nacional 2007, da Herdade do Esporão, um vinho com forte expressão de fruta, de paladar denso e sedutor, nova criação do chief winemaker da casa, o australiano Dave Baverstock, ficou na ponta (Qualimpor). Outro português, também Touriga Nacional e igualmente 2007, venceu nas minhas notas, o Quinta da Pedra Alta, redondo e atraente pela fruta exuberante, típica daquela sensacional cepa lusa (Grand Cru). Marcaram presença no copo dois espanhóis, de Ribera del Duero, o Arzuaga Reserva Especial 2004 (Decanter) e o Avan Terruño, de Valdhernando (Del Maipo), ambos impregnados do perfume de framboesa, clássico nos bons rubros de uva Tempranillo, outra fantástica cepa ibérica.

Doces
O Justino’s 1995 (Porto a Porto), um saboroso Madeira (caramelo, toques exóticos de goiaba e pitanga, frutas secas), arrebatou o primeiro lugar dessa ala, que teve outros exemplares muito interessantes. Entre eles um Porto, o Tawny 40 Anos, da Burmester, intenso em frutas secas, abricó e toques de açúcar queimado (Adega Alentejana) e outro vinho da chilena Morandé, o Sauvignon Blanc Late Harvest 2007, complexo (manga madura, geleias, cascas cítricas) e com belo equilíbrio entre açúcar, álcool e acidez (Carvalhido).

jorge carrara_site

*Escreve também para o site Basilico

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