Prazeres da mesa

Top Ten

Por: Prazeres Da Mesa | 23.jun.2015

Os premiados da Expovinis em cada uma das categorias do mundo do vinho

 A edição 2015 da Expovinis, décima nona entrada em cena de uma das maiores feiras etílicas da América Latina, abrigou uma nova edição do já tradicional concurso Top Ten, no qual elegem os melhores vinhos entre os exemplares inscritos na competição pelos expositores.

Este ano o protocolo do evento foi idêntico ao do anterior. Os vinhos, classificados em dez categorias, espumantes (nacionais e importados), brancos (idem), rosados, e tintos nacionais, do Novo Mundo e do Velho Mundo (aqui divididos em ibéricos e o resto do continente) e finalmente doces e fortificados, foram avaliados às cegas, sabendo o tipo, mas não o vinho específico que estava sendo servido, por um grupo de degustadores, dividido em dois times, composto por membros da Associação Brasileira de Sommeliers, do Senac, da Embrapa, sommeliers e jornalistas da área. As notas eram registradas pelos jurados em tablets ligados a um sistema que compilava os resultados online.

As baterias mais extensas foram avaliadas pelos times em separado, cada um com parte das amostras, escolhendo os melhores goles para um tira-teima final no qual o conjunto do júri consagrava o vencedor. As séries menos numerosas eram também provadas por todos escolhendo o campeão numa única degustação.

A seguir os vencedores do Top Ten, junto a outros que merecem menção.

Espumantes Nacionais

As borbulhas do Rio Grande do Sul levaram (mais uma vez) a taça, alçada este ano por uma jovem vinícola, a Aracuri, de Campos de Cima da Serra, no norte do estado, que venceu com seu Chardonnay Brut 2014, um belo espumante esbanjando fruta (maçã madura, leve limão) cremoso, saboroso e persistente em boca. aracuri.com.br

Menção para outra casa gaúcha, a Perini, de Farroupilha, com seu Brut N0 1 2008, um corte de Chardonnay e Pinot Noir com 60 meses de envelhecimento com as leveduras, intenso mesclando frutas brancas com toques de pão fresco, com bolhas finas e abundantes. vinicolaperini.com.br.

Espumantes Importados

A Georges de la Chapelle, uma empresa familiar de Côtes de Congy, na borda sul da Côtes de Blanc, na Champagne, com 20 hectares de vinhas na região gaulesa, ficou em primeiro lugar com o Cuvèe Nostalgie (70% Chardonnay, 15% Pinot Noir, 15% Pinot Meunier, quatro anos de envelhecimento antes da degola), complexo, combinando fruta, pinceladas de brioche e leves tons minerais e tostados, equilibrado e persistente em boca. georgesdelachapelle.com.

Portugal também marcou pontos com o Terra do Demo 2012 da Coperativa Agrícola do Távora, em Távora-Varosa, área demarcada entre o Dão e o Douro, no centro-norte do País. Elaborado com uvas Malvasia Fina, exibiu um paladar rico, com boa acidez, unindo frutas brancas e cítricas com suaves tons de pão fresco. Importado pela Jobtotal, tel. 11-3280-9611.

Brancos Nacionais

Aqui o destaque ficou com vinhedos de altura de Santa Catarina. O triunfador foi um Sauvignon Blanc, uma especialidade da região, da vinícola Perico: o Vigneto 2014, intenso nas frutas tropicais, com marcada acidez, longo em boca. perico.com.br.

Brilharam no copo outros dois catarinenses 2014 da cepa. O da Vila Francioni, frutado, equilibrado, denso em boca. vilafrancioni.com.br. O outro da Suzin, rico na  fruta (maracujá, leve grapefruit ), persistente. vinicolasuzin.com.br. Os três mostraram claramente que hoje alguns Sauvignon Blanc do estado nada devem a muitos similares sul-americanos .

Os gaúchos também marcaram presença com o Acordes 2014 da Cooperativa Vinícola Garibaldi, um Chardonnay de corpo médio com bom conteúdo de fruta e tempero firme de madeira, de final agradável. vinícolagaribaldi.com.br.

Brancos importados

Outro Sauvignon Blanc, mas chileno, subiu ao topo do pódio: O Casas del Toqui 2014, primeira safra comercial deste vinho, elaborado com uvas de um vinhedo plantado em 2009 em Paredones, a quatro quilômetros do Pacífico, na área costeira do Vale de Colchagua. Potente, combina frutas cítricas (limão siciliano, tangerina) com toques verdes, minerais e de mel, num paladar realçado por boa acidez. Bodegas de los Andes.

Menção nesta para a França pelo Riesling Tradicion 2014 da Cave de Turckheim, uma cooperativa da região da Alsácia, no leste gaulês, um branco vivaz em boca, com sabor atraente (frutas, certo mineral), de boa tipicidade e persistência. cave-turckheim.com.

Rosados

Os vinhos franceses da região da Provence dominaram a categoria e um deles conquistou a ponta na final: o Cellier Saint Sidoine 2014, uma mescla de uvas Grenache, Syrah, Cinsaut, Morvèdre,Garignan e Tibourem, untuoso, marcado por frutas tropicais, cítricas e de suave groselha. herve.bazet-simoni@orange.fr.

Tintos Nacionais

Tal como na bateria de espumantes, os vinhos gaúchos levaram os louros. Venceu o Cabernet Franc XVIII 2012 da Valmarino, de Pinto Bandeira, vinícola que com um vinhedo de pouco mais de três hectares desta variedade é uma especialista desta cepa (em alta em terras sul-americanas). Frutas vermelhas bem combinadas com madeira (14 meses em barricas) rodeadas de taninos finos que dão boa textura a um paladar elegante deram o prêmio a este tinto. valmarino.com.br.

Fez igualmente bonito um rubro do Vale dos Vinhedos, perto de Bento Gonçalves: o Pizzato DNA 99 2011, um atraente Merlot com estágio de 15 meses em carvalho, estruturado, mas sedoso em boca combinando fruta (cereja, framboesa) suave baunilha e chocolate num sabor longo. O melhor vinho da Pizzato que já provei. pizzato.net.

Tintos do Novo Mundo

No tira-teima mediram forças goles da Argentina e do Chile. Os platinos conquistaram a taça com o Renacer 2011, um Malbec da Bodegas Renacer (que, curiosamente, pertence a um chileno, o empresário Patricio Reich) que agradou pela sua fruta bem condimentada por madeira dando forma a um paladar exuberante, com final delicioso. cristian.reich@bodegasrenacer.com.ar.

Outro Malbec da Renacer ficou perto do primeiro, o Punto Final Reserva 2013, igualmente intenso e atraente. Completa o meu pódio outro exemplar de Mendoza, o Benegas Lynch Cabernet Franc 2006, elaborado com uvas de uma vinha com 120 anos de idade, concentrado mas prazeroso, com taninos firmes que embrulham um núcleo frutado. Calix.

Tintos do Velho Mundo I (Espanha e Portugal)

Os goles lusos ocuparam o centro do palco. Um vinho do Alentejo, sul do país, o Pêra-Grave Reserva 2011, da Quinta de São José de Peramanca, vizinha a cidade de Évora, levou a medalha de ouro. Talhado pelo enólogo Nuno Cancela de Abreu com uvas Syrah, Touriga Nacional e Alicante Bouschet e envelhecido por 18 meses em carvalho francês, é concentrado, com paladar frutado (ameixas pretas maduras), bem estruturado, com taninos firmes. r.amorim@luxuridrinks.pt.

Paragrafo aparte para o Manz Cheleiros Pomar do Espirito Santo 2012, da região de Lisboa, sudoeste de Portugal, um Touriga Nacional-Syrah-Alicante Bouschet com aroma frutado- floral que parece querer pular do copo, macio, com final longo e delicioso. Lusitanus Brands, tel. 12-3881-1317.

Tintos do Velho Mundo II (sem Espanha e Portugal)

Triunfou a Itália com um exemplar da Toscana, o A Sirio da Azienda Agricola San Gervasio, um Sangiovese quase “in purezza” (tem uma pontinha de Cabernet), interessante nos aromas de fruta e nas pinceladas mentoladas, encorpado com boa estrutura. Zahil, tel. 11-3071-2900.

A surpresa das provas foram dois franceses 2013 da região de Beaujolais, na Borgonha, que tiveram boa performance na final: o Beujolais (nem Villages era) e o Brouilly do Domaine Louis Tête, frutados e prazerosos, com bom peso  em boca, mostrando pela densidade (especialmente o Brouily) certa cara de tinto do sul do Rhône. chloe.comparet@signe-vignerons.com

Doces e fortificados

Foi a última degustação do concurso e também a que deixou em evidência o exemplar com a mais alta pontuação do evento, um tremendo Moscatel de Setúbal, península frente a Lisboa, do outro lado do Tejo: o José Maria da Fonseca Alambre 20 anos, sedutor no nariz e idem em boca, unindo abricó, nozes, toques de caril, certa torrefação, modelando um sabor que perdura por minutos na boca. Decanter.

Ele teve a maior média de notas dos jurados (93,5 pontos em 100) e fez jus também a um novo prêmio criado este ano: o troféu José Ivan Cardoso dos Santos, nome do engenheiro, professor do Senac, autor de livros sobre o Mundo de Baco, organizador do Top Ten desde sua primeira edição e, o ponto mais importante no seu currículo, uma personalidade querida, que faleceu há pouco tempo. Galardão para grande vinho; homenagem a grande figura.

Jobtotal, tel. 11-3280-9611.

Bodegas de los Andes, tel. 11-5182-2401.

Calix, tel. 47-3326-0111.

Decanter, tel. 11-3702-2020.

jorge carrara_site

*Escreve também para o site Basilico

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