Prazeres da mesa

Velho Mundo com bons preços

Por: Prazeres Da Mesa | 2.oct.2015

Com o dólar e o euro disparados, achar vinhos de qualidade com valores atraentes virou tarefa difícil. Quando os achamos, devemos brindar

Com as moedas estrangeiras cotadas nas alturas fica cada vez mais difícil encontrar bons vinhos a preços que não ultrapassem 100 reais fora do portfólio sul-americano, que não sofre taxas de importação. Boa notícia quando surgem alguns, como os goles de hoje, com valores um pouco mais agradáveis ao bolso. Eles são oriundos de dois grandes países vitivinícolas do Velho Mundo e foram descortinados nas últimas semanas por produtores em visita ao Brasil para divulgar seus vinhos. Portanto, é hora de brindar.

ITÁLIA

Castello d’Albola

Encravada no coração da Toscana, no centro da península, a Castello d’Albola pertence ao grupo Zonin, importante conglomerado italiano com 11 vinícolas distribuídas de norte a sul do país. A propriedade, que tive a sorte de visitar anos atrás, abriga cerca de 150 hectares de vinhas (onde predomina a Sangiovese, a estrela do lugar), uma moderna cantina e um conjunto de construções medievais entre as quais se destaca um belíssimo castelo (com jardins idem) do século XII.

Alessandro Gallo, nascido no norte, no Piemonte, formado em enologia em sua terra natal e responsável pelos goles da casa, apresentou em São Paulo os exemplares que assina, rubros que primam pela fruta, uma espécie de marca registrada de Albola.

Albola Chianti 2013 – Mescla Sangiovese (95%) com outra cepa típica daqueles terrenos: a Canaiolo. Passou 12 meses em barris de carvalho. Frutas vermelhas marcam um paladar macio e com boa acidez, que lhe confere vivacidade (avaliação: 88 pontos em 100, R$ 61,20).

Castello d’Albola Chianti Classico 2011 – De fórmula idêntica à do anterior, Sangiovese-Canaiolo, estagiou também um ano em tonéis. Mostra bom corpo e estrutura dada por taninos finos que envolvem um núcleo frutado temperado por pinceladas de especiaria (90/100, R$ 94,95). Importado pela Devinum, à venda na winemeup.com.br

Diego Conterno

Pequena (e jovem) vinícola de Monforte d’Alba, no Piemonte. Foi criada em 2003 por Diego Conterno e tem cerca da 7,5 hectares de vinhas na região, dos quais brotam aproximadamente 45.000 garrafas de vinho por ano. Stefano Conterno, filho de Diego e igualmente enólogo, divide com o pai as atividades na cantina. Ele conduziu a degustação, um portfólio que conta com belos Barolo (infelizmente, a valores que os afastam dos bolsos dos mortais), mas também com um Dolcetto e um Barbera dignos de menção.

Diego Conterno Dolcetto d’Alba 2012 – Elaborado sem contato com madeira. Atrai pelo perfil frutado (groselha) e o paladar redondo. Um tinto saboroso do início ao fim. (88/100, R$ 82).

Diego Conterno Ferrione Barbera d’Alba 2011 – Passa cerca de seis meses em tonéis de carvalho. Mostra boa textura e agradável acidez, típica da cepa, que realça a fruta (framboesa), e dá vida a um sabor equilibrado e persistente (90/100, R$ 90). Casa Europa.

PORTUGAL

Quinta do Mondego

Propriedade familiar da região do Dão, no centro norte da Terrinha. Joana Cunha, filha dos proprietários e winemaker da casa, esteve à frente da prova dos goles da adega que teve lugar também em São Paulo. A Quinta do Mondego, que conta 20 hectares de vinhas que se estendem ao longo do Rio Mondego, um dos dois mais importantes da região, estreou na safra 2004 e tem construído um portfólio de bons vinhos desde a base até o topo. Dois da linha de entrada chamaram atenção:

Mondeco Branco 2013 – Combina Encruzado (40%), Gouveo (40%), Cercial e Bical. Cerca de 10% do vinho fermentou em barricas. Combina tons cítricos e minerais num sabor realçado por bela acidez. Ótima companhia para um peixe grelhado (88/100, R$ 66,68).

Mondeco Tinto 2009 –Elaborado com uvas Tinta Roriz (40%), Alfrocheiro (20%), Touriga Nacional (15%), Jaen (15%) e Baga. A fruta (ameixas-pretas) domina a cena. Tinto equilibrado, sedoso, para resumir numa palavra: delicioso. (90/100, R$ 66,68). Vinci.

jorge carrara_site

*Escreve também para o site Basilico

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