Prazeres da mesa

YUM, A NOVA GERAÇÃO?

Por: Prazeres Da Mesa | 2.may.2017

Quem já ouviu esta expressão sabe bem do que estou falando. Quem ainda não ouviu vale muito a pena conhecer.

Babyboomers, geração X, Y, Millenials e Indigo. E agora uma entrada nova: a geração Yum, termo criado pela jornalista e escritora Eve Turow para descrever jovens da geração Millenials, apaixonados por gastronomia. Em teoria, eles buscam não apenas lugares badalados da moda, querem ir além, ter uma experiência única e, com isso, estão dispostos a dirigir por horas em busca de produto ou sabor diferente.

Esses jovens desejam extrair o melhor das experiências gastronômicas, valorizam muito a diversidade culinária, gostam de descobrir alimentos ou mesmo outras formas de preparo em verdadeiras viagens de sabor. É uma geração que, felizmente, tem prazer em apreciar todo o processo de desenvolvimento de produtos em especial, aqueles mais artesanais. Levam a cadeia produtiva muito a sério, apreciam com ansiedade, porém, com respeito, o tempo natural necessário para a produção dos alimentos que exigem tempo mais longo de cura, maturação etc.

O desejo de vivenciar uma experiência única faz com que consumam produtos com história e envolvimento. Outro ponto interessante é que essa geração aloca recursos na gastronomia, pois tem colocado o prazer de comer em primeiro lugar na lista de necessidades. Ou seja, movimentam o comércio de supermercados, bares, lanchonetes e restaurantes, visitam mercados e eventos de gastronomia à procura de algo personalizado.

Você deve se lembrar da expressão: “Tenha um filho, escreva um livro e plante uma árvore”, certo? Atualmente, precisamos fazer muito mais que isso para alimentar a alma, queremos imprimir nossa marca e, com isso, às vezes, um bom jantar no restaurante estrelado, ou não, de que gostamos é suficiente para nos fazer mais felizes…

     Sob a perspectiva da carne, essas experiências únicas e felizes, começaram com o dry aged, processo superartesanal. Lembro até hoje a primeira vez que estive na casa de um conhecido e vi três geladeiras cheias de lombos bovinos maturados a seco. Daí, pensei What a F@*%!!!  Onde estou?!!. Tinha visto algo parecido apenas em lojas muito especializadas, fora do Brasil, e estava naquele lugar feito criança olhando a maior vitrine de brinquedos do mundo!

A charcutaria artesanal, curados, defumados e secos também são ótimo exemplo de comida com alma. Tenho recebido vários convites (tenho aceitado todos com o maior prazer e querendo cada vez mais!) para conhecer diferentes tipos de produção, desde uma copa de porco berkshire a uma guanciale, larco, pancetta e diversos outros tipos de bacon. Estamos resgatando e valorizando a produção de alimentos artesanais. Algum de vocês deve ter-se arriscado a produzir uma linguiça em casa, a experiência é muito interessante e agregadora, mas o melhor mesmo é convidar os amigos, colocar o papo em dia e produzir algo juntos, algo que tenha aquele sabor que ficou na memória por alguma razão ou mesmo para perpetuar ou resgatar receitas de família. Observar produtos que podem levar semanas ou meses para ficar prontos cria uma relação especial com o sentido da alimentação, o que difere muito da simples compra de um alimento. Gostaria de indicar alguns produtos para testar em casa, na companhia de amigos.

Guanciale – Preparado com as bochechas do porco, daí o nome (guancia, em italiano, é bochecha). Essa carne é envolvida em sal e pimenta-do-reino, e curada por três semanas. Seu sabor é mais forte que o de outros produtos feitos de carne de porco, como a pancetta, porém a textura é mais delicada.

Lardo – É a camada de gordura existente embaixo da pele de certas partes do porco. É muito utilizada na culinária de diversos países, como o lardo italiano, curado e temperado com alecrim. O lardo mais famoso, provavelmente, é o do vilarejo de Colonnata, ao norte da Toscana, onde

o produto é feito desde a Roma Antiga.

Colonnata – É uma frazione da cidade de Carrara, conhecida pela qualidade da produção de mármores. O lardo local é curado por meses em uma bacia feita com o mármore local. O lardo de Colonnata é detentor, atualmente, de Denominação de Origem Protegida.

Pancetta – Dita panceta, na Espanha, é um tipo de carne suína curada e seca. Típica da Itália, país onde se originou, consiste de barriga de porco curada no sal, previamente salgada e temperada (com noz-moscada, pimenta, funcho, alho etc.), e seca por cerca de três meses (porém, não é defumada).

Biltongs – Rendi-me há alguns anos e produzo  biltongs, carne-seca curada em especiarias, o beef jerky da África do Sul.  Em uma viagem a Dubai, tive contato com o produto em um restaurante pequeno, misto de açougue e casa de carnes e achei delicioso. Comecei a testar em casa, deu certo.

Seriamos nós beef yummers? Desafio lançado!

Flavio Saldanha

É um profissional da carne que representa a quarta geração de uma família que trabalha o produto com amor e dedicação.

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