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Conheça Antonio Morescalchi, da Alto Las Hormigas

Sócio do conhecido enólogo-consultor Alberto Antonini conta as perspectivas de futuro no mercado

Por: Prazeres Da Mesa | 19.aug.2015

Por Marcel Miwa
Foto divulgação

_DAN6145O estande da importadora World Wine contou com a presença do italiano Antonio Morescalchi, sócio do conhecido enólogo-consultor Alberto Antonini, no projeto Alto Las Hormigas, em Mendoza. Abaixo uma breve conversa sobre o futuro de Alto Las Hormigas e os vinhos argentinos.

PDM – Desde a fundação da vinícola, em 1995, já estavam certos sobre o potencial de Mendoza?

Antonio Morescalchi – Quando viajei com Antonini para a América do Sul neste início da década de 90 já tínhamos em mente comprar um vinhedo apenas não sabíamos onde. Mendoza nos chamou a atenção primeiro pelo potencial da Malbec, uma variedade com personalidade bem marcada e singular, e depois pela cidade que vive o tema da cultura do vinho, isto não ocorre no Velho Mundo.

Por muitos anos a vinícola teve uma linha de produtos bastante enxuta, com apenas dois Malbecs e um Bonarda. Hoje ALH tem uma linha maior de vinhos, com diversos Single Vineyards de Malbec (diferentes vinhedos de Malbec). Quando e como foi este processo de ampliação do catálogo?

Isto foi um processo natural. Sempre colhemos os vinhedos por parcelas e fermentamos em tanques separados, normalmente notamos as diferentes expressões nos vinhos de cada tanque. O grande salto, no entanto, para a criação dos single-vineyards foi a entrada de Pedro Parra no projeto, em 2007. Seu trabalho de pesquisa de terroir e geologia nos permitiu encontrar as zonas exatas em Vista Flores, Altamira e Gualtallary para fazer estes vinhos. Assim nasceu na safra 2011 o ALH Altamira, em 2012 o ALH Gualtallary e mesmo criado em 2006, o ALH Vista Flores ganhou novo caminho depois de 2007. E todos 100% Malbec.

Em todos os casos são vinhos potentes. Como mostrar a individualidade de cada terroir em meio a tanta potência?

De fato a Malbec tem uma expressão originalmente intensa. No entanto, suas nuances respondem bastante ao local onde a vinha está plantada, tanto nos aromas quanto na textura e profundidade. Também é importante ressaltar o trabalho de enologia: nossas fermentações são todas espontâneas (sem adição de leveduras comerciais), trabalhamos com pigeage em vez de remontagens para ter uma extração mais delicada das cascas e não utilizamos barricas de carvalho, apenas foudres de 3.500 litros com madeira sem tosta.

Cada vez mais vemos esta enologia menos intervencionista. Isto é uma tendência?

Posso dizer sobre o nosso caso e temos o privilégio de contar com um enólogo talentoso e humilde, o chileno Leo Erazo. Além da supervisão de Antonini e consultoria de Attilio Pagli, renomado enólogo toscano, Leo tem a capacidade, sensibilidade e humildade de se colocar à serviço do terroir e não querer ser o protagonista. Normalmente, os enólogos odeiam o terroir, pois querem ser a “primadonna” do vinho.

Além da Malbec, ALH também faz um Bonarda. Até onde se pode chegar com esta casta?

Comparo a Bonarda com a Barbera ou a Dolcetto no Piemonte, que estão um degrau abaixo da Nebbiolo e nem por isso são menos atrativas. A Bonarda pode ser a casta número 2 da Argentina, que feita com cuidado pode ter estilo e personalidade capaz de entregar muito prazer, principalmente à mesa. O importante é buscar um vinho autêntico.

 

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