Category Archives: Turismo

Panorâmicas

Panorâmicas

Fotos tiradas com o recurso foto panorâmica da câmera: claro que não são perfeitas, mas ajuda a dar uma melhor noção de cenários amplos. Clique nas imagens para ampliar.

No topo da cidade fortificada em Eze Village (França).

Côtes D'Azur na vista do alojamento do restaurante Mirazur, em Menton (França).

Foto tirada da fronteira da Itália com a França (o Mirazur é o prédio branco exatamente no meio da imagem).

O mar de iates em Mônaco.

Mais uma vista de Mônaco, do outro lado do principado.

Porto de Gênova (Itália) com o Acquarium ao centro.

Porto de San Sebastian (Espanha) e Playa de la Concha, vista do topo da Praça Jacques Cousteau.

Noite e dia na Plaza de la Constituicion, San Sebastian (Espanha).

Museu Guggenheim, Bilbao (Espanha).

La Rioja (Espanha).

Rio Tâmisa e o "London Eye" (Inglaterra).

Ala dos quadros gigantes no Museu do Louvre, em Paris (França).

Paris e o rio Sena vistos de cima (da torra Eiffel).

Avenida Champs Elysée e o Arco do Triunfo (tentando imaginar as tropas alemãs marchando através do monumento).

Jardins de Luxemburgo... que ficam em Paris!

Babel (2003~2011): o fim de uma fase

Babel (2003~2011): o fim de uma fase

Editamos este filminho para os eventos de encerramento de meu período à frente do restaurante Babel (Brasília/DF). Foram 8 anos participando de festivais gastronômicos Brasil e até mundo afora, além de ter recebido 17 chefs convidados para cozinhar na casa. O vídeo inicia com o depoimento de alguns deles, e começa a ficar animado aos 7:40. Assista:

 

Madame Tussauds/Londres

Madame Tussauds/Londres

Ainda que algumas pessoas não gostem, eu tinha curiosidade de visitar um museu de cêra (ok, hoje em dia não devem mais usar cêra de verdade). Como em minha última visita a NY perdi a oportunidade, resolvi correr atrás do prejuízo na passagem pela capital inglesa.

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Logo na chegada já somos despejados numa sala cheias de cópias de artistas/personagens famosos, como 007 e “M”.

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Nem todos estão igualmente bem feitos. O que mais trai é o brilho da pele e o olhar. Mr Duro de Matar – Bruce Willis, está perfeito.

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Em certo momento me detive para não cruzar à frente de uma moça que fotografava uma peça. Levei alguns segundos até notar que tanto a moça quanto o fotografado eram estátuas. Acima, Morgan Freeman.

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Back from the dead: Amy Winehouse.

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Também ressurgido das cinzas, we-will-we-will-rock-you-Fred-Mercury.

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Na seara esportiva, pela F1, os ingleses foram bem bairristas e puseram Hamilton, em detrimento de Ayrton Senna (ou mesmo Schumacher). No futebol se lembraram do Brasil ao colocar Pelé, junto com Cristiano Ronaldo e Beckham, mas o bairrismo se repetiu porque a cópia do inglês estava bem melhor.

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Entrando no setor de personalidades políticas e realeza, a rainha Elizabeth e o príncipe Philip estavam realmente muito bem feitos.

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A partir deste ponto, fotos que vão agradar as crianças (as minhas, pelo menos!): um príncipe em trajes medievais de combate.

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Guarda real… o da esquerda, claro.

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Existem duas atrações adicionais. Um é o Scream, um sombrio labirinto com atores vivos cujo único propósito é assustar os visitantes. Outro é o Marvel Cinema 4D, onde um filme 3D com os super-heróis é aditivado com efeitos extras como vento e água. Um dos personagens é o Homem-de-Ferro.

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Outro no filme era o Hulk, cuja estátua era gigante como nos desenhos/filmes atuais, tão diferentes do antigo trabalho de Lou Ferrigno.

O que fica dessa visita? Nada! É entretenimento puro e simples. Vista-se de um espírito infantil, tiete ou papparazzi, senão é melhor nem ir.

Um dia de Superman

Um dia de Superman

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O planeta Krypton estava prestes a ruir, e Jor-El decide mandar o filho Kal-El para um distante planeta azul – a Terra. A razão de sua escolha é o sol amarelo que banha o astro, capaz também de conferir poderes extras aos criptonianos. Surge, assim, o Superman.

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Após quatro dias de céu cinza, chuva initerrupta e tempo frio, hoje o tempo mudou em San Sebastián. O frio continua lá, mas o céu apareceu pintado num belíssimo azul-de-photoshop. É a senha para colocar as pessoas na rua! Acima está a Igreja San Vicente, atrás da qual fica minha hospedaria.

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Outro ponto turístico avistável aqui da hospedaria é o Museu San Telmo. Fica na encosta do Monte Urgull, que tem no topo o Castelo de la Mota.

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Todos os lugares que mencionei até agora ficam na parte velha da cidade, um labirinto de ruas restritas aos pedestres e apinhadas de jatetxeas (restaurantes e bares de pintxos). Lá no meio, porém, há também a Igreja Santa Maria.

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Sigo em passo firme rumo à praia, encontrando no caminho o prédio do Ayuntamiento, para só depois descobrir que isso significa prefeitura.

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Entre o cais e o monte Urgull fica o espaço acima, com um restaurante, o Aquarium, e a praça Jacques Cousteau.

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Eis a Playa de la Concha. Como falei, o tempo está frio, portanto há poucos frequentadores. Mesmo assim algumas almas corajosas entram na água.

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A orla está repleta de pessoas passeando, andando de bicicleta e correndo. Aqui e acolá podem ser vistos cidadãos se preparando para praticar esportes náuticos.

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Mas o que se vê por todos os lados são pessoas lagartixando, tomando banho de sol (tinha até gente de bermuda, camiseta de alcinha, passando protetor solar!), sentadas, e até refesteladas tirando uma soneca.

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Pra mim não é muito diferente, só preciso complementar isso com um bom sorvete de pistache e de chocolate amargo. Parafraseando o Super-Homem, “I get funky high on yellow sun”. E com licença, pois tenho de recarregar minhas baterias!

Três motivos para visitar Nice, especialmente se você for cozinheiro

Três motivos para visitar Nice, especialmente se você for cozinheiro

No dia 23 publiquei um post falando da ida a Nice Ville, visita que realmente adorei. Se você trabalha com gastronomia ou é um aficcionado gourmet, vou agora dar 3 motivos para você colocar essa cidade em sua lista de destinos prioritários.

Um deles mereceu nota exclusiva: a boutique de azeites grand cru Nicolas Alziari. Saiba mais acessando o post aqui mesmo deste blog (clique aqui) ou direto no site da empresa (aqui neste link).

Certo dia, seguindo dica do chef-poissonier do Mirazur, entrei num site francês com muitos equipamentos, utensílios de cozinha, e produtos para cozinha molecular.

Navegando no Panier des Chefs (acesse clicando aqui) meu espírito consumista foi à loucura, e a vontade era comprar tudo que via. Descobri depois, para minha surpresa, que a empresa fica sediada em Nice, onde tem também um show-room.

Outra vontade era dar uma renovada/reforçada nos meus uniformes de cozinha, especialmente dólmans de manga curta, item que ainda não tinha. As grifes francesas das quais já tinha ouvido falar eram Bragard e Clement.

Qual não foi minha surpresa quando, três dias antes de encerrar meu período no Mirazur, aparece no restaurante exatamente uma representante da Clement Design?!

Acabei comprando duas jaquetas, uma delas a da foto (modelo Tokyo), e a outra modelo Madere.

O site da empresa apresenta um slide-show com vários chefs e restaurantes de diversos pontos do globo posando com seus uniformes (acesse clicando aqui).

Quando perguntei de onde era a Clement a resposta foi… Nice!

Realmente eu já tinha gostado da cidade e colocado na lista de “vale a pena ver de novo”. Da próxima vez prometo fazer melhor meu dever-de-casa e pesquisar antecipadamente para não deixar de visitar estas empresas e outras similares.

 

Nice Ville é tudo de bom!

Nice Ville é tudo de bom!

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Dia de folga? Dia de passeio! Fui com a garotada – os estagiários, conhecer Nice Ville. Na foto, da esquerda pra direita: Pedro (tapas e entradas quentes), Rodrigo (pâtisserie), Juan e Florência (garde-manger), e Diego (boulangerie e pâtisserie).

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Desembarcando, logo em frente à estação já encontramos uma bateria de bicicletas públicas. Não custa muito o aluguel diário; a habilitação semanal custa pouco mais do que para um único dia; a mensal pouco mais que a semanal; a anual pouco mais que a mensal (ou seja, diluindo, o aluguel anual é uma pechincha!). O problema é que só se aluga adquirindo um cartão de adesão e fazendo um depósito de caução, um pouco trabalhoso demais para visita de um dia. Planos frustrados.

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Almoçamos logo ali, no que nos pareceu um apetitoso buffet de comida oriental, com pratos vietnamitas, chineses e tailandeses. Pouco depois descobrimos que a região era infestada de casas parecidas e buffets idênticos.

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Para nossa surpresa havia à venda cervejas desses mesmos países. Aproveitamos para fazer uma degustação. A última tinha características gustativas mais tradicionais, mais ocidental, e por essa razão fez mais sucesso entre os presentes. Tive de discordar, afinal, o que seria do verde se todos gostassem de amarelo?! Onde fica o terroir?

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Seguimos por uma larga avenida – a Jean Médecin, com muitos hotéis, cafés, restaurantes, e um comércio forte repleto de lojas de vestuário.

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Encontramos uma igreja, dessas que parecem ter saído de um filme sobre a Idade Média. Se já a tínhamos achado bela desse jeito, imagine…

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… quando passamos novamente à noite e a encontramos iluminada!

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Mais à frente chegamos a Masséna, uma ampla área aberta com um pátio de um lado, parques arborizados e fontes.

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Durante o dia, diante de tantas coisas a serem vistas, pode ser até que alguns detalhes escapem ao olhar do visitante.

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Olhando para cima, no topo de altíssimos postes, várias estátuas de figuras sentadas ou agachadas.

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Cai a noite e as figuras ganham um efeito cromático modernoso, do tipo “piscina de Casa Cor”. E, acreditem, toda a área ganha um ar mais fashion!

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A mesma avenidona que nos trouxe desde a estação de trem desemboca numa grande e imponente fonte. Linda.

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Duas ou três travessas depois chegamos à praia, bastante freqüentada, apesar de ser de pedras (o que é comum por aqui). No lado esquerdo existe um pontão mais elevado…

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… e nele uma agradável praça com visual incrível e um grande relógio solar ao centro.

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O cadran solaire foi inaugurado há 30 anos e funciona mesmo! Existe um pequeno quadro de instruções para fazer ajustes (de até mais ou menos 10 minutos) ao longo dos meses do ano e mudança na inclinação solar.

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Na volta passamos pelo centro antigo e nos deparamos com isso aí.

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Muito convidativo, especialmente porque a toda hora algum artista de rua parava em frente e fazia alguma performance musical. No período que ficamos por lá se apresentou uma jovem dupla (de violão e violino) e um senhor tocando acordeon.

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Happy-hour? Hora de bebida com desconto! Experimentamos praticamente todas as bieres a la pression, incluindo duas frutadas de maçã e de cereja (a última um pouco doce e enjoativa, como Cherry Coke).

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Seguimos caminhando e descobrimos que a região fervilha à noite, tão diferente de minha cidade-base (Menton). O grupo se separou e uma parte foi jantar (um menu de trufas no restaurante Le Grand Balcon, com já foi anteriormente publicado aqui).

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No final da noite nos reagrupamos num pub irlandês pra ouvir música boa, assistir uma partida de tênis e tomar a saideira.

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Nos despedimos da estátua da fonte e pegamos o caminho da roça, rumo à estação de trem.

Nicolas Alziari – azeites grand cru, desde 1868

Nicolas Alziari – azeites grand cru, desde 1868

Nice Ville é uma cidade ao gosto dos brasileiros: belas praias (ainda que de pedra), um belo céu anil, mar ainda mais azul, e um pôr-do-sol lindo. As ruas são cheias de lojinhas, cafés e restaurantes, animadas por muitos artistas de rua.

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É preciso um olhar atento para não deixar passar despercebida a lojinha de meros 30 metros quadrados na rua St François de Paule.

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É a boutique de azeites grand cru Nicolas Alziari, uma moulin que existe desde 1868 e a única sobrevivente de uma região outrora rica em moinhos semelhantes.

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A boutique tem fachada congestionada de latas, utensílios e ingredientes de cozinha, não mais charmoso do que uma delicatessen qualquer. Entrando descompromissadamente, porém, o perfume do ambiente nos atinge como um golpe de Anderson Silva. Azeitona, azeite e ervas inundam as narinas e abrem o apetite imediatamente.

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As paredes são repletas de produtos não só derivados de olivas, mas também outros produtos da região, sempre ligados à cozinha mediterrânea.

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Vai presentear? Não precisa quebrar a cabeça: há uma mesa repleta de kits de todos os tamanhos e valores já prontos.

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Equipamentos e peças antigas do moinho enfeitam o ambiente, e, no meio do diminuto espaço, barris de madeira oferecem azeitonas de cores e tamanhos diferentes para degustação e compra.

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A Nicolas Alziari tem outra loja dentro da propriedade da moulin, e as visitas guiadas são gratuitas. Não consegui ir lá conferir, mas isso não me dá uma boa desculpa pra retornar a Nice?!

Sonho de consumo: o mercado público de Ventimiglia

Sonho de consumo: o mercado público de Ventimiglia

Ok, não estou aqui pra fazer apologia a estrangeirismos e nem depreciar os produtos e mercados brazucas. Cada localidade tem seus fortes e fracos na produção alimentar, suas particularidades, tipicidades, sazonalidades e terroir. Quero simplesmente compartilhar um local espetacular para compras, sonho de qualquer cozinheiro: o mercado público de Ventimiglia, primeira cidade na Itália logo depois da fronteira.

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Saindo do restaurante Mirazur (que fica a uns 50~100 metros da fronteira), de carro, leva-se uns 10 minutos até o mercado por estradas/ruas apertadinhas.

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A diferença de Menton/FRA pra Ventimiglia/ITA, apesar de próximos, é berrante. Isso é visível na movimentação na rua, no perfil da população e na algazarra pública, especialmente nas cercanias do mercado, movimentadíssimo.

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O mercado tem um pequeno setor de pescados, com área de atendimento que não deve chegar a 100 m2. Mesmo assim, a variedade é impressionante.

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Lá encontrei pela primeira vez alici fresco…

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… e esse peixinho que quase só tem cabeça!

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Algumas das bancas ostentam orgulhosamente peixes-espada.

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Mais uma das novidades foram esses primos nanicos dos linguado.

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Polvos fresquíssimos e lulas de cores, tamanhos e formatos variados.
Pescados e frutos-do-mar de qualidade não têm perfume forte, apresentando simplesmente um “cheiro de mar”. Apesar de ser este o caso, a peixaria não é o forte desse mercado.

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Uma das laterais do prédio é tomada por lojas, algumas delas com charcuterie e queijos pra lá de sedutores.

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Noutra das lojas um simpático senhor se dispõe a me atender em inglês. Descubro que ele produz os vinhos dispostos nas prateleiras, que se alternam com produtos trufados e também com os próprios fungos. Informou-me que as trufas brancas de Alba começam a aparecer este mês.
Mas essa fileira de lojas também não é o maior atrativo do mercado de Ventimiglia.

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Existem lojas e bancas de ervas, flores e plantas, tanto artificiais quanto naturais. Assim como em tantos outros mercados, são só acessórios da feira.

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Por fim chegamos a uma fileira de bancas pequenas: são os petit producteurs de orgânicos, onde vamos garimpar produtos premium para o cardápio do restaurante.

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Pode-se, por exemplo, encontrar olivas frescas ou em conserva, elaboradas pela própria pessoa que a cultiva… e degustar in loco também!

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Há um senhor que produz queijos e que não te deixa sair da banca dele sem experimentar no mínimo um par de variedades. Comprei uma mozzarela branquíssima e servi aos colegas de trabalho com uma goiabada trazida do Brasil: Romeu & Julieta de ajoelhar e rezar.

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Um dos pratos que sai de minha partie se chama ragout de courgette, que vêm a ser as abobrinhas, em francês. Entram no mínimo 5 variedades sempre, e é aqui que nos abastecemos. Existe uma grande oferta dos legumes ainda com a flor, ou mesmo a fiori de zucca sozinha.

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Pense no luxo que é fazer o prato com um mimo desses!

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Certa vez, no Mesa Tendências, vi uma receita de cozinha molecular que executava um falso tomate. Ficava com um aspecto misto de tomate com um saco amarrado… como os tomates acima! São dezenas (eu disse DEZENAS!) de variedades das vermelhinhas. Algumas nem tão vermelhas assim.

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No miolão estão três fileiras de bancas de horti-frutis tradicionais, com produtos belíssimos, multi-coloridos e ricos em perfume.

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A sous-chef japonesa Chiho e o argentino chef-viande (carnes) Marcelo percorrem todas as bancas selecionando os melhores produtos, mas dando preferência a alguns fornecedores mais habituais.

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Como a banca que supre o Mirazur dos fartamente utilizados cogumelos, especialmente girolles e porcinis frescos, como esses da foto.

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Essa caixa mesmo foi toda pro carrinho. Na praça do cuisinier portenho eles são cortados ao meio, besuntados em azeite e levados à grelha. Será que fica bom?!

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Na última 3a feira a mesma banca tinha também isso daí: graúdas cerejas negras. É caro no Brasil? Aqui também!

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A fartura de frutas é grande, por vezes importadas. A maçã pode ser brasileira, a pêra eventualmente é argentina, os papayas são caríssimos. O perfume dos melões é dulcíssimo, e é meio engraçado ver as bananas serem chamadas aqui de chiquitas.

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O Brasil não nasceu pra produzir pêssegos, mas aqui… oh-la-lá! Vejam só o tamanho deste! Existe a variedade que tradicionalmente conhecemos – amarela, e a branca. Ambas entram no menu do restaurante.

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Outra coisa são as berries. Que facilidade comprar os insumos para montar minha antiga sobremesa Torre de Babel por aqui! Essa variedade de frutas vermelhas pode ser encontrada numa única banca: morangos, amoras, framboesas, mirtilos, groselhas e groselhas brancas. Tá bom assim?!

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Cebolas tradicionais, outras branquíssimas, roxas ovaladas e echalotes.

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Endívias enormes, longe da usual aplicação em terras brasileiras para finger-food.

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Vejam a cor maravilhosa dessa variedade de cebolinha. Aqui na casa elas são escaldadas e depois levadas à grelha.

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Descubro que, por aqui, é comum comprar a barbabietola (beterraba) já cozida…

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… e que a castanha portuguesa pode ter o dobro do tamanho das maiores que compramos no Brasil. Frescas assim, podem ser servidas cruas, como é feito no Mirazur, em lâminas finíssimas tiradas do ralador de trufas.

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Aprendo que berinjela é melanzana ou aubergine, e que pode ter outras cores e tamanhos.

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Fico cada vez mais convencido de que o brócolis americano é um irmão bastardo da couve-flor, ainda mais quando encontro um parente intermediário dos dois – a couve-flor verde clara.

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Mas o mais belo achado guardei para o final: é a romanesco. Lindíssima, ficaria em dúvida sobre mandá-la pra panela ou colocar na fruteira no meio da sala.
Gostaram? Pois eu já me prontifiquei por aqui: toda vez que alguém tiver que ir pra Ventimiglia fazer compras poderá contar gratuitamente com um par de braços para carregar a feira!

Eze, uma village medieval

Eze, uma village medieval

Dependendo da praça que cada um trabalha, costuma-se entrar na cozinha entre 8:30~9:00 hs da manhã. Por volta das 15:00 hs temos um intervalo até as 17:00 hs, e daí vamos até encerrar o expediente, em torno de 23:00 hs. Vale ressaltar que é comum os cozinheiros permanentes ficarem fazendo outros serviços no intervalo e/ou após o jantar. É puxado e se repete de 4a feira a domingo.

Os outros dois dias são de folga geral, com o restaurante fechado. Previsivelmente é comum os cozinheiros fixos passarem esses dias dormindo para recuperar o saldo negativo no “banco de horas de sono”. Quanto a nós, temporários, é a senha pra pegar o trem e bater perna, indo conhecer as redondezas.

Menton está longe de ser grande, mas conta com duas gares (estações de trem): a de center-ville e a de Menton-Garavan (perto do porto e a 1 km do Mirazur), que é de onde embarcamos para nossas andanças.

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Meu primeiro passeio foi para a pequena Eze, uma das localidades mais próximas. Desembarcamos na diminuta estação de Eze Sur Mer, a porção da ville junto ao mar.

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Percorremos escadarias e ruelas à procura da plage. Aqui na região, há tanta areia na praia quanto orientais na rua: as praias são de pedra mesmo.

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A cor do mar e a vista fazem jus à imagem que a simples menção do nome Côtes D’Azur traz.

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A cidade é toda acocorada nas encostas de pedra, e apesar de alguns do grupo cogitarem irmos a pé, ponderamos um pouco e tomamos um coletivo até Eze Village.

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Sábia decisão, visto que a outra parte da cidade fica montanha acima (muito ACIMA mesmo!), além de ser uma região de relevo extremamente íngreme. Pegamos o ônibus, que por aqui são mais baratos que no Brasil, modernos, limpos, e sempre climatizados.

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Eze Village fica no alto de um monte e traz grande quantidade de turistas. Esbarramos em vários grupos – alguns só de jovens, outros só de idosos.

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Antes de encarar a subida, um pit-stop para almoço: paninni de poulet avec bière pression (nosso chopp).

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O local é quase uma cápsula do tempo, permitindo que o visitante facilmente imagine como era a vida por lá nos tempos medievais.

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Um dos atrativos de Eze é o lado artístico, sejam as pequenas peças de artesanato e quinquilharias para turistas, sejam as pequenas galerias de arte que encontramos aqui e ali.

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Outra fama é da boa gastronomia. Os pequenos e raros terraços existentes no meio dos corredores sinuosos são tomados por cafés e restaurantes. Outros assumem sua miudeza e fazem dela seu charme, como o restaurante La Caverne, da foto.

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Mas o estabelecimento mais famoso é o Chateau de la Chevre d’Or, um hotel do Relais & Chateaux que abriga restaurante de 2 estrelas Michelin.

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A curiosidade em conhecer a casa esvaneceu-se diante da confirmação de que, ali, o buraco é mais embaixo.

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No topo do monte a atração é o “Jardim Exótico”, principalmente com variedades de cactus e suculentas.

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Existem também algumas esculturas, o que permite algumas fotos interessantes.

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A entrada no jardim custa 5€ e vale a pena. Dá acesso a vistas como esta, que nos faz entender o significado do termo “breathtaking”.

Terminado o passeio, a parte mais fácil: rumar ladeira abaixo. Trajeto inverso de ônibus e trem, de volta pro alojamento, felizes e com a gana turística aplacada.

Menton, a pérola da França

Menton, a pérola da França

Vamos fazer de conta que estamos entrando na França pela Itália. Os dois municípios vizinhos são Ventimiglia e Menton, um de cada lado da fronteira. Quem faz essa travessia pode escolher o trem, a via costeira ou a estrada pelas montanhas.

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Vamos escolher essa última, que nos brinda com o agradável visual da costa mediterrânea.

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Menton é conhecida como la perle de la France, e esta é a placa que recebe quem atravessa a fronteira, fincada defronte a uma ociosa aduana (já que é uma fronteira de passagem livre). Uns 50 metros adiante fica o restaurante Mirazur.

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Localizado na região da Provence-Alpes-Côtes D’Azur, o terroir favorece a produção de quase todos os cítricos, em especial o citron, símbolo da cidade e tema de um grande festival que acontece aualmente em fevereiro.

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É uma cidadezinha pacata, tranquila, de pouco trânsito e população (tanto permanente quanto visitante) com média de idade mais avançada.

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Vamos passando pelo porto de Menton-Garavan, onde o mar de água é emoldurado por outro mar de lanchinhas e um agradável calçadão na orla. Como um bom brasileiro, procuro um quiosque pra me refrescar com uma cerveja. Não há. Nenhum!

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Não há grandes trechos de praia, e ainda por cima às vezes são particulares, de uso restrito de um ou outro estabelecimento comercial. A areia também não nos enche os olhos, cheia de pedriscos, mas num dia ensolarado não é isso que vai nos impedir de entoar um “vamos a la playa, ho, ho-ho-ho-ho!”.

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Seguimos caminhando rumo a Menton center-ville, o centrinho antigo da cidade.

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As alongadas e irregulares edificações, escoltadas por uma ou outra igreja, dão um charme de filme de cinema. As ruas são estreitas e sinuosas, mas o trânsito é tranquilíssimo.

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Lá no meio encontramos a rua Saint-Michel, um calçadão exclusivo para pedestres que concentra o comércio local. São diversos restaurantes, cafés, lojinhas onde abundam produtos alusivos ao citron, e a cada punhado de metros um glacier com sorvetes artesanais.
Pois bem, esta é a cidade que me servirá de base nessa primeira etapa de minha temporada européia. Vale uma visita? Com certeza! É impagável acordar e ser brindado com uma vista destas!

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