Monthly Archives: outubro 2011

Estagiar fora é uma delícia?

Estagiar fora é uma delícia?

Antes de embarcar para minha temporada européia os amigos me abordavam e diziam sentir uma “inveja branca” de meu projeto, do quanto a experiência seria agradável, que gostariam de poder fazer o mesmo, do quanto eu ia curtir.

Para minha esposa perguntavam se ela iria junto. Diante da resposta negativa insistiam perguntando quando ela viajaria para ir me visitar. De tanto lhe fazerem essa pergunta, ela mesma veio me questionar se eu achava que ela deveria fazê-lo.

Durante a estadia além-mar, volta e meia as pessoas insinuavam que eu estava tendo um “vidão”. Deparando-se com minha esposa, atarantada com o trabalho e cuidando das crianças, diziam: “Ê… você aí ralando e o William naquela mamata!“.

Agora mesmo, nesse breve regresso, a pergunta que mais ouço é: “acabou  aquela tua moleza?!“. Como aprendi com um amigo, é melhor ouvir isso do que ser surdo.

Quando comecei minha temporada no Mirazur costumávamos entrar na cozinha às 8:30 hs da manhã. Algumas semanas depois, constatando que a altíssima temporada tinha acabado, o horário de entrada passou para as 9 da manhã e uma orientação foi dada de modo que a carga de trabalho diária dos temporários não excedesse 12 horas. Isso mesmo: DO-ZE-HO-RAS!

O expediente começava às 9:00 hs. Às 11:30 parávamos para almoçar, o que era feito em 5~10 minutos. Voltávamos aos nossos postos e íamos até o final do turno (o que costumava ser entre 15 e 15:30 hs).

O intervalo ia até as cinco da tarde, não deixando muito tempo para sair. No máximo íamos ao Eurodrink, uma lojinha de bebidas e conveniência do lado italiano da fronteira, a meros 100 metros do restaurante. Na maioria das vezes todos voltavam ao alojamento, acessavam a internet e tentavam tirar uma soneca rápida.

Voltando pro turno da noite, parávamos outros 5~10 minutos de jantar às 18:30 hs. Nas noites que dávamos sorte o expediente encerrava às 23 hs; nas noites de azar, íamos até… bem… o último cliente.

Terminado o dia de trabalho todos corriam de volta ao alojamento, tomavam um rápido banho frio (pois a água quente sempre tinha sido esgotada na faxina geral da cozinha), e nos permitíamos finalmente um tempo para nós mesmos: checar email, assistir algum vídeo/filme no computador, ligar via Skype pra casa, tomar alguma bebida refrescante, bater um papo com os colegas ou simplesmente ficar sentado à toa na varanda.

Fazendo as contas, isso dá uma carga diária de trabalho que variava de 12 a 14 horas de pé, e no dia seguinte a mesma rotina se repetia. Durante os cinco dias seguidos (de quarta-feira a domingo) de casa aberta chegávamos a sequer pôr os pés fora do estabelecimento. Nas folgas o banco-de-horas-de-sono vinha cobrar a conta, e na segunda-feira dificilmente alguém levantava antes do meio-dia.

Mas essa era a rotina DOS TEMPORÁRIOS. Os cozinheiros permanentes por vezes continuavam trabalhando no intervalo, após o encerramento e faxina da noite, e ainda tinham afazeres nos dois dias de folga (compras nos mercados de Ventimiglia, comandar abastecimentos junto a fornecedores, ministrar aulas e, esporadicamente, eventos extras).

Imagine ainda que os cozinheiros de garde-manger tinham de estar de pé diariamente às 7:30 hs para colher flores e ervas nos jardins do restaurante.

Então, trabalhar/estagiar na Europa é uma delícia? Não, definitivamente não é, mas para tudo existe um preço. O sacrifício é o custo pago pelo aprendizado e/ou melhora no currículo, o que interessar a cada um.

Moleza? Não vou discutir/brigar para não perder um amigo. Novamente, é melhor ouvir isso do que ser surdo.

(UPDATE) Em tempo, hoje (30/outubro) me pesei na farmácia. Todos dizem que emagreci bastante, e eu até concordo que tenha perdido peso. Não tenho certeza do peso exato que estava antes da ida para a primeira etapa, mas era algo entre 90~92 kgs. Estou, agora, com menos de 85 kgs.

Três motivos para visitar Nice, especialmente se você for cozinheiro

Três motivos para visitar Nice, especialmente se você for cozinheiro

No dia 23 publiquei um post falando da ida a Nice Ville, visita que realmente adorei. Se você trabalha com gastronomia ou é um aficcionado gourmet, vou agora dar 3 motivos para você colocar essa cidade em sua lista de destinos prioritários.

Um deles mereceu nota exclusiva: a boutique de azeites grand cru Nicolas Alziari. Saiba mais acessando o post aqui mesmo deste blog (clique aqui) ou direto no site da empresa (aqui neste link).

Certo dia, seguindo dica do chef-poissonier do Mirazur, entrei num site francês com muitos equipamentos, utensílios de cozinha, e produtos para cozinha molecular.

Navegando no Panier des Chefs (acesse clicando aqui) meu espírito consumista foi à loucura, e a vontade era comprar tudo que via. Descobri depois, para minha surpresa, que a empresa fica sediada em Nice, onde tem também um show-room.

Outra vontade era dar uma renovada/reforçada nos meus uniformes de cozinha, especialmente dólmans de manga curta, item que ainda não tinha. As grifes francesas das quais já tinha ouvido falar eram Bragard e Clement.

Qual não foi minha surpresa quando, três dias antes de encerrar meu período no Mirazur, aparece no restaurante exatamente uma representante da Clement Design?!

Acabei comprando duas jaquetas, uma delas a da foto (modelo Tokyo), e a outra modelo Madere.

O site da empresa apresenta um slide-show com vários chefs e restaurantes de diversos pontos do globo posando com seus uniformes (acesse clicando aqui).

Quando perguntei de onde era a Clement a resposta foi… Nice!

Realmente eu já tinha gostado da cidade e colocado na lista de “vale a pena ver de novo”. Da próxima vez prometo fazer melhor meu dever-de-casa e pesquisar antecipadamente para não deixar de visitar estas empresas e outras similares.

 

Outro balanço, agora das CERVEJAS!

Outro balanço, agora das CERVEJAS!

Vez de listar as brejas! Só não dá pra chamar de loira, porque tem de cores bem variadas, até mesmo vermelhas! E toca o bonde:

Segundo a equipe do Mirazur, o Minipub é o único estabelecimento onde dá pra tomar algo depois das 22hs. Parece inacreditável que isso aconteça numa cidade... em QUALQUER cidade, mas realmente não encontramos nenhum outro boteco aberto. E mesmo assim tem movimento modorrento! Vários drinks na carta, mas vamos mesmo de cerveja: Carlsberg (Dinamarca), Corona (México) e Desperado.

A Desperado é uma cerveja francesa aditivada com tequila! Na foto com uma Guinness long-neck.

A Desperado tem ainda a versão Red, que além da tequila tem também guaraná e cachaça. Curioso... e SÓ.

No BiCu, de Gênova, tomando uma degustação das cervejas produzidas lá mesmo. Podia pelo menos ter tirado a foto antes de matar o primeiro shot, não?!

No Quimet & Quimet, de Barcelona, tomando a cerveja mais emblemática da cidade: a Estrela Damm.

Lanchinho no passeio a Eze Village, com uma Forster's (australiana).

No aeroporto de Lisboa, última parada antes de voltar à terrinha, conferindo um pastel de nata. E para acompanhar, uma Super Bock, cerveja dos patrícios.

Pausa para relaxar no La Grota, um café a 50 metros da fronteira Itália-França: Spritz e breja alemã Beck's.

No Les Destilleries Ideales, em Nice Ville, fazendo fila em todas as cervejas de pressão: uma de maçã (interessante) outra de cereja (curiosa, mas enjoativa)...

... uma Erdinger (weiss) e uma Biere Blanche...

... e final subindo de tom: Affligem e Guinness.

No alojamento, entre a galera, o que mais fazia sucesso era essa cerveja italiana comprada no Eurodrink, a 100 metros do restaurante: Birra Moretti. Com véu de noiva!

Na ida ao mercado, fazendo a mise-en-place do frigobar do quarto: Koenigsbier e Kronenbourg (francesas), Hoegaarden e Leffe (belgas).

Happy-hour na Brasserie Mônaco, tomando as cervejas orgânicas de produção própria.

Degustação de cerveja orientais em Nice Ville: Vietnan, China e Tailândia.

Na varanda do alojamento todo dia alguém aparecia com uma marca nova para experimentarmos: Pelforth, francesa.

Bordeaux, 14ºC de temperatura ambiente, happy-hour num pub inglês: John Bull Classic (o bom desse tempo é que a cerveja não esquenta!).

Nem que seja uma latinha só, na praia tem que ter: Kronenbourg (praia francesa, cerva idem).

A dinamarquesa Ceres Strong Ale... forte só no nome.

Supresa em Menton: abanquetamos para tomar uma holandesa Amstel, que veio guarnecida de vários belisquetezinhos. Nota máxima para um grão-de-bico com cominho, de-li-ci-o-so! Vou copiar a idéia.

E nessa lista a cereja do bolo tem duas nacionalidades - cerveja Deus: a fermentação inicial é na Bélgica, depois é engarrafada e terminada por método champenoise tradicional na França. Quando apareceu no Brasil custava (para o consumidor final) R$ 250 nos restaurantes. Encontrei no Metro (na Itália, semelhante ao Makro) por $15 Euros.

Fazendo um balanço dos VINHOS!

Fazendo um balanço dos VINHOS!

Encerrada a primeira etapa da minha temporada européia é hora de fazer um balanço nos vinhos experimentados. É claro que alguns rótulos escaparam de ser registrados. Paciência.

Vou me abster de tecer comentários sobre as percepções gustativas de cada um, em parte porque minha memória não é eficiente a tal ponto. Por outro lado, isso vai evitar que eu fale alguma baboseira e venha a ser crucificado. On y va!

(1) Cava da casa no Quimet & Quimet, um bar de tapas de Barcelona.

(2) Prosecco no Bicu, restaurante no Porto Antico (uma espécie de Puerto Madero de Gênova).

(3) Um muscadet de Sèvre et Maine no Caffé Le Brazza, na chegada a Menton.

(4) Harmonie, um vinho do sul de Toulouse feito com 4 uvas no estilo sautérnes, para harmonizar com o foie-gras no menu do estrelado Cinc Sentits (restaurante de Barcelona).

(5) Um Tokaji seco harmonizando prato de peixe defumado (no Cinc Sentits).

(6) Um vinho da "catalunha francesa": Domaine Gauby, bem mineral (Cinc Sentits). Quantas "pernas"!

(7) Um moscato d'asti quase frisante para a sobremesa (Cinc Sentits).

(8) Late harvest tinto de 4 uvas. Fim de jantar no Cinc Sentits (Barcelona).

(9) Cava da casa no El Xampanyet/Barcelona, servida em tacinha old-fashioned!

(10) Um crémant rosé pra tomar no alojamento, prêmio auto-concedido após um dia duro de labuta e muito suor.

(11) Um borgonha branco também no alojamento, afinal, era ralação todos os dias!

(12) No Brasil a Carpene Malvolti é mais conhecida por suas grappas. Esse prosecco foi pro brinde no aniversário do chef-garde-manger.

No Le Wine, bar-a-vin de Bordeaux: (13) Chateau Dupleissis Moulis 2007, (14) Clos Fontaine Côtes de Francs 2004, (15) Chateau de Rochemorin Pessac-Léognan 2005, (16) Chateau Paloumey Gran Cru Haut-Médoc 2007.

Comprando "vinho nacional" no Carrefour: (17) um bordeaux orgânico e outro de (18) Haut-Médoc.

(19) Pra quem acha que só tinha vinho, olha aí o tanto de sucos e chás gelados... e uma garrafa de vinho do Porto branco, claro.

(20) Esse Barbaresco o chef-viande trouxe debaixo do braço para tomarmos na varanda do alojamento.

(21) Rodada de vinho rosé da casa. Casa? Que casa? Mais do que um vinho, o local famoso: Café de Paris, em frente ao cassino de Montecarlo/Mônaco.

(22) Um descompromissado lambrusco beliscando um ótimo brioche marca própria do Carrefour.

(23) Lurton Pinot Gris: abrindo o jantar que fizemos no próprio Mirazur com um vinho branco argentino.

(24) Segundo vinho no Mirazur, passando para um Provence branco.

(25) Último vinho do jantar no Mirazur, um borgonha tinto.

(26) Jantar no restaurante-uma-estrela Aphrodite, em Nice: um Provence branco, sugestão do sommelier para harmonizar o menu R'évolution.

(27) Um Barolo 2006 pro jantar no restaurante de mamma Angela, em Ventimiglia.

Mise-en-place: com o tempo esfriando, passando da cerveja para o vinho tinto no alojamento. Três meias-garrafas para o dia-a-dia: (28) um côtes-du-rhône, (29) um beaujolais e (30) um bordeaux.

Para quem ficava no alojamento do Mirazur era mais fácil e perto fazer pequenas compras num mercadinho da Itália (a uns 100 metros) do que ir ao comércio na França. (31) Um Bardolino e (32) três proseccos superiores para brindar o fim do meu estágio.

Brinde no aniversário do chef Mauro com (33) um prosecco Martini e (34) uma champagne Taittinger.

(35) A cereja do bolo, maior preciosidade degustada: um Alsácia branco de 1971!!!

Confesso que, ao final dessa compilação, também eu fiquei surpreso com o tanto de rótulos listados. Mas, como dizem os franceses, “vinho não é uma bebida, é um alimento!”… pelo menos para a alma!!!

Minha aula no Mesa Ao Vivo/2011

Minha aula no Mesa Ao Vivo/2011

Convido àqueles que vão à Semana Mesa SP ou simplesmente aos que estarão em Sampa esta semana a assistir uma aula minha. Faz parte da programação do Mesa Ao Vivo e acontecerá no campus do SENAC/Santo Amaro.

Se a vida lhe der um limão, faça dela uma limonada“. Ok… mas posso ir um passo além e fazer uma caipirinha?! Como de praxe, o tema da aula cai no seu colo, e a mim coube isso: “Ceia boa é da lata – produtos semi-prontos, enlatados e à vácuo que rendem um banquete“.

Se a princípio fiquei insatisfeito, depois pensei bem: nunca tive preconceito contra esse tipo de produto, então por que tê-lo logo agora? Além do mais, produtos já adiantados diminuem a necessidade de eu trabalhá-los, certo?!

Bolei uma receita que tem muito do que aprendi no restaurante Mirazur, o que é uma certa forma de homenagear meu anfitrião, o chef Mauro Colagreco. A receita foi batizada de “When the sea meets the garden – quando o mar vem visitar o jardim“.

A idéia é usar produtos-tema relacionados ao MAR. Entrariam aí ostra e mexilhão defumados, bottarga, sardinha e anchova. Com a salmoura da conserva dos moluscos faríamos uma espuma defumada alusiva à espuma das ondas do mar.

Quanto ao JARDIM, a escalação conta com frutas, verduras e legumes na forma de sautés, carpaccios, fitas, uma “terra” de azeitona, osmisis de camomila, e uma éponge vert (esponja verde comestível).

Se você ficou curioso, reforço o convite à minha aula: sexta-feira, dia 28/10, às 18:30 no evento Ao Vivo 2011. Veja a programação completa e como participar clicando aqui.

“Les 10 meilleurs restaurants de France…”

“Les 10 meilleurs restaurants de France…”

Chef Mauro Colagreco

O excite foi lançado nos Estados Unidos em 1994 e é um grande portal de Internet com temas e serviços variados. Atualmente com mais de duas dezenas de versões em países variados, a renomada filial francesa elaborou uma lista com as 10 melhores mesas do país, detalhando em cada um os atributos mais importantes pelo qual o comensal não deve deixar de visitá-los.

O Mirazur constou nessa relação, e foi referido um lugar de “cozinha saborosa e colorida, especialmente pelos vegetais que oferece, provenientes da horta do chef.” Adicionalmente destaca a equipe cosmopolita do restaurante, que permite ao chef criar um menu original com sotaques e sabores de todo o mundo!

Leia a matéria original clicando aqui

Uma pausa de 10 dias no Brasil

Uma pausa de 10 dias no Brasil

A primeira etapa de minha temporada européia terminou. Estou de volta ao Brasil por um breve período de 10 dias pra matar a saudade da esposa e filhos, além de participar do mega-evento Semana Mesa SP, promovido pela Prazeres da Mesa.
Considerando que este blog é abrigado no site da revista, acredito que não tenha que explicar do que se trata. Mesmo assim, se você não souber MESMO do que se trata, obtenha mais informações desse imperdível evento clicando aqui.

O Mirazur foi uma experiência de aprendizado incrível e recomendo, a todos que puderem, que apareçam por lá em alguma oportunidade para conferir sua fenomenal cozinha (estou falando na qualidade de comensal, e não para trabalhar). Existem ainda muitos posts dessa primeira etapa a serem redigidos e publicados, o que farei aos poucos nos próximos dias.

No dia 1º de novembro embarco para a segunda parte da temporada, dessa vez em San Sebastián (países bascos, norte da Espanha). A próxima experiência de trabalho será o restaurante atualmente número 3 no ranking mundial da San Pellegrino: é o Mugaritz, do chef Andoni Luis Aduriz.

Fazendo um belo “cochon de lait”

Fazendo um belo “cochon de lait”

Não tem novidade nenhuma, não é melhor e nem pior: só vou mostrar como preparam um leitão aqui no restaurante do chef Mauro Colagreco.

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O insumo principal é um cochon de lait, um leitão-mamão (cuja dieta até então se restringiu a leite materno) de uns 6~7 kgs.

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Atenção! Proteja ao máximo a integridade da pele. Abra somente o ventre do bichinho.

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Corte fora somente a cabeça. Alguns povos usam essa parte, mas não é nosso caso. Elimine-a.

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Elimine resquícios dos miúdos, excessos de tripas, gorduras e membranas internas. Corte um terço das costelas na base para facilitar a abertura da peça. Remova a traquéia (o motivo é abaixar a peça e evitar um gasto excessivo de azeite na hora de assar).

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Insira alguma cunhas de alho debaixo das costelas, dentro das paletas e pernis. Guarneça com ramos de tomilho, alecrim e folhas de sálvia.

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Cubra com azeite de qualidade. Leve ao forno a 100~110ºC por algo entre 4 e 5 horas. Para testar se está bom, levante o osso de uma costela: caso se desprenda com facilidade da carne está no ponto.

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Deixe esfriar umas 2 horas e depois desosse com cuidado, removendo TODOS os ossos e cartilagens. Distribua a carne de modo que a altura fique uniforme ao longo de toda a peça. Prense na geladeira com peso por cima por no mínimo 6 horas. Após isso o colágeno da carne vai aglutinar os retalhos, daí é só cortar as porções no tamanho/formato desejado e grelhar SOMENTE o lado da pele. Depois que estiver crocante vire a peça e (se necessário) esquente o outro lado no forno.

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Aqui no restaurante o cochon é servido em forma de paralelepípedos como os da foto (ao fundo, as peças mais altas e rosadas são selle de agneau). C’est fini!

Nice Ville é tudo de bom!

Nice Ville é tudo de bom!

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Dia de folga? Dia de passeio! Fui com a garotada – os estagiários, conhecer Nice Ville. Na foto, da esquerda pra direita: Pedro (tapas e entradas quentes), Rodrigo (pâtisserie), Juan e Florência (garde-manger), e Diego (boulangerie e pâtisserie).

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Desembarcando, logo em frente à estação já encontramos uma bateria de bicicletas públicas. Não custa muito o aluguel diário; a habilitação semanal custa pouco mais do que para um único dia; a mensal pouco mais que a semanal; a anual pouco mais que a mensal (ou seja, diluindo, o aluguel anual é uma pechincha!). O problema é que só se aluga adquirindo um cartão de adesão e fazendo um depósito de caução, um pouco trabalhoso demais para visita de um dia. Planos frustrados.

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Almoçamos logo ali, no que nos pareceu um apetitoso buffet de comida oriental, com pratos vietnamitas, chineses e tailandeses. Pouco depois descobrimos que a região era infestada de casas parecidas e buffets idênticos.

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Para nossa surpresa havia à venda cervejas desses mesmos países. Aproveitamos para fazer uma degustação. A última tinha características gustativas mais tradicionais, mais ocidental, e por essa razão fez mais sucesso entre os presentes. Tive de discordar, afinal, o que seria do verde se todos gostassem de amarelo?! Onde fica o terroir?

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Seguimos por uma larga avenida – a Jean Médecin, com muitos hotéis, cafés, restaurantes, e um comércio forte repleto de lojas de vestuário.

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Encontramos uma igreja, dessas que parecem ter saído de um filme sobre a Idade Média. Se já a tínhamos achado bela desse jeito, imagine…

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… quando passamos novamente à noite e a encontramos iluminada!

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Mais à frente chegamos a Masséna, uma ampla área aberta com um pátio de um lado, parques arborizados e fontes.

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Durante o dia, diante de tantas coisas a serem vistas, pode ser até que alguns detalhes escapem ao olhar do visitante.

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Olhando para cima, no topo de altíssimos postes, várias estátuas de figuras sentadas ou agachadas.

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Cai a noite e as figuras ganham um efeito cromático modernoso, do tipo “piscina de Casa Cor”. E, acreditem, toda a área ganha um ar mais fashion!

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A mesma avenidona que nos trouxe desde a estação de trem desemboca numa grande e imponente fonte. Linda.

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Duas ou três travessas depois chegamos à praia, bastante freqüentada, apesar de ser de pedras (o que é comum por aqui). No lado esquerdo existe um pontão mais elevado…

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… e nele uma agradável praça com visual incrível e um grande relógio solar ao centro.

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O cadran solaire foi inaugurado há 30 anos e funciona mesmo! Existe um pequeno quadro de instruções para fazer ajustes (de até mais ou menos 10 minutos) ao longo dos meses do ano e mudança na inclinação solar.

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Na volta passamos pelo centro antigo e nos deparamos com isso aí.

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Muito convidativo, especialmente porque a toda hora algum artista de rua parava em frente e fazia alguma performance musical. No período que ficamos por lá se apresentou uma jovem dupla (de violão e violino) e um senhor tocando acordeon.

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Happy-hour? Hora de bebida com desconto! Experimentamos praticamente todas as bieres a la pression, incluindo duas frutadas de maçã e de cereja (a última um pouco doce e enjoativa, como Cherry Coke).

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Seguimos caminhando e descobrimos que a região fervilha à noite, tão diferente de minha cidade-base (Menton). O grupo se separou e uma parte foi jantar (um menu de trufas no restaurante Le Grand Balcon, com já foi anteriormente publicado aqui).

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No final da noite nos reagrupamos num pub irlandês pra ouvir música boa, assistir uma partida de tênis e tomar a saideira.

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Nos despedimos da estátua da fonte e pegamos o caminho da roça, rumo à estação de trem.