Monthly Archives: novembro 2011

SS Gastronomika-2: a feira

SS Gastronomika-2: a feira

Todo grande evento de gastronomia tem um pavilhão de expositores, uma “feirinha” junto. No Gastronomika não era diferente, talvez com o nível um pouco melhor do que estou acostumado.

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Havia degustações populares, algumas promovidas pelos países participantes, como o Peru. Stand orgulhosa e coloridamende adornada, dava até pra imaginar o mesmo sendo feito com bandeirolas de São João, as coloridas chitas brasileiras e cerâmicas de barro queimado… mas isso não aconteceu.

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Bebida famosa e típica nos países bascos, o público pôde conhecer a txacolina, um vinho branco levemente frisante, de baixo teor alcoólico, primo da sidra, que deve ser servida assim: despejada de uma altura mínima de 30 cm e tomada numa golada só.

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Logo à entrada da feira, a geladeira expositora de um stand mostrava uma variedade de barrinhas coloridas que pareciam chocolate. Chegando mais perto… foie-gras!

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O Japão montou um stand com vários produtos: farinha de arroz premium, uma máquina específica para fazer pão com essa farinha (boa opção para celíacos), sakês, produtos derivados do chá verde, temperos, etc.

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E o alho negro, tão na moda no Brasil? Estava lá, mas mais bonito e um pouco menos ácido por ser de qualificação extra-premium, como me explicou a tradutora. Tudo era oferecido para degustação e registrado em foto e vídeo por uma equipe permanente de filmagem japonesa.

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Uma cooperativa pesqueira da Galícia se fez presente e pescava a atenção do público com o visual de seus produtos.

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Filés gigantescos de atum podiam ser vistos, bem como salmões selvagens do Alasca, tão parecidos e tão diferentes dos que estamos acostumados no Brasil.

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Louça especiais? Claro! Que tal servir um ouriço-do-mar fresco nesse dublê do bicho?!

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As várias mesinhas no grande stand do México ofereciam uma grande variedade de produtos para degustação, como essa salsa gourmet de chile habanero. Prefiro chamar isso aí de salsa assassina de habanero! E tome água!!!

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A Joselito, considerada a melhor marca de jamon ibérico, estava presente com um lounge e seus espetaculares produtos.

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A Cataluna montou uma mesa de degustação com alguns de seus melhores vinhos, onde o próprio público se servia. Ah, se fosse no Brasil!

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Na Espanha, o forte em termo de espumantes são as cavas. Como nos outros países produtores, existem marcas mais selecionadas, como a Gramona. Amigos me sugeriram degustar o Gran Reserva 2004. A moça disse: “Esse aí não, pois ainda tá muito jovem. Se você vai tomar somente um rótulo experimente este aqui de 2002.” Nem discuti, menino obediente que sou.

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Brotos e ervas variadíssimos, entregues na cultura (o que prolonga sua durabilidade), podendo ser em caixa mono-varietal ou na combinação que o cliente desejar. Como faz pra ter um food service desses no Brasil?!

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Em outro stand, produtos similares, mas do mar: algas e ervas que crescem banhadas por água salgada, pegando também essa característica.

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E a Ferrari dos uniformes de cozinha estava lá. Várias araras com dólmans da francesa Bragard, que aproveitou a ocasião para lançar o Click System: jaquetas com fecho magnético. Cobicei de todo coração!

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Andando pelos corredores ainda se podia esbarrar nos chefs participantes, como o trio brazuca 3D – Thomas Troisgros, Roberta Sudbrack e Wanderson Medeiros.

SS Gastronomika-1: as palestras

SS Gastronomika-1: as palestras

Vou iniciar uma série de 4 posts relatando como foi o San Sebastian Gastronomika 2011. Vou começar, claro, mostrando como foram as palestras. Depois disso vou mostrar um pouco do que havia na feira, um pouco da parte social do evento e, por fim, a grande lição, o que a gastronomia brasileira pode ter ganhado com o evento.

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No domingo, dia 20/novembro, fomos ao Palácio Kursaal fazer o credenciamento. A escalação de nossa equipe era Claude Troisgros, Thomas Troisgros e eu, mas o rapaz que nos atendia não conseguia encontrar os crachás. Daí a mocinha da mesa ao lado falou: “Troisgros? Não está aí não. Troisgros é mais que VIP. A assessoria já pegou as credenciais dele.”. Eu e o Júnior começamos a rir: mais que VIP?! Fiquei com vontade de gravar essa fala só pra mostrar pro Mister Que Marravilha!

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Outras pessoas de Brasília apareceram no evento, como Liana Sabo (Correio Braziliense), Marco e Lui Veronese, e o pessoal da importadora Del Maipo.

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Logo de cara, um problemão: metade das malas da delegação brasileira foi extraviada e ficou espalhada pela Europa. E aí, como fazer a mise-en-place? E pior, como aguentar o Thomas sem tomar banho nem trocar de roupa?!

E só pra dar mais emoção, Claude perdeu o vôo de vinda, com origem em Marrakesh.

Entre mortos e feridos, o francês chegou bem, as malas chegaram a tempo, ainda que alguns produtos tenham sido perdidos (ou pelo excessivo joga-pra-cá-joga-pra-lá, ou pelo tempo adicional sem refrigeração).

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O evento usou um auditório pequeno, para 300 pessoas, na programação POPULAR. No ALTA, de haute cuisine, o auditório era esse aí, que comporta até 1500 pessoas!

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E na cozinha encontramos Julien Mercier, autêntico representante da amistosidade francesa.

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Mise-en-place da aula de Rodrigo Oliveira.

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A equipe do Mocotó, tendo esquecido de levar tapioca granulada, improvisou o famoso dadinho de tapioca com isso daí: mini-sagú… e japonês!

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A massa resultou numa textura um pouco diferente, mas Wanderson Medeiros e Alex Gomes conseguiram bolar uma engenharia para contornar isso…

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…e não é que ficou muito bom?!

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Na nossa aula executamos um lagostim embrulhado em chips de batata doce com o mesmo tubérculo em confit agri-doce de especiarias. Pai e filho cuidaram de organizar, misenplacear e ministrar a palestra, enquanto eu executava 350 porções-degustação na cozinha de apoio.

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Aliás, os bastidores eram quase um evento social à parte, com vários encontros e visitas de chefs do mundo todo.

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Os brasileiros mostraram seu valor e agradaram com suas palestras, mas confesso ter ficado decepcionado (ou entediado) com outras exponências de alguns chefs. Os melhores que assisti aconteceram em seqüência: Quique Dacosta, Andoni e Joan Roca.

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Chefs famosos no palco? Também na platéia: Andoni Luis Aduriz (meu boss no Mugaritz), Pedro Subijana (de bigode, restaurante Akelare), Juan Mari e Helena Arzak (do Arzak), Martin Berasategui (restaurante homonimo).

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Não pude ir ao último dia do evento pois tinha de estar no restaurante trabalhando. Perdi, com isso, as aulas de Gaston Acurio, Grant Achatz, Magnus Nilsson, etc. Em sua aula, Heston Blumenthal (restaurante Fat Duck) apresentou isso aí para o público degustar.

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Divertido, não?!

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E aí o team-Brasil, vestindo orgulhosa a dólman verde-e-amarela. E pode colocar o Tema da Vitória pra tocar!!!

Novidades, novidades, novidades!

Novidades, novidades, novidades!

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Nesses dias que fiquei sem postar notícias aconteceu uma avalanche de coisas. Pra começar, tive minha primeira experiência gastronômica num duas-estrelas-Micheli, mas não é um duas-estrelas qualquer: foi o Mugaritz, restaurante número 3 do mundo!

No trabalho, acabo de sair da geladeira (o setor de produção, onde trabalhamos 12~13 horas por dia, em pé, a uma temperatura média de 12oC) para assumir um posto na cozinha de linha. Uhu!

Aconteceu o Gastronomika 2011, onde tive oportunidade de conhecer pessoalmente (ou no mínimo receber a visita na cozinha do Mugaritz) Juan Mari e Helena Arzak, Heston Blumenthal, Grant Achatz, Willie Dufresne, Andoni Luis Aduriz, Joan e Jordi Roca, Gaston Acúrio, etc.

Na foto acima, os integrantes do team-Brasil, que vestiu de coração (e vergonhosamente sem apoio do Estado) a dólman canarinho e mostrou o valor da cozinha brazuca: Wanderson Medeiros, Alex Gomes, eu, Claude Troisgros, Roberta Sudbrack, Rodrigo Oliveira, Helena Rizzo, German Genovese, Alex Atala, Julien Mercier e Thomas Troisgros.

Haja tempo pra postar tudo!

Encontrando a turma pro #SSG11

Encontrando a turma pro #SSG11

Dos 8 cozinheiros brasileiros que chegaram para o San Sebastián Gastronomika 2011, 4 tiveram suas bagagens extraviadas e espalhadas Europa afora. Estão aí incluídos os insumos para as aulas dos Troisgros, Sudbrack e Atala.

Querem saber outra? Claude Troisgros está em Marrakesh (ou “pra lá de”…) e acabou perdendo o vôo de vinda!

Deixei o Mugaritz somente às 23:15, e após o trabalho fui direto à Parte Vieja tentar encontrá-los.

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Uma parte já tinha vergonhosamente entregado os pontos e voltado ao hotel pra dormir (era umas 20:00 hs do Brasil, frise-se!), mas ainda encontrei nos bares de pintxos o argentino Hellman’s (equipe do Alex Atala), o Júnior (Thomas Troisgros) e Chaveirinho (o chef francês Julien Mercier).

Amanhã encontrarei os outros e vamos começar a mise-en-place. E mais, vamos aparecer no restaurante #3 do mundo (sim, o Mugaritz, onde estou labutando) para experimentar o menu. Quem sabe não faço um live tweet?!

Dada a largada pro Gastonomika 2011

Dada a largada pro Gastonomika 2011

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Dentro de poucas horas começa a desembarcar aqui em San Sebastian uma grande tropa vinda do Brasil, dentre os quais Claude & Thomas Troisgos, Alex Atala (número #7 do mundo), Roberta Sudbrack, Rodrigo Oliveira, Wanderson Medeiros, Julien Mercier, Helena Rizzo & Daniel Redondo (número #74).

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Você GOSTA de Gastronomia e sabe o quem-é-quem desse mundo? Veja quem mais desfilará por aqui:

René Redzepi (número #1 do mundo pelo ranking da San Pellegrino)
Joan Roca (#2)
Andoni Luis Aduriz (#3)
Heston Blumenthal (#5)
Grant Achatz (#6)
Juan Mari Arzak (#8)
Martin Berasategui (#29)
Gaston Acúrio (#42)
Quique Dacosta (#51)
Pedro Subijana (#94)

A pergunta é: por que VOCÊ não fez a malinha e veio ao evento, ainda mais com tantos chefs do Brasil dando as caras e sendo nosso país um dos temas do evento?!

Ok, já que não há mais tempo, obtenha as notícias aqui neste blog ou no meu perfil do Twitter (siga clicando aqui).

Le Gravelier (Bordeaux, França)

Le Gravelier (Bordeaux, França)

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Passei novamente pela capital mundial do vinho, dessa vez apenas para um stop-and-go a caminho de San Sebastian. Como ia passar a noite por lá, resolvi cumprir uma promessa feita ao Thomas e visitar o restaurante da tia, irmã de Claude Troisgros, agora Anne-Marie Gravelier.

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O restaurante é pequeno, para menos de 30 pax, mais uma sala reservada no andar de cima para outros 15. O salão é informal, mas bem charmoso e acolhedor. Depois de uma caminhada de uns 40 minutos a partir do hotel, cheguei um pouco atrasado para minha reserva.

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Me deram uma curiosa mesa alta. Estranhei no começo, mas tinha um banco (também alto) de assento enorme e confortável descanso pros pés. Além disso, a posicão e a altura me davam ampla visão dos trabalhos da cozinha.

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Como cortesia a proprietária me ofereceu uma taça de Champagne. Fome-e-vontade-de-comer, aceitei prontamente, pois após a caminhada eu mesmo teria pedido uma! Começando com uma sardinha “enlatada” da casa e torradinhas.

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Entrada: cepes grillé avec gambas et bouillon.

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Pra beber, um vinho da região, claro! Le Cadet de Larrivet Haut-Brion 2009. (Notaram ali atrás o janelão da cozinha, bem na minha linha de visão?)

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Primeiro prato: “pizza”! Na verdade, um crostini com rúcula, uma tranche grelhada de dourada e uma pastinha espetacular por cima.

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Segundo prato: um tradicional blinis, pombo assado, alcachofrinha e um jus do assado levemente caramelado.

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Queijo: chévre empanado com geléia de piment-espellete.

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Pré-dessert: bolinho frito no palito, merengue gratinado e sorvete.

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Sobremesa: acho que é tradição dos Troisgros servir crepe-suflê (não é reclamação, mas uma constatação, pois sempre é muito bom), aqui de framboesa com coulis e sorbet da mesma fruta.

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Adoro café Illy, e foi bom encontrá-lo aqui. Por onde estive na Europa não existe açucareiro e nem um monte de sachets disponíveis. É sempre assim: UM sachet ao lado da xícara.

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Como minha reserva tinha sido feita na véspera, Anne-Marie e o marido – o chef Yves Gravelier, não estavam na casa devido a um compromisso previamente assumido. Mesmo assim correu tudo perfeitamente bem, o atendimento foi muito atencioso (recebi até um panfleto da Maison Troisgros). Como não achar bom se, no final, recebi a dica pra voltar de tram (um VLT – veículo leve sobre trilhos) por módicas moedinhas e ainda fechei com a oferta desse digestivo da casa?! E tome o caminho da roça, sorriso nos lábios.

Mugaritz: um primeiro relatório

Mugaritz: um primeiro relatório

Fotos são proibidas no restaurante Mugaritz, de modo que todas as figuras deste post são meramente ilustrativas, podendo não corresponder à realidade.

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Já me juntei à brigada do Mugaritz. Fui designado ao setor de produção, que processa a maior parte dos produtos in natura e os entrega mastigadinhos às praças de linha.

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Se no Mirazur os produtos que chegavam eram espetaculares, aqui não fica atrás, sendo apenas uma gama diferente de itens. Um deles são as anêmonas, dos quais extraímos apenas os tentáculos esverdeados com a ponta rosada (que têm uns 3~4 mm de comprimento), dispensando todo o molenga corpo marrom.

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Chega uma grande variedade de peixes (todos frescos), e o que mais me chama a atenção é a merluza, com sua cara de monstro e o dobro do tamanho dos que manipulávamos na França.

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Logo à chegada em San Sebastián passei por uma peixaria. Lá havia um aquário com lagostas vivas, mas o que me chamou mesmo a atenção foi outro ao lado, contendo grandes carangueijos. São chamados de txangurros e chegam à casa vivos, com o tamanho de um abacaxi. Imediatamente embalados à vácuo, são cozidos em baixa temperatura e depois têm a carne catada na pinça. Só as garra têm filé do tamanho de uma empada.

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Certo dia, entrando numa das 4 câmaras frias, encontrei numa grande bandeija, entre dois panos úmidos, uma grande quantidade de camarões de uns 5 cms, todos vivos e mexendo as perninhas! Confesso que fiquei maravilhado com aquilo.

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Trabalhamos com uma grande variedade de cogumelos silvestres, alguns semelhantes a porcinis, outros parecidos com shiitake, mas cujos nomes não arrisco por serem todos nativos da região. Limpamos todos, um-a-um, apenas com panos úmidos.

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De vez em quando cozinheiros de outros setores vêem manipular seus produtos aqui, como a txuleta, extraída de uma peça semelhante à da foto, mas cujo marmoreio é tão imensamente maior que tenho impulsos de perguntar se é kobe beef.

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Recebemos uma grande quantidade e variedade de aves de caça (como pombos, perdizes e pássaros pequenos variados), todos depenados, destrinchados e filetados na cozinha de produção.

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Mas o maior ponto de estrangulamento de meu setor são as línguas de boi. Após cozidas e sem a capa externa, temos de desfiar a carne eliminando todos os resquícios de gordura e tecido conjuntivo, mas isso é feito em fios da espessura (sem exagero algum!) de uma linha de costurar! Para terem uma idéia, 8 cozinheiros trabalhando em mutirão levam uma hora e meia para produzir meros 300 gramas sob tal padrão!

Acho que isso serve para mostrar o nível de exigência de uma casa de duas-estrelas-Michelin e número três no ranking mundial da San Pellegrino. Espero em breve poder aparecer por lá na qualidade de cliente, e daí mostrar-lhes o outro lado da moeda.

Pinças de cozinha

Pinças de cozinha

Alegria de cozinheiro é entrar em loja de utensílios e equipamentos de cozinha. Daqui a uma semana chega a turma de chefs brasileiros para o San Sebastián Gastronomika, mas agora mesmo já estão me perguntando se encontrei alguma loja com tais produtos.

Durante algum tempo, toda vez que ia a São Paulo voltava com um maçarico novo. Devo ter uns 6 modelos diferentes. Agora o posto foi ocupado por outro item: pinças de cozinha. Curioso como esse equipamento é pouco encontrado e utilizado no Brasil.

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Aqui no Mugaritz elas são usadas para tudo, e fazem parte do equipamento obrigatório individual, assim como as facas e uma mini-espátula.

A primeira que adquiri, ainda no Brasil, é a amarela da foto acima. Na verdade foi um “quem não tem cão, caça com gato”, pois é uma pinça de informática.

Na temporada francesa adquiri a pinça grande (boa também para utilizar em cocções) e ganhei a do alto (presente do Ricardo, chef-poissonier do restaurante Mirazur). Minha última aquisição foi a de baixo, com ponta fina e guia. Comprei aqui na Espanha, numa loja que tinha ao menos outra dúzia de modelos disponíveis, todas elas a menos de 10€… Espero não ficar obsessivo e acabar comprando todas!

Escolha a foto que vai estampar a capa da Prazeres da Mesa!

Escolha a foto que vai estampar a capa da Prazeres da Mesa!

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Durante três dias de outubro aconteceu o Ao Vivo São Paulo no campus do SENAC/Santo Amaro. Vários chefs de cozinha ministraram aulas e foram produzidas 63 fotos de pratos.

Agora, uma delas será eleita para estampar a capa da próxima edição da revista Prazeres da Mesa. O primeiro turno da votação encerra HOJE e selecionará seis pratos que irão à etapa seguinte (também via voto popular, até o próximo dia 21).

Diz Ricardo Castiho, editor da PDM: “Claro que o voto afetivo tem valor, mas o que importa agora é valorizar o trabalho do chef (finalização do prato, atrativos da receita, etc.) e da equipe de foto (luz, cor e montagem). A vencedora vai ilustrar a última edição do ano da revista – não é qualquer coisa! Então participe. Avalie, vote e faça campanha para sua preferida”

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Esta é a MINHA capa, cuja história e explicação está publicada neste link. Então separe dois minutos do seu dia, confira os 63 candidatos e vote no seu favorito. Se por acaso o voto vier para mim, agradeço já de antemão, seja por merecimento ou (como o próprio Castilho disse que vale) por preferência sentimental!