Definitivamente há algum fetiche na vestimenta de cozinha. Dá pra ver claramente que algumas pessoas ficam infladas quando põem uma farda de cozinheiro, seja lá por qual nome a chamem (eu, pessoalmente, prefiro dólman, uso jaqueta, e estranho imensamente gambuza). Só pra acabar com essa “aura”, com esse “encanto”, poderíamos citar que em alguns shoppings a equipe de limpeza das praças de alimentação usam o mesmo uniforme. Ou aquelas mocinhas bonitas que fazem degustação no supermercado!
Bem, assim como a hierarquia de cozinha deriva do mundo militar, as dólmans também vêem desse mundo (notem a semelhança com os antigos uniformes de soldados europeus). As mangas longas, frente de tecido duplo e trespassado, gola fechada – tudo isso tem um motivo de ser: proteger o cozinheiro do calor, respingos e outros acidentes afins.
Semelhante ao mundo dos automóveis, hoje em dia existe uma grande variedade disponível: customizáveis, com variações de cor, estilo, tecido, tecnologia e, claro, preço! Como os carros populares não costumam ser os sonhos de consumo, vamos falar das Ferraris, que nesse mundo são francesas.

Dólman Madere, da Clement.
A primeira é a Clement, de Nice. Logo na página abertura do site (acesse clicando aqui) há uma apresentação com chefs de vários lugares do mundo que utilizam seus uniformes.

Outra página mostra alguns dos recursos tecnológicos aplicados nas peças da grife (tecidos e botões especiais, cintos e cintas, etc).

Dólman Tokyo, da Clement.
Eu adquiri duas peças: uma jaqueta modelo Madere, cor café e manga curta (igual à da primeira foto, mas sem personalização bordada) por 60 euros; outra do modelo Tokyo, branca, com friso cinza, manga curta e costas em sistema DryUp (custo de 79 euros).
Satisfeito com as aquisições, nem fazia questão de ir atrás da outra renomada grife profissional francesa, mas eis que por ocasião do San Sebastian Gastronomika me deparo com um stand da Bragard.

Considerada por muitos a número 1 do mundo, a grife parisiense aproveitou o evento para lançar um novo sistema – a Click & Wear, onde as dólmans têm acabamento em fecho magnético. Foi amor à primeira vista!

Várias das grandes casas européias trabalham com a Bragard, inclusive o próprio restaurante Mugaritz, onde eu estava estagiando. Só vim a descobrir isso com quase um mês por lá, olhando casualmente o (ótimo) avental da brigada.

Calça de cozinha Denver com cintura elástica e cinto de fechamento em velcro: 60 euros (50 euros + 19,6% de IVA).
Tenho o catálogo físico, mas acredito que o mesmo possa ser baixado no formato digital pelo site (que você acessa clicando aqui). Lá dá pra ver a ampla gama de postos que a empresa atende, entre restaurantes e hotéis, de porteiros a bell-boys, recepcionistas a garçons, head-chefs a cozinheiros de brigada. Algumas das peças são tão bonitas que nem parecem de trabalho, como a calça acima.

Dólman Chicago, da Bragard.
Fui conhecer sua principal e maior loja, que fica em Paris, atrás da Gare de l’Est. Apesar de meu ímpeto consumista já estar aplacado, acabei comprando a jaqueta da foto acima – modelo Chicago, branca com bolsos frontal e lateral, com manga dobrável (custo de 69 euros).
Sim, havia uns 3 ou 4 modelos do sistema Click & Wear, mas com um sobrepreço de 40 euros simplesmente para agregar o fecho magnético. Uma pena, mas foi uma paixão não correspondida.

Nenhuma das duas marcas francesas têm distribuidores/representantes no Brasil e você não tem viagem programada lá pra fora. Como fazer?! Talvez a melhor opção no país seja recorrer ao André Razuk, apresentado aqui nesta reportagem da Vejinha SP.

Extremamente low-profile, sem site na Internet, e trabalhando com base em indicações boca-a-boca, atende alguns dos melhores estabelecimentos e principais chefs do país. Fui fazer um inventário no meu armário e descobri que não tenho muitas dólmans de sua autoria: são só 8. OOOOOITO!!!
Alguns amigos/colegas preferem mantê-lo como segredo da categoria, mas vou dar a vocês – leitores do blog, uma colher de chá: (11) 5097-9614, com grande possibilidade de ser o próprio Razuk a atender o telefonema.