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POR DIDÚ RUSSO (*)
A Confraria dos Sommeliers, reunida no Zena Caffè, em São Paulo, ouviu a palestra de seu presidente, Juscelino Pereira, e do sommelier Fernando Matos sobre o tema Brunello di Montalcino. Juscelino nos contou que por decreto presidencial, assinado em julho de 1980, apenas podem ser chamados Brunello di Montalcino os vinhos provenientes da Comuna de Montalcino, na Província de Siena. Para ter esse título no rótulo é preciso ainda que a bebida tenha sido produzida com uvas Sangiovese Grosso, localmente chamadas Brunello. O vinho deve necessariamente ter entre 12,5 graus a 13 graus de nível alcoólico, o que é aferido pelo estado local, e precisa envelhecer no mínimo 50 meses, os normais, e 62 meses, os “riserva”.
O que poucos sabem é que o vinho produzido na Siena de 1800 resultava da mistura de uvas tintas e brancas, ao estilo de Chianti, e ainda uma refermentação com uvas “passitas”. Mas o grande mercado era o de Roma, que preferia um vinho mais austero e seco, ao estilo do francês de Bordeaux. Foi então que o jovem enólogo Ferruccio Biondi e seu avô Clemente Santi resolveram selecionar um clone da Sangiovese Grosso, a “Brunello”, e vinificá-lo em pureza. O vinho foi fermentado em tonéis de carvalho esloveno, ou “slavonia”, antes de envelhecer por muitos anos em garrafas, resultando uma bebida alcoólica de grande estrutura e longevidade.
Assim, surge pelas mãos de Ferruccio, filho de Jacopo Biondi, a histórica safra de 1888, que viria dar a merecida fama ao Brunello di Montalcino, posteriormente reforçada com as excepcionais safras de 1891, 1945, 1955, 1974, 1985, 1988, 1990, 1995, 1998 e 1999.
Diversos Brunello estiveram sob investigação por fraude, acusados de misturar uvas que não eram Sangiovese Grosso. Poucos sabem que a mesma lei dos Brunello permite o acréscimo de até 6% de mosto concentrado de uva de qualquer parte do país para atingir o nível mínimo de álcool. Os acusados não usaram mosto, mas outras castas como Merlot ou Cabernet Sauvignon. Eles sustentaram, porém, que é melhor incluir 5% ou 6% de alguma uva de Montalcino do que mosto concentrado de outro terroir. A polêmica continuou. Mais de 1 milhão de litros de Brunello foram confiscados e posteriormente liberados para venda como IGT, e não como Brunello e, hoje, praticamente todas as propriedades acusadas da “fraude” foram inocentadas.
O fato é que o vinho é estupendo e ótima companhia para pratos encorpados à base de carne, caça e também com queijos fortes. A Confraria degustou algumas amostras desse extraordinário italiano. A seguir, o resultado:
90,50 pontos – Solaria 123 2001. Interfood
88,25 pontos – Il Paradiso di Frassina 2002. Vitis Vinífera
87,58 pontos – Sassetti Lívio 2003, de Marc di Grazia. Vinci Vinhos
87,25 pontos – Caprili 2001. Decanter
86,33 pontos – Caparzo 2003. MMV Importadora.
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(*) Didú Russo é fundador da Confraria dos Sommeliers
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