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(*) POR LUIS LOPES
Desde que eles existem - e isso já se vão mais de dois séculos -, nunca houve tantos rótulos diferentes daquele que é considerado o “Rei do Porto”. O que se diz sobre a excepcional qualidade da safra 2007 dos Vinhos do Porto Vintage são as expectativas nela depositadas. O 2007 foi o mais “declarado” dos últimos tempos. Explica-se: chama-se “declaração de Vintage”, o momento em que uma empresa anuncia publicamente (e em geral de modo solene) que produziu e engarrafou um Porto Vintage de uma dada safra. Como o Vintage é o mais raro e precioso dos Vinhos do Porto, as “declarações” unânimes (ou quase) só acontecem três vezes em cada década. Nesta, há a de 2000, 2003 e 2007. Como as safras de 2008 e 2009 não foram consideradas ideais, tudo leva a crer que, mais uma vez, a regra de três “declarações” por década se cumprirá.
A safra de 2007, na verdade, teve tudo para ser perfeita no vale do rio Douro. Junho e julho foram úmidos, deixando reservas de água no solo. E agosto, um mês absolutamente crucial para a qualidade da vindima, mostrou-se bastante ameno, sem excessos de calor durante o dia e noites relativamente frescas. Como coroamento, em setembro, mês da vindima, praticamente não choveu, o que possibilitou colher as uvas sem pressa, deixando que atingissem sua plenitude de maturação, em matéira de equilíbrio de acidez e açúcares naturais. Tudo indica, portanto, que 2007 vai ser um dos melhores Vintages dos últimos cinquenta anos, ao nível de safras tão míticas quanto foram as de 1966, 1970, 1977 ou 1994.
Tive já a oportunidade e o prazer de provar mais de 60 Vintages de 2007. A princípio, o que posso dizer, é que a qualidade geral é absolutamente notável. Porém, apontaria desde logo seis preciosidades: Fonseca (sofisticado, austero, cheio de personalidade); Quinta do Vesúvio (com a fruta madura típica dos vinhos desta quinta, mas também um toque mineral e floral, muito encorpado e apimentado); Graham’s (extremamente polido, com taninos sedosos, conjugando vigor e elegância); Quinta do Noval (super concentrado, musculoso, lembrando chocolate amargo no aroma e sabor intensos); Taylor’s (muito complexo, sugerindo especiarias, cereja, amoras, com grande estrutura de taninos); e Dow’s (de perfil mais mineral e vegetal, bastante fresco, sólido, respeitando seu estilo, mais seco).
Como são vinhos de excelência, não são obviamente baratos. Porém, é possível escolher outros com preço mais democrático e se encontram muito perto desse nível de qualidade. Nesse caso, sugiro: Pintas (uma enorme surpresa); Quinta da Romaneira (com a marca do talento de António Agrellos, enólogo da Noval); Sandeman (um nome consagrado que atinge seu melhor nível); Kopke (elegante, fino, para crescer na garrafa); Krohn (excelente relação qualidade e preço); Poças Quinta de Santa Bárbara (sempre presente entre os melhores); e Niepoort (o melhor Vintage desta casa na última década).
Não perca a chance de comprar algumas dessas garrafas ou as de seu produtor preferido. Além da alta qualidade, seu potencial de longevidade é enorme. Embora já prontos, são vinhos que ganham complexidade e requinte ao longo dos anos. Que consigamos esperar por eles!
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Luis Lopes, além de apreciador das boas taças, é diretor da Revista de Vinhos, de Portugal
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