A Bíblia da Gastronomia
 
 
 

Terapia de fogão

Em cartaz nas telonas, Julie & Julia revela como a culinária mudou a vida de duas mulheres com idade, história e ambição distintas

 

POR ROBERTA MALTA

Numa época em que a gastronomia está em alta, Julie & Julia chega aos cinemas para renovar as esperanças dos que desejam seguir a carreira da moda. O filme, com estreia nacional prevista para a última semana de novembro, conta a história baseada em fatos reais de duas mulheres, vividas na telona por Amy Adams e Meryl Streep, que por meio da cozinha encontraram sentido para a vida. Como se não bastasse, ainda ganharam dinheiro e fama. Tudo o que busca um jovem em início de carreira.

A diferença é que nenhuma das duas era tão menina quando a mudança chegou. A americana Julia Child tinha 37 anos quando entrou para a escola francesa Le Cordon Bleu e só ficou conhecida aos 50. A vontade de cozinhar surgiu depois de provar um sole meunière no restaurante La Couronne, em Roanne, na França. Segundo relatos da época, ela ficou encantada com a simplicidade do peixe feito apenas com “manteiga, farinha, salsinha, limão, precisão, história e calor”.

Depois disso, Julia escreveu um livro que virou a bíblia culinária das donas de casa americanas no meio do século passado, o Mastering the Art of French Cooking. Seu trunfo foi traduzir receitas francesas para a realidade de seu país, adaptando ingredientes, medidas e técnicas. Numa época em que a dieta nos Estados Unidos era basicamente de congelados e enlatados, o livro fez tanto sucesso que virou programa de televisão, com ela cozinhando com seu jeito descontraído e atrapalhado.

foto:
A protagonista Meryl Streep: cozinhar dá sentido à vida
E foi encontrando a velha obra de Julia na casa de sua mãe que Julie Powell, secretária frustrada prestes a completar 30 anos, deu a virada de sua vida: escreveu um blog no qual se propôs a fazer as 524 receitas da publicação em 365 dias, na cozinha apertada de sua quitinete em Long Island City, Nova York. A repercussão do site lhe rendeu o livro Julie & Julia, no qual o filme é baseado. Além da busca pelo prazer, a dupla tinha em comum a inabilidade culinária. Para vencê-la, foi preciso persistência, repetição, dedicação: lição para os que querem exercer uma profissão na área.

Julie e Julia nunca se conheceram, mas o texto que postou no dia da morte de Child revela toda a gratidão de Powell pela responsável por sua transformação: “Não tenho nenhum direito sobre essa mulher, salvo o direito que tem aquele que estava se afogando sobre a pessoa que o tirou do mar”.

 
 
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