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Calor aqui mas friozão no hemisfério norte, os parisienses se rendem à parada da tarde regada a chá, chocolate quente e doces bem calóricos |
POR MARINA GOBET (*)
Não esperem que os franceses admitam em público, mas a moda por aqui é dar uma paradinha no meio da tarde para o lanche, no melhor estilo tea time dos ingleses. O goûter não chega a ser uma novidade, mas deixou de ser programa exclusivamente infantil e ganhou o paladar e o tempo dos adultos mais ocupados de Paris. A nostalgia, o estresse e o cansaço do dia-a-dia fizeram com que os grandinhos também pedissem uma pausa para comer um doce à tarde. Um tipo de recreação gourmande e, de preferência, calórica, já que a magreza está fora de moda na França.
Como todo francês gosta de tudo que é nacional, foram criadas versões de goûter para competir com o tradicional chá inglês. O Dali, a brasserie chique do hotel Meurice, reúne a mulherada à tarde para degustar os minidocinhos do chef pâtissier Camille, como a torta de morangos silvestres ou os scones de maçã, acompanhados de uma taça de chocolate quente grand cru (5 euros a unidade). Yannick Alleno, atual chef da brasserie e do restaurante três estrelas do mesmo hotel, criou o choc’Alleno: croissants e pains au chocolat feitos com uma massa folhada à base de cacau em pó amargo (2,10 euros a unidade).
O goûter mais criativo é o do hotel Park Hyatt Vendôme: uma bandeja em forma de carteira escolar, composta de brioche, biscoitos, torta de massa folhada, pudim de caramelo, iogurte, geleia e chocolate cremoso, criada pelo chef Jean François Rouquette (50 euros para 2 pessoas, com bebidas inclusas).
A chef Hélène Darroze serve o Thé d’Hélène: um sortimento de pequenos sanduíches, macarons, cakes e scones, sempre acompanhados de deliciosas geleias. Tudo por 22 euros. A versão com champanhe custa 28 euros. Para os visitantes de Versailles à procura de um goûter royal recomenda-se o salão de chá da renomada maison Angelina, recentemente aberto, que fica no parque do castelo, na entrada do Petit Trianon. Os mais famosos chocolatiers de Paris, como Jean-Paul-Hévin, La Maison du Chocolat e Chapon, lançaram o chocolate quente em duas versões: em pó e pronto para beber, mas sempre composto dos melhores crus de cacau.
E, para requintar a degustação, a renomada marca de porcelana Bernardaud pediu ao célebre pâtissier Pierre Hermé para orientar a reedição de sua ‘’chocolateira’’ à moda antiga (chocolatière à l’ancienne). Tudo muito lindo, tudo incrivelmente saboroso. E, com o perfume de infância e a sofisticação dos goûters franceses, a satisfação está garantida nessa aconchegante e nostálgica pausa vespertina. Gostou das dicas de lanches na capital francesa? Então, clique aqui e confira os endereços.
(*) Marina Gobet é formada em gastronomia pela Lenôtre e tem a sorte de morar em Paris há dez anos.
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