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De espumantes a tintos e brancos, uma seleção de garrafas para a ceia natalina e as festas de final de ano |
POR RENATO MACHADO (*)
Não consigo pensar nos vinhos sem a comida que o acompanhará. O inverso também é verdadeiro. Não imagino ceias de fim de ano sem, primeiro, escolher cuidadosamente as garrafas, porque em torno delas é que a festa vai se dar. Para este ano, pensei em brancos e tintos de alta envergadura. Mas, mesmo com câmbio favorável, fiquei hesitante diante dos preços dos grandes vinhos. E olha que, quando digo grandes, não me refiro aos famosos de leilão nem aos itens de colecionadores.
De volta às ceias de fim de ano, gosto de dividir as escolhas por continente, país e região. Há continentes que podem, para nós, consumidores daqui, significar um estilo, como é o caso da Austrália. Por mais que os produtores australianos se esforcem para distinguir seus terroirs, fica difícil identificá-los fora das fronteiras do país – e mesmo dentro dele, segundo leio na revista Decanter. O mercado interno australiano, diz Andrew Jefford, ficou preso pela fama de vinho barato e forte, e só.
Claro que um Grange Hermitage, o mais premiado e antigo dos australianos tintos da uva Shiraz, faria parte de uma ceia de Natal, ou de qualquer jantar, até pela fama que tem. Mas tais prodígios existem apenas nas revistas e nos livros de memórias de gente mais velha que esbarrou com eles um dia. Resolvi então simplificar:
Espumantes
Para este fim de ano de dólar baixo, um Larmandier-Bernier ou um Égly-Ouriet. Chegou a hora de experimentarmos os champanhes artesanais, que tomam conta do mercado de apreciadores. Não está fora da escolha um Dal Pizzol Brut, que tomei outro dia com o produtor, e cuja correção é a toda prova.
Brancos
Aqui me detenho mais, porque é extensa a gama de aromas à disposição do consumidor brasileiro, desde que ele se atenha aos anos recentes. Eu não recomendaria nada anterior à safra 2007. Pensei logo num Muscadet de Sèvre et Maine, bem fresco. Em seguida, um branco mineral austríaco, de Franz Prager, seja ele um Gruner Veltliner ou um Riesling, ambos da safra 2007. Atenção: nenhum desses vinhos tem preço fora de alcance. Os italianos dessa faixa, que indico sem hesitação, são os de Pala e os Soaves de Gini, sobretudo o La Froscà, que mereceu uma coluna de Steven Spurrier na revista Decanter.
Se elevarmos a linha de preço dos brancos, vamos dar uma parada em Chablis ou na Côte d’Or, Borgonha – e aí tudo vai depender de nossa disposição de gastar. O ideal seria que nos trouxessem um Premier Cru dos dois melhores produtores de Chablis, Raveneau e Dauvissat. Um dia ainda sonho com esses vinhos no Brasil a preço acessível. Um Grand Cru de Drouhin pode ficar próximo.
Nos Pulignys e Chassagnes, a escolha é farta, mas os preços são altíssimos. A saída poderá ser um Chassagne-Montrachet de Faiveley 2007 ou um Savigny-les-Beaune branco 1995 de Simon Bize, produtor que põe a mão na massa e muitas vezes acerta.
Tintos
Hora do grande brinde? Neste ano vou preferir os toscanos e
piemonteses. Tudo o que se distancie do que se faz hoje em Bordeaux, uma confusão de bons, maus e medíocres que nenhum consumidor consegue desatar.
No Piemonte, se o orçamento permitir, um Barbera de Vietti, ou mais modestamente um Dolcetto de Aldo Conterno. Mais acima, bem acima, os Barbarescos de Fratelli Giacosa ou, quem sabe, do próprio Gaja, num dia de delírio. Mais sábio será ficar pela Toscana, com Costanti, Castello di Ama, Querciabella. Rampolla e Capanelle, todos acessíveis, todos típicos, e frescos a partir da safra 1999, ainda no mercado.
(*) Renato Machado é jornalista da Rede Globo e grande conhecedor de vinhos, especialmentre os do Velho Mundo
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