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  Ano da bonança

Com a maior declaração de Porto Vintage da história, a euforia e o otimismo voltaram a reinar no Douro e em Gaia


POR CARLOS CABRAL (*)

Na sede do Consulado de Portugal em São Paulo, o Instituto dos Vinhos do Douro e Porto organizou uma prova de Porto Vintage 2007 com 29 dos 98 declarados vintage neste ano – e foi a maior declaração de vintage de toda a história. Desta vez, muitos novos produtores, que tradicionalmente forneciam seus rótulos às centenárias casas estabelecidas em Vila Nova de Gaia, fizeram questão de participar, em busca da chancela de vinhos de alta gama.

A prova foi um doce exercício. Mas, para compreender o porquê de tanto vintage, voltamos um pouco no tempo. Em 2007, o Douro teve um início preocupante quando, em junho, o excesso de umidade deu origem a muito oídio e míldio, duas pragas que aterrorizam qualquer produtor. Em agosto, as noites mais frescas reverteram a situação, deu um ar de esperança, que se concretizou com um setembro muito seco, com raras precipitações de chuvas e que propiciou, em outubro, uma colheita perfeita de uvas maduras no ponto certo.

Com tudo correndo a favor, na hora do atesto final o sonho transformou-se em realidade. 2007 foi verdadeiramente um ano vintage. Na década passada, dois anos foram consagrados: 1994 e 1997, e o ano 2000 segue um caminho de grande futuro. Em termos de vinho do Porto, isso é muito raro. Em geral, um só grande ano se destaca em uma década. Mas será que todos podem realmente ser considerados vintage? Devemos recordar que o Porto Vintage é um produto raro. A história nos diz que só 2% de toda uma safra é declarada assim.

Na prova que realizamos, notamos que poucos apresentavam tanino presente, marcante, mas agradável, nada que comprometesse a qualidade. De imediato podemos afirmar que esses vinhos serão aqueles cuja longevidade lhes fará bem. Os que não possuíam essas qualidades, que tinham uma enorme explosão de frutas vermelhas maduras e o frescor da juventude em alta, são aqueles que recomendamos ser consumidos jovens, de preferência com queijos de sabor marcante, como os de mofo azul.

Outra particularidade é o álcool que entrou na interrupção da fermentação desse vinho. O álcool de boa qualidade estava bem casado com o vinho, e algumas amostras não apresentavam esse requinte na hora da prova.

Mais que excelente, o Vintage 2007 deu oxigênio ao mundo do Porto, que, nestes tempos de crise mundial, vem amargurando uma perda de 5% nas vendas no ano de 2008.
Por fim, um detalhe polêmico: no final da prova podiam-se separar entre as 29 amostras dois estilos de vintage, um inglês e um português. Essa divisão não é má. Está ao gosto de cada um e, confesso, gosto das duas, pois vivo em um país tropical. Assim, posso dispor dos mais encorpados e com forte estrutura e dos mais delicados, com muita fruta. Um envelhece bem, o outro já deve ser consumido jovem. Como não sou a favor de dar nota aos vinhos, sigo a mesma ordem de apresentação realizada na prova.

BURMESTER PORTO VINTAGE 2007

Retinto de tingir o cálice, fresco, elegante e aromático, lembra chocolate. Seus taninos revelam ser esse um vinho de muita longevidade.

CHURCHILL’S PORTO VINTAGE 2007

Uma agradável surpresa. Na boca é completo, uma doçura delicada, com longa persistência. Vinho com muitos anos de vida!

COCKBURN’S PORTO VINTAGE 2007

Aromas frutados e minerais. Retinto, untuoso, com doçura agradável e boa permanência no retrogosto. Sóbrio e elegante, bem ao estilo inglês.

REAL COMPANHIA VELHA PORTO VINTAGE 2007

Uma grande explosão aromática, rico em frutas vermelhas.
Taninos médios, secos, que demonstram ter futuro na evolução em garrafa.

DALVA PORTO VINTAGE 2007

Floral, delicado, lembra compota de fruta vermelha. Álcool bem perceptível, pronto para beber.

DOW’S PORTO VINTAGE 2007

Vintage clássico! Muita fruta e leve toque mineral. Aroma de especiarias e taninos presentes, mas agradáveis. Vinho longevo.

DUORUM PORTO VINTAGE 2007

Aroma delicado e sutil de frutas vermelhas e Esteva. Nota-se o álcool, bom final de boca.

FERREIRA PORTO VINTAGE 2007

Retinto na cor, especiarias e fruta vermelha no aroma. Delicado tanino presente. Vinho de guarda, tem muito para evoluir.

FONSECA PORTO VINTAGE 2007

Um clássico! Muito bem-nascido, complexidade aromática marcante. Vinho untuoso, taninos finos e elegantes, projetando um futuro brilhante. Uma obra de arte!

GRAHAM’S PORTO VINTAGE 2007

Retinto, negro como um café, na boca tem algo de compota, e seu retrogosto é longo e agradável. Vinho para muitos anos de vida.

KOPKE PORTO VINTAGE 2007

Aromas complexos e agradáveis, destacando uma compota de amora. Taninos e álcool bem casados, o que lhe confere grande longevidade.

MESSIAS PORTO VINTAGE 2007

Aromas frutados e vegetais. Doçura muito agradável e na boca longa permanência. Taninos macios e delicados. Uma boa surpresa.

NIEPOORT PORTO VINTAGE 2007

Aromas inebriantes a especiarias e frutas vermelhas. Doçura delicada e taninos pujantes. Excelente retrogosto. Muitos anos de vida pela frente.

POÇAS PORTO VINTAGE 2007

Aromas fumados leves e delicados, com notas de frutas vermelhas. Taninos firmes, com muita estrutura. Doçura agradável.

QUEVEDO PORTO VINTAGE 2007

Retinto na cor, aromas a frutos silvestres. Nota-se o álcool, taninos firmes e doçura correta.

QUINTA DA PEDRA ALTA PORTO VINTAGE 2007

Amostra prejudicada no transporte, chegou pouco antes da prova. Impreciso emitir julgamento.

QUINTA DAS TECEDEIRAS PORTO VINTAGE 2007

Aromas marcantes de chocolate e ameixas maduras. Doce, leve, fino e elegante. Taninos corretos, que lhe proporcionam longevidade.

QUINTA DO CRASTO PORTO VINTAGE 2007

Aromas vegetais marcantes e na boca taninos maduros e corretos, o que lhe confere um bom corpo. O tempo será seu
grande professor.

QUINTA DO NOVAL PORTO VINTAGE 2007

Vinho retinto, com aromas marcantes de chocolate. Nota-se o álcool e seus taninos pujantes. Vida longa. Um típico Vintage ao estilo inglês!

SILVAL PORTO VINTAGE 2007

Bem-nascido, com cor que se destaca e aromas profundos de compota de frutas vermelhas. Robusto, um vinho de grande longevidade.

QUINTA DO PORTAL PORTO VINTAGE 2007

Elegante, com aromas vegetais marcantes. Álcool bem casado e uma doçura agradável. O tempo será seu grande companheiro.

QUINTA DO VALE DONA MARIA PORTO VINTAGE 2007

Aromas florais e de frutos silvestres. Na boca, apresenta doçura agradável e taninos firmes, além de um leve toque balsâmico.

QUINTA DO VESÚVIO PORTO VINTAGE 2007

Retinto, cor negra marcante. Aromas vegetais que lembram a Esteva e, na boca, marcante e persistente chocolate. Taninos maduros e firmes. Um grande vinho longevo.

QUINTA NOVA DE NOSSA SENHORA DO CARMO PORTO VINTAGE 2007

Cor correta, aromas frutados marcantes. Gosto de compota (confitura) e taninos elegantes. Tem grande futuro com o passar do tempo.

ROSÉS PORTO VINTAGE 2007

Aromas delicados e agradáveis ao olfato. Na boca, taninos frescos e macios. Sua doçura é seu ponto forte. É um vinho pronto para beber.

TAYLOR’S PORTO VINTAGE 2007
Aromas de frutas e especiarias. Taninos marcantes, mas agradáveis. Retrogosto de frutas maduras, chocolate e um pouco fumado. Vinho de guarda, um clássico.

VISTA ALEGRE PORTO VINTAGE 2007

Agradável surpresa. Vinho robusto, untuoso, com aromas pujantes e grande persistência na boca. Grande futuro.

WARRE’S PORTO VINTAGE 2007

Aromas balsâmicos marcantes, doçura agradável, grande permanência no retrogosto. Taninos vivos, mas elegantes. Um grande vinho de guarda.

foto:



(*) Carlos Cabral
estuda vinhos há 38 anos. É consultor e um apaixonado pelo tema
 
 
 
 
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