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Entrevistamos Juan Mari Arzak e Joan Roca em Londres |
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| Da esq. à dir., os espanhois Ferran Adrià, Joan Roca e Andoni Aduriz |
Voltei há pouco de Londres, onde estive para participar da cerimônia de premiação dos 50 melhores restaurantes do mundo, no dia 26 de abril. Os vencedores vocês já sabem quem são: minha colega de Prazeres da Mesa Luciana Bianchi deu a lista completa, neste link.
Mas queria dividir com vocês duas entrevistas rápidas que fiz minutos após a entrega dos prêmios:
Entrevista com Joan Roca, co-proprietário do El Celler de Can Roca, no. 4 do mundo:
Prazeres da Mesa: O anúncio dos 50 Melhores Restaurantes é mesmo uma surpresa para vocês chefs?
JR: Sim.
PdM: Então hoje é um bom dia...
JR: Sim, fantástico.
PdM: Quatro espanhois entre os dez melhores. O que isso significa?
JR: É maravilhoso. Significa que crêem em nosso trabalho. É também a consolidação de uma cozinha que apesar de tudo o que podem pensar ou dizer a seu respeito dela está aí com tudo. Isso para nós é muito importante.
PdM: O que muda em um restaurante quando é eleito um dos melhores do mundo?
JR: Não muda nada. E é importante que não mude nada. O restaurante segue sua trajetória, fiel a seus princípios, seu trabalho e sua forma de ser. A quinta posição nesse ranking no ano passado não nos mudou, a terceira estrela Michelin não nos mudou. Seguimos trabalhando com calma e vontade.
PdM: Mas e sua clientela? Mudou muito desde que o Celler ganhou a terceira estrela Michelin?
Sim. Vem muito mais gente de muito longe. Vemos a aparição de gourmets do mundo todo, cujas reservas tomam todas as mesas por meses a fio. Ficou mais difícil para o público de Girona ir ao nosso restaurante. Mas estamos muito contentes porque o nível de exigência é muito alto, lhes custa vir até nós e chegam com a mentalidade e o coração abertos, com vontade de ver e entender o que fazemos. Nós sentimos muito afortunados de ver a chegada dessas pessoas.
Entrevista com Juan Mari Arzak, do Arzak, também na Espanha, número 9 no ranking:
PdM: Porque a Espanha tem tanta força no ranking dos 50 Melhores do Mundo?
JMA: Não sei. O que você quer que eu te diga? É indubitável que ajuda o fato de sermos um país com raízes profundas de tradição e cultura culinária. E que a isso se juntou uma nova onda de investigação, evolução e vanguarda na cozinha. E no entanto, por mais que evolua, reconhece-se sempre que é uma cozinha nossa.
PdM: Você é considerado pelos grandes chefs espanhois como um pai...
JMA: Pai, não! Irmão mais velho!
PdM: E agora que já conquistou tudo ao que um chef pode almejar, o que espera de seu futuro?
Vou seguir cozinhando, a não ser que eu me torne um estorvo e minha filha Elena e nossa equipe me mandem embora. Morrerei na cozinha. Sabe a sorte que tenho? Herdei o restaurante de meus pais e assim sempre pude fazer o que mais gosto. Sou feliz em casa, no Arzak.
O chef Alex Atala, que também estava na premiação e saiu de lá radiante por ter subido da 23a para a 18a posição no ranking, seguiu para o México, depois de um pit stop na Itália. O porquê de tanta viagem? Atala aceitou o convite de Enrique Olvera, chef-proprietário do Pujol, na cidade do México, para fazer um jantar comemorando os dez anos do restaurante.
O jantar, que acontece hoje à noite, será preparado a oito mãos: Atala, Olvera, René Redzepi (do Noma, número 1 do mundo no 50 Best) e Alex Stupak, um dos mais geniais pâtissiers do mundo, do WD-50, em Nova York (número 45 no ranking). Deverá ser um dos maiores acontecimentos gastronômicos do ano na capital mexicana.
Miúdas:
- Abre oficialmente hoje o primeiro restaurante do überchef Daniel Boulud em solo europeu. O Bar Boulud, no hotel Mandarin Oriental, em Knightsbridge, já estreou com prova de fogo: foi ali que almoçaram os chefs-proprietários dos 50 melhores restaurantes do mundo no dia seguinte à premiação. O bistrô especializa-se em terrines e charcuteries e vihos do Rhône e tem clima informal.
- O chef Claude Troisgros já fechou um ponto na rua Dias Ferreira, no Leblon. É na rua mais gourmet do Rio que ele pretende abrir uma mistura de boucherie fina e restaurante.
- O francês Laurent Suadeau será pelos próximos dois anos chef-consultor do Ponta dos Ganchos, resort mais luxuoso do Brasil (e que fica perto de Florianópolis). O menu de estreia inclui paupiette de pargo com emulsão de manjericão e gratin Bayaldi; Anchova grelhada com pimentão e pirão açoriano; risoto de cordeiro servido com pontas de aspargo; Codorna recheada à moda 'catarinense e escalope de foie gras com manga confit.
(*) Além de titular da coluna Ponto de Bala, a jornalista e crítica gastronômica Alexandra Forbes escreve para várias publicações, dentro e fora do Brasil. Seu blog brazilforinsiders dá dicas de viagem para estrangeiros interessados pelo Brasil. Siga Alexandra no Twitter no @aleforbes.
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