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  Os Se7e prazeres capitais

Inveja, ira, luxúria etc. Nos 7 anos da revista, as confissões dos pecados gourmets que a gente adora. Ou odeia


Inveja
Quem nunca quis a comida de seu acompanhante no restaurante? O prato chegou, bateu arrependimento, uma vontade doida de trocar. Lá vai a gente fazer biquinho para ver se consegue algo na base do charminho. E que atire a primeira pedra quem nunca esticou o pescoço para bisbilhotar os comes e bebes da mesa ao lado. Eita bando de gourmet “zoiudo”! O que falar da cobiça danada da loja de eletrodomésticos importados. Ei, colega, não tenha inveja da amiga que comprou aquela batedeira de quatro dígitos! Bata o bolo com a mão mesmo e depois diga que não tem comparação, microtextura artesanal é o futuro!

Avareza
Para que guardar o melhor bombom da caixa e comer por último? Depois, o irmãozinho sacana vai lá e come às escondidas! Já fiz muito isso quando criança, confesso! Mas o intuito era bom: ensinar o significado do carpe diem. Juro. Acho que ela ainda não aprendeu direito, por isso, sempre que vou à casa dela, abro os melhores vinhos para a gente apreciar. Acumular, pra quê? Abaixo o acúmulo! Sou generoso quando se trata de dividir conhecimento.

Ira
A “ira gourmet” é um dos grandes hits nos restaurantes. Fácil de ser encontrada. Ignore o chamado do cliente, demore para servir e ainda traga o filé esturricado. Abra o vinho quente, adote guardanapo de papel impermeável, sirva o prato trocado, o café todo derramado no pires e a conta alterada. Para mais, lógico. Peça ainda para não se esquecerem de deixar a gorjeta. Mas, antes, recolha os talheres da mesa ou corra o risco de levar uma facada. Merecida.

Gula
Se a gente só comesse para ficar alimentado, então deveria partir logo para a ração humana. Balanceada, nutritiva, prática. Mas a gente gosta mesmo é de comer, beber, ter prazer. Sempre quer mais, mais e mais. Depois, dá nisso: roupas apertadas, falta de ar. E, por favor, nem venha falar aquela história de começar dieta e academia na segunda-feira.

Luxúria
Vai dizer que nunca sentiu aquele arrepio depois de umas tacinhas de champanhe? A perlage saindo pelos olhos... Mente que eu gosto! Espumante, morangos, ostras, chocolate e cerejas, tudo isso é obra do “tinhoso” para jogar você no limbo da perdição. Tem amiga que vira duas taças, já sai pelo salão e, aí, ninguém segura. É torcer para não acabar a noite no gim.

Soberba
O “enochato” e o “gastrochato” já viraram figurinhas carimbadas! Alguém ainda tem paciência para ouvir o desfile de conhecimentos enciclopédicos dessa gente? No meio da refeição, desandam a falar de produtos com terroir de origem (des)controlada, aromas indecifráveis e todos aqueles discursinhos desnecessários. Lamentações do tipo: “Gostei desse pernilzinho, mas nada que se compare àquele memorável gigot d’agneau daquele bistrozinho perdido em alguma vila do sul da França.” Retrogosto, então, virou sinônimo de expertise. Uma amiga já disse: “Retrogosto pra mim é arroto”. Muito franca. Adoro.

Preguiça
E depois de tanta gula, luxúria, soberba, normal bater uma preguicinha, né? Ô, coisa boa! Dá licença...
 
 
 
 
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